Daniela Madeira
Diretora da Agência Rádio Web
Entrevista realizada por Fausto Silva em 08/08/2007
Título: Jornalismo dinâmico só para rádio
Fonte: Site Radio Agência
Link: http://www.radioagencia.com.br/noticia.php?noticia=15570&categoria=2
Ela é jornalista, formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Iniciou sua carreira jornalística na Rádio Gaúcha AM (600 KHz – Porto Alegre/RS), em 2001, e hoje é uma das diretoras da Agência Radioweb, considerada a maior agência de notícias para rádios do Brasil.
Para falar exatamente sobre a Agência Radioweb, o RA entrevista Daniela Madeira.
RÁDIO AGÊNCIA: Como teve início a Radioweb?
DANIELA MADEIRA: Em janeiro de 2001, teve o “1º Fórum Social Mundial”, onde o mundo inteiro estava com os olhos voltados para Porto Alegre. Naquela ocasião, o Paulo Gilvane, jornalista e repórter da Rádio Gaúcha AM, montou uma equipe, da qual eu fazia parte, eu e a Caroline Mello que também trabalhava na Rádio Gaúcha, e hoje é também uma das sócias da empresa, somos em 3 sócios. No início houve mais uma pessoa, que era a Juliana Turat, que saiu. Naquela ocasião, nós ligamos para 70 rádios do interior do Rio Grande do Sul e perguntamos para esse pessoal: “Olha a gente vai fazer uma cobertura do Fórum Social Mundial. Vocês tem o interesse em ter essas matérias gravadas?” E todas elas responderam positivamente. Foi unânime. Então a gente começou a fazer uma transmissão diária das notícias. Tínhamos dois repórteres na PUC no Rio Grande do Sul, fazendo a cobertura, e o pessoal gravava num CD. Então ligávamos todos os dias para as 60 rádios e colocávamos o bocal do telefone na caixa de som do CD player, apertavamos o play e largávamos 5 matérias por dia do Fórum Social Mundial. Nós detectamos uma carência, uma necessidade, das rádios em ter conteúdos de fora da sua região, em áudio, para veicular na sua programação. Então começamos a gerar conteúdos de interesse, a princípio, só para as rádios do interior do Rio Grande do Sul, e aí a partir de um momento, passamos a receber uma demanda de outras rádios de fora do estado, que tinham tomado conhecimento do nosso trabalho, e queriam saber como que era, queriam mais detalhes… E por que não começar a fazer uma cobertura mais ampla para atender essas rádios?… Foi aí, que em 2004, abrimos a surcusal de Brasilia, com Geanoni Mousquer que também é sócio da Radioweb. O Geanoni trabalhou anos para o Grupo RBS como correspondente em Brasilia, e saíndo da RBS nós fizemos algumas reuniões e ele topou entrar para a Agência Radioweb. Montamos a surcusal. E nosso trabalho no início era no apartamento do Paulo Gilvane, com um computador e um telefone, foi assim que a Radioweb iniciou… Começamos com 4 pessoas e hoje a gente tem uma equipe de 31 pessoas, com sedes em Brasília, em Porto Alegre, e agora aqui em São Paulo.
RA: Você é a responsável aqui em São Paulo?
DM: Sim, sou. E nós temos também correspondentes em todas as capitais para fazer uma cobertura do que está acontecendo em outros pontos do país. Hoje nós estamos oferecendo uma média de 40 matérias por dia, para o conjunto de emissoras parceiras, que somam ao todo 1645 rádios, em todo país.
RA: Com a reformulação do portal, ocorrida no último mês de maio, houve crescimento de rádios parceiras?
DM: Sim, houve crescimento. Nós inicamos os trabalhos da Radioweb com uma cobertura regional, no Rio Grande do Sul, depois nacionalizamos, massificamos. Tudo era nacional. E aí começamos a ter demandas de “ah, por que vocês não fazem conteúdo da capital do meu estado…”, “… por que a gente não tem um conteúdo específico aqui?”… , então começamos a receber essas demandas. Aí, fizemos o processo inverso de voltar a fazer uma cobertura regional, mas não só para o Rio Grande do Sul, mas para todos os estados do país. E a média de downloads no site, por dia, chegou ao número de 6500, ou seja, são 6500 vezes que o nome da Agência Radioweb com suas matérias são escutadas em algum canto do país. A cada 20 segundos, 1 boletim da Radioweb vai ao ar. Em julho, nós tivemos 137.000 downloads no site.
RA: O volume é realmente grande…
DM: Pois é, nós começamos com 60 rádios, estamos hoje com mais de 1600, e com capacidade de crescer ainda mais.
RA: Como é o “feedback” das rádios, que utilizam suas matérias?
DM: A gente recebe, todos os dias, mensagens de rádios sugerindo pautas, ou agradecendo pela cobertura que fizemos. Para você ter uma idéia, nós tivemos meses atrás, uma instabilidade durante 2 dias no site da Agência, e era rádio atrás de rádio, ligando e questionando o por quê, e colocando que elas precisavam dos nossos boletins para montar a sua programação jornalística. Tem emissora de rádio que baixa 30 matérias por dia. Então o número de downloads hoje, é o maior “feedback” do trabalho que estamos fazendo, e que está agradando e servindo a contento essas emissoras de rádio.
RA: Além dos boletins gravados, existem boletins escritos? Como é que funciona isso?
DM: Na verdade nossos boletins são todos em áudio. A única coisa que tem de texto na Agência Radioweb são as manchetes. Então a rádio entra no site da agência, e lá ela tem todas as principais notícias do dia, política, economia, saúde, meio ambiente, direito, cidadania… A rádio é livre para usar o que ela quiser. Ela escolhe, baixa e usa gratuitamente na sua programação.
RA: Então são todos gravados.
DM: Todos. O locutor da rádio lá do interior do país, ao invés dele pegar o jornal e ler para os ouvintes o jornal, o conteúdo, falando por exemplo, “o novo Ministro da Defesa assume…”, ao invés dele ler isso, ele terá a sonora do Ministro da Defesa. O próprio ministro falando na sua rádio através da cobertura que a gente faz e repassa para as rádios.
RA: Qual o critério que vocês usam para fazer a triagem e a formatação desse conteúdo?
DM: Bom, a gente tem uma preocupação de oferer para as rádios as principais notícias do dia. Toda noite o site da Agência Radioweb é atualizado, e durante o dia as notícias mais importantes também são atualizadas. As notícias que são manchetes, que são destaque do dia, estão no site da Radioweb. E fora isso, temos algumas editorias que, pelo número de acessos de rádios, nos identifica quais são as editorias que tem boa aceitação e damos cobertura. Saúde, por exemplo, tem boa aceitação, matérias de política tem boa aceitação, economia tem também.
RA: Existe algum assunto que a Radioweb não cobre?
DM: Hoje a nossa cobertura na área de cultura e na área esportiva está muito incipiente. Tem muito espaço para crescer, principalmente esporte que tem uma demanda muito grande das rádios. Estamos pensando num projeto novo para atender essa lacuna.
RA: A Radioweb é uma agência de notícias para rádios, mas recentemente ela disponibilizou um produto novo, que se chama “Vitrola Brasileira”. Fale um pouco sobre ele.
DM: Bom, a Vitrola Brasileira é uma rádio que criamos para colocar dentro do site da Radioweb, com uma programação totalmente MPB. No caso, o internauta que não pode ter acesso aos boletins da Radioweb, que são fechados com senha, pode entrar no site da Radioweb, clicar no ícone da Vitrola Brasileira e ficar ouvindo 24 horas por dia uma seleção musical de MPB e com as notícias que produzimos. Hoje o Vitrola passou a ser um produto que poder ser viabilizado e implantado em vários sites de clientes. Oferecemos para o cliente uma rádio com a cara dele, voltada para o público dele. O cliente escolhe a programação musical, que poder ser Jazz, MPB, Rock, Clássico… Ele escolhe o perfil, o conteúdo que ele quer, e também algumas mensagens que ele queira colocar para o seu público ouvinte. Ele nos envia o texto, gravamos e aí inserimos na programação da rádio. Por exemplo, no Rio Grande do Sul, a gente montou uma rádio para a OAB, Ordem dos Advogados do Brasil. Fizemos uma programação musical, de acordo com o que eles escolheram e inserimos as notícias que a OAB tem interesse, para que seus advogados se atualizem, ou seja, é uma forma da instituição se comunicar com o seu público. O profissional está ali trabalhando no computador e ouvindo uma rádio online, com música e informação feita pra ele. Eu vi uma pesquisa do Data Folha, que temos 50 milhões de pessoas no Brasil com acesso à Internet. E cada vez mais, novos recursos são necessários se ter num site, textos, áudios, imagens, vídeos, enfim. E com relação a isso, fazemos também TV Online, disponibilizando uma plataforma para o cliente colocar todos os seus vídeos, montar uma programação de TV no seu site com seu perfil, mostrando entrevistas, coberturas de eventos, treinamentos, e o que mais ele quiser.
RA: Então, além da Rádio Online, vocês ainda disponibilizão de a TV Online?
DM: Isso. E tanto um quanto o outro possibilita que possamos fazer transmissões ao vivo de eventos. Por exemplo, para a CNI, Confederação Nacional da Indústria, nós fizemos algumas transmissões ao vivo. Então no site da CNI, tem a Rádio Indústria que nós montamos para eles, e que é com o perfil que eles escolheram, as notícias CNI – SESI – SENAI, e quando eles tem um evento e querem dar uma ampla repercursão, a gente suspende a programação normal e colocamos um link com a transmissão ao vivo. Com isso o cliente pode disponibilizar ao seu público, que não estará presente naquele congresso ou naquele seminário, acompanhar, ou escutar em tempo real, tudo que será passado no evento.
RA: Vocês já tem muitos clientes para esse mercado?
DM: Temos, e agora estamos aqui em São Paulo, e estamos identificando um mercado muito bom para trabalhar.
RA: Há alguns meses, o Rádio Agência realizou uma pesquisa e constatou que a Radioweb é a agência de notícias mais utilizada pelas emissoras de rádio no Brasil. A que você atribui isso?
DM: Eu atribuo isso à nossa cobertura jornalística, temos uma preocupação muito grande no fato da rádio entrar no site da Radioweb e encontrar ali o que ela precisa para a sua programação. Eu atribuo principalmente a qualidade jornalística da nossa cobertura, uma qualidade de áudio que estamos sempre buscando aprimorar. Hoje temos um retorno muito bom das rádios sobre a qualidade de áudio dos nossos boletins. E hoje fazemos uma cobertura de abrangência nacional, o que ajuda muito a ter essa penetração nas rádios de todo país, porque se acontece uma coisa importante, no Tocantins, por exemplo, nosso repórter do estado vai lá pegar a informação, e se for um assunto de relevância nacional, as rádios de todo o país vão ter acesso a esse conteúdo, gravado, através do site da Agência Radioweb.
RA: Como já disse, tirando as sucursais, vocês mantém correspondentes em pontos chaves do país para trabalhar para à Radioweb. Como é feito essa contratação?
DM: Nossa gerência de jornalismo fez um trabalho de contato, de busca desses profissionais, e hoje nós já estamos com todos eles, cada um em seu posto. Tem o pessoal em Brasilia que faz o contato diário com todas essas capitais, para ver o que está rolando de matéria e faz a seleção da pauta, do que será importante para nós.
RA: Então na parte da manhã é realizada uma reunião de pauta.
DM: Sim.
RA: E aí correm atrás da notícia para disponibilizar no site no final da tarde, é isso?
DM: Isso. A gente envia uma newsletter para 14 mil endereços de radialistas, repórteres, apresentadores, toda noite com as principais manchetes do dia seguinte. Com isso esses profissionais podem se programar para o dia seguinte, fazendo o roteiro dele, sabendo o que estará no site da Radioweb. Essa é uma forma de comunicação que nos rende muita aproximação com as emissoras. A newsletter é um veículo muito forte de comunicação da Radioweb com as rádios parceiras.
RA: Além das emissoras de rádio, os ouvintes de rádios, pessoas comuns podem ter acesso à newsletter da Radioweb?
DM: Não. Hoje o nosso trabalho é voltado para as emissoras de rádio. Cada rádio cadastrada tem a sua senha para acessar o conteúdo. Então o conteúdo é fechado. Tem uma parte em streaming, no site, abaixo do logo da Vitrola Brasileira, que são três matérias por dia. Essas matérias ficam livres para quem quiser entrar, conhecer o trabalho da Radioweb, como é a nossa cobertura, a qualidade do nosso jornalismo, pode entrar ali e conhecer sem problema nenhum. Mas o conteúdo mesmo é feito para as rádios. E a partir dessa senha, nós conseguimos identificar toda utilização que cada matéria teve. Por exemplo, a cobertura quando o Papa veio aqui em São Paulo. Nós colocamos um repórter fazendo toda a cobertura também de toda a programação. Muitas rádios comercializaram localmente esse conteúdo com seus parceiros locais, e foi um conteúdo que teve um acesso muito grande também. A média hoje, de acessos por matéria no site Radioweb é entre 150 e 200 acessos por boletim.
RA: Como empresa a Radioweb precisa de recursos financeiros para se manter. Como é feita a captação destes recusrsos?
DM: A Radioweb uma distribuidora de conteúdos, para esse universo de rádios, espalhadas em todo o país. Então temos rádios em todos os estados do país, que entram no site da Agência todos os dias para pegar matéria. Essas rádios usam esse conteúdo gratuitamente. Nossos patrocinadores se associam a esse conteúdo, patrocinando boletins de interesse da população. Nós temos, por exemplo, matérias da área de saúde assinadas pelo Conselho Federal de Medicina. Então fazemos um boletim sobre aleitamento materno e aí esse boletim entra em 200, 300 emissoras de rádio com a assinatura do patrocinador. E assim acontece em todos os boletins.
RA: E essas rádios não questionam esse tipo de patrocínio?
DM: Para a rádio ter uma senha de acesso, ela tem que dar um acordo num termo de parceria que prevê todas as condições de uso do nosso material jornalístico, e ali a gente esclarece a forma de como a Radioweb se mantém. Pois a rádio não paga nada pelo conteúdo, em contra-partida, se aquele conteúdo tem um patrocinador, ela se compromete a utilizar o conteúdo na íntegra. Sem nenhum tipo de edição.
RA: E você. Como se sente fazendo parte de todo esse trabalho da Radioweb?
DM: Eu sinto que sou uma privilegiada, por ter me formado e no mesmo momento ter entrado nesse projeto desde o início, que é um projeto que cresceu, de uma forma exponencial e tem muito ainda para poder crescer na minha opinião, e eu tenho muito orgulho. Me sinto mãe dessa criança, chamada Radioweb que tem muito à crescer, e é muito bom.
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