Setembro é o mês da imprensa

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Setembro é a semente da imprensa brasileira. Nesse mês do ano (o nono, número correspondente ao de uma gestação) em épocas diversas e contextos também diferenciados, nasceram os veículos de comunicação do Brasil. Um fato curioso que nada revela, além da simples, ou não tão simples coincidência. Se a cronologia da história da imprensa no Brasil tem algum sentido, não o sabemos. Secretos desígnios que o racional não consegue avaliar. Vamos aos fatos: Foi em setembro de 1.808 que surgiu o primeiro jornal brasileiro, editado em solo pátrio, a “Gazeta do Rio de Janeiro”, data que durante décadas foi referência do Dia da Imprensa, produzido na tipografia da Imprensa Régia.

No século vinte nasce o rádio, exatamente em 07 de setembro de 1922, com transmissões experimentais realizadas no contexto e no recinto da Exposição do Centenário da Independência, então perante a presença de convidados ilustres de outros países, o presidente Epitácio Pessoa como cicerone. Muitos anos depois surge a televisão: em 18 de setembro de 1950, data de inauguração da “TV Tupi”, iniciativa dos Diários e Emissoras Associadas, através de seu Diretor-Proprietário Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo. Já em finais da década de 80 o Brasil se conecta à rede internacional, então denominada de Bitnet, que permitia a troca de mensagens em escala mundial. E assim, em setembro de 1988, o Laboratório Nacional de Computação Científica do Rio de Janeiro dava o passo inicial da internet, através de uma conexão de 9.600 bits/segundo, estabelecida com a Universidade de Maryland.

Atrasos e datas marcadas

Por que setembro? A Gazeta do Rio de Janeiro, o nosso jornal pioneiro, e a TV Tupi, a nossa primeira emissora de TV, foram lançados em setembro porque esse foi o mês em que os veículos ficaram prontos. A Gazeta “atrasou-se” em função das dificuldades para montar os prelos que vieram encaixotados de Lisboa e durante meses ficaram na residência de um funcionário público. Demora na montagem e principalmente na sua operacionalização pela falta de mão de obra habilitada.

A TV Tupi, por sua vez, “atrasou-se” por um motivo similar, ou seja, a demora na montagem dos equipamentos, problemas na alfândega com as guias de importação e mais o tempo necessário para o treinamento de recursos humanos oriundos do rádio. Diferente do jornal e da televisão, o rádio e a internet surgiram em setembro após um planejamento, as datas previamente acertadas. O rádio nasceu nesse mês por conta das comemorações do Centenário da Independência.

O veículo surge, assim, num contexto político-histórico, com a data previamente marcada e providências tomadas para coincidir com a grande festa. A internet, por sua vez, nasce também com data programada, através dos contatos prévios feitos com uma universidade americana para a conexão pioneira aqui referida. Setembro, como se vê, por algum motivo tem o seu charme e cheira a tinta, ondas magnéticas, e bits. A propósito é bom lembrar que o Jornal Nacional, o telejornal de maior audiência, nasceu em 1 º de setembro de 1969. E um ano antes, 11 de setembro de 1.968 surgira “Veja”, hoje a maior circulação e índice de leitura das revistas semanais. Setembro é mesmo o Mês.

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 14/09/2009 



A morte de Getúlio Vargas e o jogo da imprensa

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Na manhã de 24 de agosto de 1954 um foguetório nos céus do Rio de Janeiro comemorava a deposição do Presidente Getúlio Vargas que segundo o noticiário da Rádio Tupi às 3:35 e Rádio Globo às 4:00, renunciara à Presidência da República. Noticiário falso, induzido por uma fonte não identificada, seguramente um dos participantes da reunião do gabinete convocada pelo primeiro mandatário para discutir os rumos a tomar em função da crise deflagrada em 05 de agosto quando do atentado da Rua Toneleros contra o jornalista Carlos Lacerda. A “barrigada” da imprensa radiofônica contribuiu para espalhar o boato da renuncia e estimular o júbilo popular, manifesto com a queima de foguetes às 6:30, segundo narrou o repórter Murilo Melo Filho na sua retrospectiva dos acontecimentos publicada na revista Manchete.

Não sei por que até hoje ninguém fez a ilação entre os fatos: as notícias falsas divulgadas pela imprensa, a repercussão dessas notícias com comemorações de júbilo e o suicídio do presidente ocorrido por volta das 8:00. Nos seus aposentos do Palácio do Catete o chefe da nação deve ter ouvido os foguetes e algum impacto teve nos seus ouvidos fragilizados, um estado de ânimo depressivo em função do desfecho da reunião ministerial que, contrariando sua vontade, insistira na tese da licença provisória. Ou seja, a renúncia por um período indeterminado que se sabia, ou pressentia-se, não teria retorno. Ilações apenas, que, se em nada contribuem para explicar os fatos, também não devem ser descartadas. Afinal, foguetes são a representação festiva e ruidosa de um inconsciente coletivo.

Responsabilidades A questão que cabe aqui analisar é qual a responsabilidade das duas emissoras de rádio nesse processo? Levando em consideração que ambas desejavam dar exatamente a notícia da renúncia, proposta que tinha a inspiração na linha de frente da Tribuna da Imprensa, O Globo e Rádio Globo, TV e Rádio Tupi (unidos em torno dos interesses da CPI contra o jornal Última Hora em 1953) e como coadjuvantes Correio da Manhã, O Estado de São Paulo, Folha da Manhã e Diário Carioca. A fonte que passou a noticia falsa, seguramente por telefone, às emissoras de rádio, agiu de má fé? Segundo os historiadores Getulio deixou a reunião determinando que as forças armadas garantissem a ordem pública e, nesse caso, ele aceitava licenciar-se, ou do contrário os revoltosos encontrariam o seu cadáver no Palácio. A fonte apostou na primeira opção que era exatamente o que a imprensa oposicionista queria e defendia em editoriais. Há de se considerar ainda que as noticias falsas divulgadas pelo rádio ocorreram num contexto de rígida censura.

 Quem liberou? Teria sido o próprio Lourival Fontes, chefe do DIP, o informante, a estas alturas convencido que esse seria o desfecho inevitável? Afinal, foi Fontes quem anunciou oficialmente, às 5:00 a renúncia do presidente. A noticia, naquele momento era verdadeira, mesmo contrariando as determinações de Getúlio. Mas não era verdadeira às 3:35 da manhã quando a rádio Tupi fez o primeiro anúncio, 35 minutos apenas transcorridos do início da reunião de gabinete. E não era verdade quando a rádio Globo a repercutiu, meia hora depois, com trilha sonora de marchas militares para potencializar o impacto do noticiário.

O fato é que as noticias eram falsas, geraram reações populares, tornaram-se verdadeiras a partir das 5:00 para se confirmarem novamente falsas três horas depois quando Heron Domingues anunciou em edição extra do Repórter Esso o trágico desfecho do suicídio. A imprensa jogou nesse tabuleiro da crise e o povo assim o entendeu. Daí as reações do populacho com invasões e depredações de veículos de comunicação principalmente no Rio de janeiro e Porto Alegre. Rescaldo de uma tragédia anunciada pelo seu próprio protagonista.  

Artigo de minha autoria originalmente publicado no jornal Correio em 27/08/2009



O engodo da Televisão a cores

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Há 40 anos telespectadores de Brasília foram surpreendidos com a exibição, sem aviso prévio, de imagens de maços de cigarros e garrafas de cerveja, a cores, no break comercial do programa de Jean Pouchard. Minutos depois ficavam sabendo que a exibição de comerciais em inglês nas cores azul, vermelho e verde tinha sido possível graças a uma engenhoca chamada Color Tel, invenção do americano mes Butterfield, paliativo muito fajuto para a televisão colorida que os brasileiros tanto almejavam. Um sistema muito simples, nada excepcional, um pouco melhor do que as telas transparentes importadas do Japão desde 1961 que ganhavam tons bicolores e tricolores ao gosto do usuário.As experiências no programa de Pouchard, ex-colunista Social do Diário Carioca cujo verdadeiro nome era Mauro Valverde, nada mais era do que uma tentativa de se antecipar à tecnologia a cores que o país já negociava desde 1967 quando decidira adotar o sistema PAL-M, infeliz adaptação do PAL Europeu.

A Revista Veja assim registrou a novidade: “Noventa por cento das pessoas que ligaram os televisores no dia 7 de agosto em Brasília tiveram uma surpresa: viram surgir no vídeo, em azul, vermelho e verde, desconhecidas marcas de cigarros e rótulos de cervejas anunciados em inglês. Era a TV Alvorada, canal 8, fazendo a primeira experiência no Brasil do sistema Color Tel, invenção americana que permite aos aparelhos comuns de TV receberem imagens coloridas sem sofrer qualquer adaptação”.

Precariamente colorida


A Publicação alertava para algumas das limitações da referida engenhoca: “O Color Tel só funciona nos aparelhos que estejam em salas iluminadas por lâmpadas incandescentes. Essa TV precariamente colorida serviu para quebrar a monotonia em que Brasília mergulhou desde a decretação do recesso do Congresso”. E descrevia a sua configuração: “O Processo Color Tel… baseia-se em estímulos luminosos que só o olho humano percebe. É a variação da intensidade desses estímulos que dá a variação da cor: uma Câmara fotográfica diante do vídeo não consegue captar as cores… Os cariocas e paulistas só verão anúncios coloridos daqui a alguns meses. A Alton quer fazer um grande lançamento já com anúncios de produtos brasileiros”. A descrição do produto, mesmo com o disfarçado entusiasmo da mídia, permite imaginar a sua precariedade e o tamanho da encrenca daqueles que apostaram as suas fichas no Color Tel, no país representado por uma empresa denominada Alton Promoções.

A revista semanal falava em exibições em outras praças, mas deixava claro que apenas no break comercial. Ou seja, exibição para tapear, ou iludir. Nada consistente. Uma degustação muito desabrida para atender a ansiedade em torno da definitiva implantação do sistema de TV a cores que então já era realidade nos Estados unidos, Cuba, França, Canadá e Hungria. O Color Tel não foi adiante e os brasileiros tiveram mesmo de aguardar mais dois anos e meio para assistir a TV a cores. Não todos. Alguns privilegiados já tinham acesso ao sistema cromático desde meados da década de 60. Experiências em circuito fechada tinham sido realizadas em 1963 pela TVTupi com a exibição do documentário “Volta ao Mundo” e do seriado “Bonanza” e também pela TV Excelsior com um show ao vivo no estande da Maxwell, produzido por Manoel Carlos e mais tarde com o programa “Moacyr Franco Show”. Em 1964 a agência de propaganda Panam, por sua vez  exibira a cores o famoso comercial em desenho animado dos esquimós da Brastemp. E em 1968 convidados da TV Globo assistiram o Prêmio Brasil de Turfe. Dois anos depois  convidados vip da Embratel assistiram a Copa do Mundo em exibições fechadas em três cidades.

A Copa antecipava a tecnologia a cores para os amigos do Rei. A começar pelo Presidente da República, Emilio Garrastazu Médici que teve um aparelho especial instalado no Palácio e claro o todo-poderoso Walter Clark que instalou uma aparelhagem para receber sinal em NTSC, convertido a PAL-M na sua sala da TV Globo.

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 17/08/2009



O impacto do Zeppelin na mídia brasileira

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O sonho de voar feito realidade esteve longe de nós, com exceção da histórica viagem ao mundo do Graf Zeppelin em maio de 1930 que milhares de brasileiros testemunharam de perto. É que acompanhamos as façanhas dos primeiros balonistas no final do século XIX e dos inventores do avião (Santos Dumont e os irmãos Wright) na primeira década do século XX através das revistas, num tempo cronológico distante dos acontecimentos; fatos estes que repercutiram apenas numa camada social privilegiada.

 Muitos anos depois acompanhamos, também através da mídia, a chegada do homem na lua, um acontecimento muito distante de nós, porém de maior impacto graças às imagens em tempo real geradas pela TV. Os protagonistas deste momento histórico estavam no espaço e a equipe que viabilizara a façanha sediada em Houston. A nossa relação com o balão, o avião e o foguete foi apenas midiática.

Diferente foi a nossa relação com o Graf Zeppelin, o gigante voador de 128 metros de cumprimento, que aportou no Brasil em maio de 1930 enlouquecendo multidões que foram às ruas nas principais cidades brasileiras; milhares de pessoas, também, acompanharam a passagem da aeronave das janelas e sacadas de prédios e residências na rota do dirigível. O jornal O Estado de São Paulo empolgado com a repercussão enxergou no acontecimento um bom remédio contra o estresse: “A impressão causada pela travessia produz um bem-estar tão grande que deve ser empregada como cura da neurastenia”. 

Exageros a parte a mídia registrou a passagem do Zepellin através de textos grandiloqüentes e muitas fotos; algumas delas hoje podem ser apreciadas nas bibliotecas e arquivos públicos. A propaganda não deixou por menos e as agências programaram anúncios de oportunidade do Guaraná Antarctica (com o sugestivo título “Um gigante entre os gigantes”, Depurativo Luedy, Cinzano, Ovomaltine, tecidos Indanthren, baterias Barta, Agfa, dentre outros.

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Encarte e cobertura

Nesse contexto duas revistas se destacaram: “Careta” que programou um encarte de 38 páginas encomendada pelo Sindicato Condor que administrava destinos postais e de transportes de passageiros de companhias aéreas e a “Revista da Semana” que estampou magníficas fotos do Graf Zeppelin sobrevoando cidades européias e uma ilustração de página dupla do artista plástico Umberto Della Latta que se permitiu imaginar o dirigível sobrevoando o Pão de Açúcar no Rio de Janeiro. Através de “Careta” ficamos sabendo que a conta do espetáculo saiu de nosso bolso, através de uma verba de 100 contos de reis que o erário disponibilizou com autorização do Presidente da República Dr. Washington Luiz.

A publicação nos informa também da infra-estrutura montada no Recife para abastecer o Zeppelin.Já a “Revista da Semana” destacou os antecedentes de viagens intercontinentais do dirigível, relevando a visita ao Brasil:” É este o dirigível que pela primeira vez vêm ao continente sul americano. O Brasil sabe estimar os esforços hercúleos do velho inventor e seus dedicados sucessores; sabe avaliar as dificuldades a vencer na viagem transatlântica, onde cada vento contrário prolonga o caminho por centenas ou milhares de quilômetros; sabe admirar a tenacidade de um país que, depois de uma guerra terrível em que sucumbiu, surgiu do túmulo e criou maravilhas científicas e técnicas quando tudo parecia perdido.

O Brasil sabe que o Graf Zeppelin é o símbolo dos pacifistas… Salve Graf Zeppelin! Que a rainha de maio te guie seguro até o pais que em recordação do seu filho adotou o nome de Terra de Santa Cruz”.Tempo depois do vôo histórico do Graf Zeppelin pelo Brasil a Companhia Condor viabilizou uma rota regular de transportes de passageiros e até construiu um hangar gigante cuja estrutura ainda existe. Resistiu ao tempo, às intempéries e ao salitre, nas proximidades da Baia de Sepetiba, tombado pelo Iphan. Memória viva da ancoragem da grande nave que segundo a mídia da época requeria 200 homens em pista com cordas para orientar a atracação. A passagem original do Graf Zeppelin nos céus do Brasil foi mesmo a nossa única relação próxima com o sonho de voar. 

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 28/07/2009



A imprensa no mundo da lua

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Hoje, exatos 40 anos, a imprensa brasileira estava no mundo da lua, literalmente falando, nenhuma alusão às gafes cometidas pelos apresentadores da rede de TV com dificuldades de entender e traduzir o inglês do áudio original na histórica transmissão da chegada do homem no satélite em 20 de julho de 1969. Gafes que, diga-se de passagem, tinham a ver, também, com as alterações no roteiro original da NASA. Os engenheiros de Houston previram um determinado horário para o desembarque de Neil Armstrong, mas foi próximo da meia-noite, após uma longa espera, que o astronauta efetivamente pisou o solo lunar.Como ia dizendo a imprensa brasileira estava no mundo da lua. Não se falava outro assunto desde a semana anterior.

Toda a mídia ligada no grande acontecimento. Millor Fernandez definiu com muito bom humor e propriedade a edição especial de Veja de 23 de julho de 1969 como “Uma edição especialmente lunática” e então recomendava: “Armstrong: seja o primeiro suicida lunar. A idéia não é ficar na história?”. A propósito, as revistas comeram poeira, a julgar pelas manchetes nada criativas: “Chegaram!” (Veja), “O Homem na lua” (O Cruzeiro), “Especial. Mapa da Lua” (Manchete) e “Eis sua viagem à lua” (Realidade). Pecaram nos títulos, mas acertaram no texto, no caso específico de Veja, destacando uma magnífica entrevista com o Dr Von Braum. O criador dos foguetes V2 durante a II Guerra Mundial.

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Os números da cobertura

O Brasil tinha em torno de 70 milhões de habitantes e o mundo estimava a população do planeta em 3,5 bilhões de pessoas. A histórica transmissão televisiva da chegada do homem na lua teria impactado, segundo estimativas da época, 530 milhões de telespectadores. Ou seja, 15% apenas da população. Mas a percepção foi outra já que na Europa, Estados Unidos e Japão, o mundo desenvolvido, a cobertura foi bem abrangente. No Brasil tínhamos 4,5 milhões de aparelhos de TV e uma cobertura estimada em 50% dos domicílios, algo em torno de 35 milhões de habitantes. Assistimos a chegada do homem na lua, em preto e branco, (o sistema de cores seria implantado somente em 1972), com imagens geradas pela NASA, via Embratel que para evitar um colapso nas comunicações e priorizar a transmissão televisiva, desligou o sistema de telex e telefonia DDD e DDI sem avisar à população. Três mil jornalistas credenciados pela NASA assistiram a decolagem do Apollo 11, testemunhado também por um milhão de pessoas presentes.

As grandes redes de TV americanas investiram na informação. A CBS convidou o ex-presidente dos Estados Unidos Lindon Johnson para comentar os aspectos políticos da missão lunar e Arthur Miller e Bob Hope para comentar cenas do cinema com o tema do espaço, exibidas nos intervalos da programação. A rede ABC entrevistou Marshall Macluhan, o teórico da aldeia global; então em evidência a máxima de que “o meio é a mensagem”.

Quanto à televisão brasileira esta deixou a desejar e a tecnologia teve muito a ver com essa cobertura, digamos, modesta. Dependíamos do Intelsat III e de um precário sistema de links terrestres, a partir da estação de Itaboraí recém inaugurada. Falávamos em cobertura via satélite, mas na prática, com exceção de alguns flashes pontuais e da histórica transmissão de 20 de julho, fizemos, mesmo. uma cobertura via telex. Com o estimável apoio da tesoura-press.

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 20 de julho de 2009



Michael Jackson: As exéquias-show

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Terça feira, após quinze dias de reality- show, na maior cobertura midiática de um funeral de que se tem noticia na história da humanidade, o corpo de Michael Jackson que não foi exibido, provavelmente pela dificuldade de se reconstruir um rosto já deformado em vida, foi sumido. Mais tarde milhares de fãs assistiram uma solenidade-show-fúnebre no ginásio da cidade; populares foram agraciados com ingressos sorteados, alguns dos boletos vendidos na internet por até dez mil dólares. Esse é definitivamente um fato novo para os estudiosos dos ritos da morte. No século XXI, paga-se, e caro, para assistir as exéquias de um grande astro.

O fato é  que os funerais do Papa João Paulo II (2005) e de Michael Jackson (2009) são marcos referenciais da convergência tecnológica: os primeiros grandes funerais da história da imprensa com cobertura multimídia. Um privilégio que a princesa Diana não teve, falecida em 1997. Então a  internet ainda engatinhava e os chamados portais de noticias começavam a ser estruturados, na época com uma proposta de serviços, entretenimento e e-commerce.  Funerais de grandes personalidades sempre foram pautados pela mídia que de alguma maneira alimentou a comoção popular, mas nos casos recentes aqui referidos a convergência tecnológica enriqueceu o show. E no caso específico do Rei do Pop fez também a diferença na divulgação da morte. Um site de fofocas deu o furo que a grande mídia repercutiu, mas por zelo demorou a referendar.

Os grandes funerais

Fico a imaginar como teriam sido os funerais de João Pessoa, Getulio Vargas e Carmem Miranda, para citar alguns dos maiores eventos fúnebres da história do Brasil, em tempos de convergência midiática?  Ou então os funerais de Jonh Kennedy que as circunstâncias da morte transformaram também num show? Ou, por que não, os funerais de Tancredo Neves e Ayrton Senna, estes com cobertura em tempo real, através da televisão, então presente em mais de 80% dos lares brasileiros? O assassinato de João pessoa (1930) foi repercutido pelos jornais, através de telegramas, mas foram as revistas semanais ( Revista da Semana, Fon-Fon e O Cruzeiro) que deram a verdadeira dimensão do fato com a divulgação das fotos do cortejo fúnebre.

A morte de Getúlio Vargas (1954) foi um furo do rádio, mas as circunstâncias do suicídio e os desdobramentos políticos valorizaram a mídia impressa, os jornais diários que extrapolaram nas tiragens. A televisão passou batida, então, com menos de cem mil aparelhos em uso e cobertura restrita ao Rio e São Paulo.Já o assassinato de Kennedy foi um fato radiofônico no Brasil, as televisões apenas exibiriam o vídeo do desfile em carro aberto e o tiro fatal, 48 horas após os acontecimentos, através de fitas de vídeo-tape distribuídas pelas agências de noticias via área. Com Tancredo e Ayrton Senna o show foi televisivo, cobertura em tempo real, a televisão pautando os jornais e as revistas.

Tudo isso é passado diante da convergência de tecnologias que abre novas expectativas em torno da divulgação da morte de um grande ídolo. A noticia do falecimento de Michael Jackson, por exemplo, diferente dos outros personagens aqui referidos, não teve uma fonte oficial; esse é também um fato novo. Relevante, mas não tão assustador quanto a perspectiva (hoje real) de no futuro se cobrar ingresso para assistirmos o show da morte.

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Correio da Bahia em 09/07/2009



Michael Jackson: A máscara era de gesso

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Michael Jackson deixou de respirar em 25 de junho, mas já era morto para o show-businness, desde meados da década de 90. Passara mais de quinze anos fora dos palcos e pelo menos oito longe de um estúdio de gravação. Michael Jackson não mais existia como artista. Administrava o seu próprio personagem, a representação da “commedia dell’ arte” veneziana: um molde que deveria lhe dar a feição de uma máscara de porcelana, mas que para sua desventura acabou sendo de gesso. Porcelana é barro cozido e misturado e se desfaz em pedaços inteiros quando quebra; o gesso vai sendo roído e vira pó. O menino da “Terra do Nunca”, tarde demais, descobrira que toda escolha implica em perdas.

Michael Jackson queria e precisava ser artista de novo e nesse desejo imaginou congelar o tempo, como na câmara de oxigênio que um dia o fez sonhar com a eterna juventude. Imaginava viver 150 anos. Preparava-se para retornar aos palcos, mas não mais tinha fôlego para tanto.

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Mike Tyson, outra máscara, ainda respira, fala e anda, mas, como Michael Jackson, já é morto. Já era morto em 1997 quando enfrentou Evander Holyfield e lhe arrancou alguns milímetros de orelha a dentadas, desclassificado por isso e punido, mais uma vez. Retornara aos ringues depois de três anos de prisão, cumprindo pena por estupro, acusado pela modelo Desiree Washington. Tyson voltara aos ringues para ganhar algum dinheiro e pagar os credores. A mesma necessidade de Michel Jackson que, segundo informa a mídia, administrava uma dívida de 500 milhões de dólares; parte dela seria saldada com a turnê londrina de 50 shows agendada para este mês.

Tyson e Jackson foram meninos prodígios revelados para o esporte e o show-businnes  precocemente. O primeiro oriundo do Brooklin, o segundo do Harlem, os dois bairros negros de Nova Iorque. Ambos lidaram com a rejeição, o racismo e a pobreza e já adultos transformaram-se em ídolos populares, remunerados com milhões e milhões de dólares. A imprensa exaltou os seus talentos. Mas também os seus conflitos que valeram ao pugilista alguns anos atrás das grades; ao artista vários processos por pedofilia, um deles resolvido mediante acordo financeiro com desembolso de mais de 20 milhões de dólares; o outro julgado a seu favor após longa exposição negativa na mídia.

Mike Tyson admitiu nos tribunais que usou um pouco de força. Michel Jackson declarou que não via mal nenhum em dormir na cama com garotos, seus convidados no rancho Neverland.  

Thriller

Dizem que quando criança Mike Tyson amava os pombos e teria surrado um garoto com chutes e socos até sangrar por ter arrancado a cabeça da ave. Jackson também amava os pássaros e segundo o “Daily Mirror” papagaios e outras aves voariam no palco na turnê “This is it”, prevista para Londres a partir de 13 de julho próximo. O cantor planejava ainda entrar em cena montado num elefante africano, dentre outras excentricidades, e ainda prometia efeitos especiais de clonagem para simular vários Jacksons pelo palco e de certo modo enriquecer a coreografia que já imaginava seria o ponto fraco a ser explorado pelos críticos. No seu retorno em 1997 Tyson poderia se dar ao luxo de cair no segundo, ou terceiro round que o seu cachê estaria garantido e a sua promessa de volta aos ringues seria cumprida. Mas, Michael Jackson, que estava com dificuldades para entrar em forma física e memorizar as coreografias, diferente de Tyson, não poderia cair no segundo ato. Tinha de levar o show até o fim. No mesmo pique, com a mesma energia. Um compromisso assustador. Como o “Thriller”. Então evocou o trecho da música em que escuta a criatura, por que a hora chegou: “ Você fecha os olhos e espera que seja tudo imaginação”.

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Correio da Bahia em 02 de julho de 2009



O conto de Veríssimo na revista “O Cruzeiro”

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Em 31 de agosto de 1929 a revista O Cruzeiro publicava um conto de um certo Erico Veríssimo, autor emergente gaúcho que estreava na literatura, então, com vinte e cinco anos de idade. Recebeu cem mil reis da editora, o equivalente hoje a mil reais, conforme previa o regulamento do concurso permanente de contos instituído por Malheiro Diaz, diretor da publicação, para atrair o público que apreciava os folhetins dos jornais e buscava o mesmo gênero nas revistas. O conto de Veríssimo foi ilustrado pelo artista Oswaldo Teixeira, membro da Academia de Belas Artes e autor, dentre outras obras, dos retratos em tamanho natural do Presidente Getúlio Vargas e do Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara, hoje expostos no Ministério da Fazenda e Igreja da Candelária (RJ) respectivamente.

Os biógrafos de Erico Veríssimo citam o conto do autor, de título “Ladrão de Gado”, publicado no “O Cruzeiro, como a sua primeira incursão na literatura e até se debruçam sobre o estilo por alguns classificado de regionalista”. Ocorre que esses biógrafos mencionam a publicação do conto na “Revista do Globo” de Porto Alegre, entre 1928 e 1929, há divergências, e nenhum deles cita a publicação em “O Cruzeiro” que a rigor exigia obras originais. Se Veríssimo publicou o mesmo conto, antes, na sua cidade natal, foi no O Cruzeiro que tinha uma circulação mais expressiva e de maior representatividade que de fato o seu nome se projetou.

Entre 400 candidatos


O concurso do O Cruzeiro, enquanto durou, atraiu mais de 400 candidatos, escritores emergentes da capital e dos estados, mas considerando que eram publicados apenas dois contos por edição, pelo menos 300 foram jogados no lixo, ou pelo menos esquecidos. Os interessados deveriam remeter os originais à redação da revista “que funcionará como júri, sendo os autores dignos de publicação, atribuído o prêmio de Rs 100$000 e oferecido um desenho original que o próprio autor escolherá dentre as ilustrações do respectivo conto”.  Os editores da publicação deixavam claro que o critério de julgamento era mais jornalístico do que literário “isto é, contos de acordo com os moldes e índole de O Cruzeiro”.Mas que ilustrações eram essas que os autores recebiam como prêmio adicional? Na verdade, ilustrações de grande qualidade da autoria de quatro professores eméritos da Escola de Belas Artes: Augusto José Marques Junior (que em Paris freqüentou a Académie de la Grande Chaumière.), Carlos Chambelland (decorador do Pavilhão de Festas da Exposição do Primeiro Centenário da Independência do Brasil, em 1922), Henrique Cavalleiro (cujo trabalho foi comparado ao de Kees Van Dongen por críticos franceses) e Oswaldo Teixeira (Diretor do Museu de Belas Artes durante 25 anos) todos com prêmios conquistados em exposições nacionais e mesmo na Europa.
Mas, retomando a história que ensejou este artigo tenho duas dúvidas que repasso aos pesquisadores do Rio Grande do Sul, ou mesmo estudiosos da obra de Veríssimo: Primeira: O conto publicado no O Cruzeiro foi o mesmo publicado da Revista do Globo, ou foi reescrito? Segunda: Há a possibilidade, diante das divergências de data, do conto publicado na revista gaúcha ter sido posterior à da revista dirigida por Malheiro Diaz? Qualquer que seja a resposta não lhe tira o mérito da estréia, apenas esclarece as circunstâncias.

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 22/06/2009 



O Dia do Mídia e a midia da Mãe Joana

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Dia 21 próximo, domingo, os publicitários brasileiros comemoram o Dia do Mídia, data instituída pela Central de Outdoor em 1978, então protagonistas dessa decisão Aroldo Araújo e Carlos Alberto Nanô, o primeiro um profissional de RP, o segundo proprietário da Nanograf. È uma data consagrada ao profissional que planeja e veicula as campanhas criadas pelas agencias de propaganda para seus clientes.

No passado convencionava-se dizer que o profissional da área precisava apenas “fazer a mídia da mãe” que no Brasil significava programar a revista Veja e a Rede Globo e apenas isso. Era exagero, mas refletia facilidades que hoje mais não existem. Se há uma área que requer atualização de conhecimentos todos os dias é justamente a de mídia, diante das opções existentes que, por sua vez, demandam pesquisas e controle para aferição de resultados. 

A mídia da mãe já foi mídia da avó que, então, programava a Radio Nacional, Revista Cruzeiro e a TV Tupi. Hoje a mídia não é mais da avó, nem da mãe, muito menos do compadre. O profissional da área é um técnico que lida com um volume de informação extraordinário. O seu papel é, dentre outras funções que incluem o planejamento de comunicação, avaliar, por exemplo, qual dos veículos mencionados neste artigo é mais adequado para atingir o público alvo do produto, ou serviço do cliente.

Você leitor convive com esses veículos no dia-a-dia, mas tal vez não tenha reparado na abrangência das alternativas de mídia que o mercado oferece. Repare: anuncio, classificado, sobre-capa, cinta e encarte de jornal; anuncio, sobrecapa, encarte e funzines de revista; comercial, vinheta, patrocínio, insigth e merchandising de TV; comercial, patrocínio, e merchandising de rádio; banner, pop-ups, pod-cast, viral, links patrocinados e videonet na internet; cinema; lista telefônica; guias; outdoor; back-ligth; front-ligth; totem; abrigo de árvores; envelopamento, painel dinâmico e entrevias de metrô; trens; táxidoor; bike-door; motomídia… 

 Esteiras de bagagens, adesivos de chão, painéis de embarque, estacionamentos, carrinho de bagagem, aerovídeo e mega-paineis de aeroporto; estação rodoviária, outbus; backbus; videobus; abrigos de ônibus; sanitários eletrônicos; relógios digitais; telefone celular; Iphone; faixa de rua; carro de som; vídeo-van; lixeiras; móbile-truck; sinalização de rua; empenas; barreiras de pedestre; indoor em banheiros; balões; zepellin; faixa de avião; poltrona de avião; sky mídia; vela de jangada; trio elétrico; display; bandeirolas; cartaz de PDV; folhinha; calendário de mesa; triface; pedágio; placas de poste; pipas; bancos de praça; gôndola, adesivos de chão, display, carrinho de compras e vídeo-checking em super-mercados; painéis de estrada; camiseta; boné; canetas; display de restaurante; porta de elevador; interior de elevador (elomídia); fachada de shopping; carrinho de bebê em shopping; pedágio; palanque; caixa de fósforos; caixa de pizza… 

Estandes; advergame; outernet; audiotrans; banca de jornal; cabine telefônica; coletor de papel;cartão telefônico;cartaz rebocado por barcos; placas de estádio; raio laser; guarita salvavidas; mochila; videotronicks; rampa para deficientes físicos… e mais uma centena de opções de mídia impossíveis de ser relacionadas no espaço desta coluna.  

Inclusive papel higiênico que por incrível que pareça já é mídia. Fiquei sabendo disso, por acaso, lendo o Advertising Age, newsletter especializado em propaganda e marketing. Uma empresa americana explora esse filão que atrai empresas interessadas em estampar mensagem e a marca no produto. Tem gosto e motivação para tudo. Neste caso não é mais a mídia da mãe, mas a mídia da mãe Joana.

Texto de minha autoria publicado originalmente no Correio da Bahia, edição de 17/06. Ilustrado por anuncio da Rede Globo do ano passado



Dia dos Namorados: Antonio’s Day

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O Brasil comemora hoje o Dia dos Namorados, único país do mundo a festejar a data na véspera da efeméride da morte do santo casamenteiro que nasceu Fernando em Lisboa e morreu Antônio em Pádua com a áurea de santo concedida pelo Papa Gregório IX, apenas, um ano após o seu falecimento.

Tornou-se uma referência de namoro por ter interferido e driblado a lei portuguesa que impedia o casamento entre pobres e ricos. Atitude semelhante a do bispo católico Valentim que na Roma antiga desobedecera a ordem imperial que proibia os homens de contraírem núpcias (para que se alistassem como voluntários no exercito) promovendo casamentos clandestinos na calada da noite. Foi preso e executado por isso em 14 de fevereiro, data em que se comemora o Dia dos Namorados no resto do mundo. Nos Estados Unidos a data é denominada de “Valentine’s Day”.

No Brasil o Dia dos Namorados começou a ser celebrado em junho de 1949 por iniciativa do baiano João Dória e do piauiense Ribamar Castelo Branco que para estimularem as vendas das lojas Exposição - Clipper de São Paulo, magazine de moda e eletrodomésticos, pioneiro do sistema de crediário no país, promoveram uma grande ação promocional de impacto. A campanha publicitária, então criada pela Standard Propaganda, falava em “não é só de beijos que se prova o amor” e incluía os relacionamentos estáveis: “casados, eternos namorados”.

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Castelo Branco tinha colhido elementos da celebração comercial da data nos Estados Unidos, numa viagem de duas semanas, onde se fez acompanhar do ilustrador Fritz Lesser que tudo registrou em leiautes que destacavam a decoração dos pontos de venda e suas vitrines.

Mas, por que os publicitários aqui mencionados não adotaram 14 de fevereiro como data para celebração do Dia dos Namorados, como nos Estados Unidos? Tenho um palpite: a coincidência com as festas de Momo já que 14/02/49 foi a segunda feira de carnaval e nesse caso uma promoção do varejo, com o comércio de portas fechadas, não teria nenhum efeito. Isto com certeza absoluta contribuiu para a escolha inusitada.

Mas é outra a versão de um dos protagonistas desta história, Ribamar Castelo Branco, em depoimento à Associação Paulista de Propaganda-APP em 1973. Registrando a sua vida profissional comenta: “Cometi depois um grande equívoco. Foi a escolha do Dia dos Namorados que nos Estados Unidos é clamado de Valentine Day e que se comemora em fevereiro. Aqui nos cometemos o equívoco e de certa forma sou responsável por ele. Quis fazer folclore e achei que como 12 de junho era véspera do dia de Santo Antônio, santo casamenteiro, institui esse dia como Dia dos Namorados.”

Prossegue lamentando a escolha: “Acho que foi um erro porque fixei a data e ela deveria ser, também, num domingo, como Mães e Pais, dia mais fácil para que os namorados se encontrem e não só os namorados, mas casais casados que poderão passar a data

em família. Inclusive o Dória criara um slogan muito do meu agrado”. Motivações aparte, o fato é que Castelo Branco e Dória eram nordestinos, conheciam as tradições juninas, tinham no sangue a fogueira e o casamento na roça. Apostaram no cravo e na pimenteira e a simpatia deu certo: a data, comercialmente, vingou!