O jovem Dorival Caymmi sequer tinha completado 20 anos de idade quando "perambulando pelas ruas de Salvador deu com um sobrado na Avenida Sete, com uma tabulezinha indicando "Radio Clube da Bahia". avistou uma escada e, não resistindo, subiu". A descrição de Stella Caymmi, biográfa do avô, no livro "Dorival Caymmi. O Mar e o Tempo' narra os primórdios da carreira do cantor e compositor que então (1934) buscava uma oportunidade no veículo radiofônico, naquele tempo o único meio de se destacar na vida artística.

O cantor sentado no banco de trás, num corso carnavalesco
A Radio Clube da Bahia não sobreviveu muito tempo, teve a sua licença cassada pelo Governo, mas Caymmi teria a oportunidade de se apresentar ainda na Radio Comercial (também fechada tempo depois) e na Radio Sociedade da Bahia. Apresentava-se sozinho, mas também no grupo Três e Meio, que saia no Carnaval e interpretava um repertório de Francisco Alves, Noel Rosa, Sylvio Caldas, Carmem Miranda e Aracy de Almeida, dentre outros. A sua passagem pelas rádios baianas rendeu-lhe algum prestígio, mas Caymmi queria mesmo era reconhecimento e foi buscá-lo no Rio de Janeiro.
Em 1938 aportou na capital da República e logo passou a frequentar como visitante os auditórios da Radio Nacional e Mayring Veiga. Mal imaginava ele que não muitos anos depois ambas as emissoras o convidariam com destaque de grande astro. Mas foi na Rádio Tupi que fez a sua estréia em 24 de junho do referido ano, durante uma festa junina. O sucesso veio logo em seguida quando o compositor baiano fez a música "Que é que a baiana tem", um samba-de-roda estilizado trilha sonora de um filme com Carmem Miranda como protagonista. Caymmi conhecia o sucesso que tanto desejara. Doravante o seu nome seria pautado pela mídia e a sua arte admirada por milhares, mais tarde milhões de fãs pelo Brasil afora.

As fotos que ilustram este tópico são extraídas do livro de Stella Caymmi aqui citado. A foto da home mostra Caymmi com Carmem Miranda e Assis Valente na rádio Mayring Veiga em 1939. Esta mostra os amigos do RJ, incluindo Tom Jobim, o escritor João Ubaldo Ribeiro e Jaguar, nos anos 90
Fonte: Nelson Cadena
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