Hora do Reclame: O Fiat 147 que subia escadas
A Fiat foi a última das grandes montadoras a se instalar no Brasil, em 1976, mais de meio século após a GM e a Ford e 25 anos após a inauguração da fábrica da Volkswagen, marca que então detinha a liderança de mercado, favorecida pela praticidade do Fusca, conceito bem explorado pela Almap, que seguia a cartilha da DDB e que, para comprovar a receptividade do consumidor, afirmava: “Um de cada dois carros que rodam no Brasil é Volkswagen”. Foi uma das campanhas mais bem-sucedidas da marca. Hoje, depois de três décadas, o último a chegar é o primeiro em vendas, liderança conquistada pela Fiat já neste século.
Quando a Fiat aportou no Brasil, renovara a sua logomarca havia pouco tempo. Antes, restrita a um círculo vermelho-amarelo, agora destacava as letras em quatro cubos iguais, inclinação de 18 graus, em fundo preto. Veio para lançar o modelo 147, versão adaptada do 127 italiano, escolhido como carro-chefe pela sua característica de veículo econômico, argumento de vendas explorado pela MPM, tudo que o consumidor queria ouvir em tempos de crise do petróleo. Primeiro, a agência posicionou a marca, numa campanha institucional com discurso de geração de empregos, que então soava como poesia aos generais de Brasília, para mais tarde apresentar, de fato, o carro.
365 degraus da igreja
Performances extraordinárias alimentaram essa etapa da campanha, resgatando, assim, o espírito aventureiro de Giovanni Agnelli na Grande Exposição de Milão (1904), onde fez comparecer o seu Fiat, após rodar toda a Itália com muita publicidade e assim provar o seu desempenho. Numa estratégia de marketing semelhante, a MPM registrou a performance do 147 descendo os 365 degraus das escadarias da igreja da Penha e também percorrendo em 12 minutos, perante grande platéia, os
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Artigo de minha autoria originalmente publicado na Revista Propaganda em abril de 2006.




















