A escola J.W. Thompson na propaganda brasileira

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Quando os japoneses bombardearam Pearl Harbor determinando o ingresso definitivo dos americanos como protagonistas, e não apenas fornecedores, na Segunda Guerra Mundial, mal imaginava o escritório da Thompson no Brasil que seria beneficiado. Remanejamento de contas e a política da mídia institucional de marcas na América Latina (os anunciantes estimulados com descontos no imposto de renda) favoreceram a agência, de modo que ao termo do conflito a JWT/ Brasil praticamente dobrara de tamanho. Em 1945 atendia as contas da Ford (em substituição da GM) Pond’s, Singer, Kodak, Jonhson & Johnson, Alpargatas, Atlantis, dentre outras. E liderava o ranking de agências


Era então diretor da agência Robert F. Merrick que aqui aportou em 1940 e permaneceu entre nos durante mais de vinte anos, tendo sido o responsável pelo seu grande crescimento e expansão, no período. Além de introduzir a cultura do marketing no país e algumas das técnicas de vendas desenvolvidas para a GM, nos Estados Unidos, Merrick criou o conceito de Escola da Thompson, a agência que todo profissional gostaria de trabalhar. Durante sua gestão conviveu com Renato Castelo Branco, Augusto de Ângelo, Otto Scherb, Hélio Silveira da Motta, Eric Nice, Charles Dulley, Francisco Teixeira Orlandi, Roberto Duailibi, Francês Petit, José Zaragoza, Francisco Gracioso, Caio Domingues, Ricardo Ramos, Said Farhat, dentre outros.


Um brasileiro

Em 1961 a empresa era nacionalizada e a sua direção confiada a Renato Castelo Branco, primeiro presidente brasileiro. Na sua gestão a JWT incrementa a pesquisa (inaugura uma sala de espelhos para reuniões de grupo, técnica depois assimilada pelos institutos do ramo), cria um departamento de Relações Públicas (comunicação integrada) e ganha capilaridade abrindo escritórios em Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife, além de firmar acordos operacionais com agências de outras capitais. Política esta refeita durante a gestão de Greh Bathon (1972-77) quando as unidades foram fechadas e demitidos mais de 200 colaboradores. Castelo Branco deixava a empresa em 1969 para criar a CBBA, muitos anos depois (1985) adquirida pela própria Thompson. 


Em 1956 quando um grupo de entusiastas criou a revista Propaganda, então com um perfil técnico-didático, os editores foram buscar entre seus colaboradores alguns dos especialistas do mercado. Não foi coincidência, mas a maioria eram funcionários da JWT. Era a revista “dos rapazes da Thompson”, na maledicência da publicação concorrente que assim queria desqualificar o novo produto editorial. Os rapazes da Thompson eram jovens, mesmo, mas bem qualificados e alguns deles seriam os melhores, o tempo se encarregaria de provar isso, na sua respectiva área de atuação. 

Nelson Cadena 

Artigo de minha autoria originalmente publicado em Propaganda, Editora Referência, abril de 2009
 
 
 


Fonte: Nelson Cadena



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