Perfil
Neil Ferreira (nascido no município de Cerqueira César, interior de Sp, em 18 de abril de 1943) foi a grande revelação da propaganda brasileira na década de 60 e o mais brilhante criativo da década seguinte. Um ícone no qual se espelhou Washington Olivetto, e outros grandes criadores de sua geração. Seu passe era disputado a preço de ouro pelas maiores agências brasileiras. Deu-se ao luxo de dispensar algumas propostas irrecusáveis e em meados da década de 70, quando estava no auge de sua carreira, anunciada a sua aposentadoria precoce da propaganda. Foi um choque para o mercado publicitário. Retirou-se para um sitio (municípios de Carapicuiba /Cotia )onde durante algum tempo criou galinhas e desligou-se do estresse da cidade grande que considerava “não valia a pena”.
No seu retorno ingressa na DPZ onde formaria com José Zaragoza uma das melhores duplas de criação da história da propaganda brasileira. Na agência que Neil um dia denominou de “Agência do século XX” criou dois trabalhos memoráveis: o comercial “vandalismo” também conhecido como “morte do orelhão”, premiado com leão de ouro em Cannes, elogiado pelo célebre diretor Joe Putka que declarou ter sido o melhor filme de serviço público até então exibido no festival. Mais tarde Neil Ferreira criava o baixinho da Kaiser, o personagem protagonista do comercial “banheiro” o primeiro de uma campanha que posicionou o costume de beber cerveja como um hábito de turma. Ainda na DPZ Neil criou o Leão-símbolo do imposto de renda para a Receita Federal e em 1986/87 participou de trabalhos em parceria com Nizan Guanaes e Marcelo Serpa dentre outros.
Antes disso
Neil Ferreira imaginava ser jornalista e chegou a ser colaborador de alguns jornais (Diário da Noite e Folha de São Paulo). Mas aos 21 anos se assume publicitário, então contratado pela Standard Propaganda para ser primeiro “trainne”, mais tarde assistente de Roberto Duailibi e Julio Cosi.Jr. Tempo depois é contratado pela CIN, Almap, Norton e P.A Nascimento, antes de ingressar na DPZ. Na Norton ingressou em 1969, à frente de uma equipe de criativos que mudou por completo a cara da agência, e mesmo o seu perfil conservador. O grupo contratado a preço de ouro era denominado de “os subversivos”, alusão ao momento político vivido pelo Brasil (uma revolução dentro da agência), então constituído pelo Neil e mais Jarbas José de Souza, Carlos Wagner de Moraes, Aníbal Gustavino e José Fontoura da Costa.
“A vinda dos subversivos foi um marco divisor na agência. Existe uma Norton antes e outra depois. Tudo transformou-se aqui dentro”, declarou certa feita o criativo José Carlos Stabel. De fato, durante o período de “os subversivos” liderados por Neil a agência disputou com a DPZ e a Almap os principais prêmios do mercado, então existentes (Revista Propaganda e Prêmio Colunistas). Nos anos 80 Neil Ferreira trabalhou na SGB e Salles Interamericana, nesta última como Vice-presidente de Criação.

Frases de Neil
“Propaganda com amor também se paga”
1978. Em entrevista à revista Propaganda
“A propaganda não manipula a sociedade. A sociedade manipula a propaganda”.
1977. No anuário do CCSP
“Prêmio para mim é bom. Para os outros é marmelada”
Ironizando a reação do mercado ao resultado das premiações. Década de 70
“Ninguém é filho de chocadeira e os fundadores da DPZ tiveram sua escola nas multis que abriram o mercado brasileiro, como Mc Cann e J.W.Thompson, entre outras. E nas brasileiras Standard e Alcântara Machado”.
2000. Em depoimento no livro “Brasil.100 Anos de Propaganda”.
“A arte de escrever é o ofício de reescrever”
2003. Em artigo para o livro “Pedro Galvão. Nossos Primeiros 20 Anos”.
“O que é propaganda enganosa? Eu talvez não saiba defini-la com propriedade, mas é como pornografia, sei muito bem reconhecê-la quando a vejo”.
2003. Idem
“Só Dove, com a sua campanha mostrando mulheres “normais”, deu a impressão de que existe vida inteligente na propaganda de Tv”.
2006. Em entrevista ao site Jornaldaqui

Frases sobre Neil
“O seu comercial me ajudou a construir três fábricas”
1978. De um Diretor da Sadia
“A lembrança de Neil era o que mais se aproximava do que eu supunha ser um publicitário”
Washington Olivetto em depoimento a Fernando Morais.
“Tivemos um período de brilho bastante intenso quando, na Standard, juntaram-se várias pessoas: Julio Cosi, Neil Ferreira, Livio Rangan, Jarbas, e, de maneira espontânea, ela se transformou no que a gente chama de centro criativo”. Roberto Duailibi analisando a década de 60
E o que eu notava é que o trabalho do Neil e equipe na Norton serviam de estímulo para a DPZ estraçalhar”. Laert Pedrosa, redator
“Não sei se ele inventou a cerveja, mas tenho a certeza de que ele reinventou o gosto de tomá-la”.Jorge Cunha Lima. Jornalista, escritor e ex-Diretor da TV Cultura


Galeria
Veja a relação de alguns dos melhores trabalhos de Neil Ferreira:
Peça: Outdoor
Título:Rodhiela Luminosa
Cliente: Rhodia
Agência Standard
Pasrceiro(s) : Licínio de Almeida
Ano:1967
Peça : Cartão de natal
Título: Mensagem de natal
Cliente: Norton
Agência: Norton
Parceiro (s) : José Fontoura da Costa e Aníbal Gustavino. Ano: 1969
Peça: Campanha
Título: Thanks. Neil
Cliente: General Electric
Agência: Norton
Parceiro (s): José Fontoura da Costa e Jarbas José de Souza
Ano: 1969
Peça: Anúncio
Título: Fogão é a vovozinha
Cliente: Fundição Brasil
Agência: Norton
Parceiro (s): José Fontoura da Costa
Ano:1969
Peça: Anúncio
Título: Vamos sofrer juntos
Cliente: Esso
Agência: Norton
Parceiro (s): José Fontoura da Costa e Jarbas José de Souza
Ano: 1970
Peça: Anúncio
Título: Frente fria
Cliente: Instituto Brasileiro do Café-IBC
Agência: Norton
Parceiro (s) : José Fontoura da Costa e Jarbas José de Souza
Ano: 1970
Peça: Anúncio
Título: Filho da Mãe!
Cliente: Clineu Rocha
Agência: Norton
Parceiro(s): José Fontoura da Costa e Jarbas José de Souza
Ano: 1971
Peça: Mensagem de natal
Título: Antes de entregar seu filho
Cliente: Copersucar
Agência P.A. Nascimento
Parceiro(s): Sérgio Bertoni
Ano: 1971
Peça: Campanha
Título: Campanha Copersucar
Cliente: Copersucar
Agência: P.A Nascimento
Ano: 1972
Peça: Comercial
Título: Uma História de amor
Cliente: Souza Cruz/Cigarros Luis XV
Agência: DPZ
Parceiro(s): José Zaragoza
Ano: 1978
Peça: Campanha
Título: Institucional Telesp
Cliente: Telesp
Agência: DPZ
Parceiro (s): José Zaragoza, Hisae Yokota e Nelo Pimentel
Ano: 1979
Peça: Anúncio
Título: Nuvens
Cliente:Rhodia
Agência:DPZ
Parceiro (s) José Zaragoza
Ano: 1980
Peça: Comercial
Título: Vandalismo/Morte do Orelhão
Cliente: Telesp
Agência: DPZ
Parceiro(s): José Zaragoza e Nelo Pimentel
Ano: 1980
Peça: Campanha
Título: Você fala, A Rhodia escuta
Cliente: Rhodia
Agência: DPZ
Parceiro(s): José Zaragoza
Ano: 1981
Peça: Anúncio
Título: Lembra-se daquela formiguinha
Cliente: Pan Am
Agência: DPZ
Parceiro(s): José Zaragoza e Rodolfo Vanni
Ano: 1982
Peça: Anuncio
TÍtulo:O que uma moça tão fina, tão bem educada está fazendo…?
Cliente: Hering
Agência: DPZ
Parceiro(S): José Zaragoza
Peça: Comercial
Título: Banheiro
Cliente: Kaiser
Agência: DPZ
Parceiro(s): José Zaragoza
Ano: 1987
Peça: Outdoor
Título: Cama, mesa e banho/Prazeres
Cliente: Artex
Agência: DPZ
Parceiro(s): José Zaragoza
Ano: 1987
Um depoimento dele próprio
Assista uma entrevista de Neil Ferreira e José Zaragoza em dois vídeos produzidos pelo Multishow e disponibilizados no site Truveo. Siga os links
http://www.truveo.com/Entrevista-com-a-dupla-Neil-Ferreira-e-Jos%C3%A9/id/3853520464
http://www.truveo.com/Entrevista-com-a-dupla-Neil-Ferreira-e-Jos%C3%A9/id/1931992340
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