O “seqüestro” de Pelé
Em agosto de 1969 a Frente de Libertação Nacional, movimento guerrilheiro atuante na Colômbia e Venezuela, planejou o seqüestro do Rei do futebol, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, um episódio ainda hoje pouco divulgado e praticamente ausente nas biografias e filmes sobre o jogador. Segundo os planos da guerrilha o jogador brasileiro seria tomado como refém para chamar a atenção do mundo, antes do jogo entre a Venezuela e o Brasil, a ser realizado em Caracas.
O “seqüestro” do Rei era apenas um boato, mas mobilizou toda a polícia venezuelana, em função dos incidentes ocorridos anteriormente nesse país quando a FLN sequestrara o campeão mundial de Fórmula 1 Juan Manuel Fangio e o craque argentino do Real Madrid Alfredo Di Stefano. Pelé desembarcou em Caracas sob um forte esquema de segurança que incluía 18 homens da polícia de elite (todos faixa-preta de caratê e campeões de tiro), cuja função era exercer uma forte marcação em torno do Rei, “zagueiros” escalados, segundo brincou a imprensa da época. A comitiva seguiu um roteiro alternativo e adentrou pela porta dos fundos do Hotel Ávila onde Pelé teria a sua disposição a suíte 120, enquanto a 119 e 121 seriam ocupadas por prepostos do exercito.
A revista Manchete (capa com Ted Kennedy) assim descreveu a operação: “Cinco horas ainda faltavam para a aterrissagem do avião em que viajava a seleção brasileira e, no hotel, os policias revistavam minuciosamente os aposentos em que ficaria Pelé. As fechaduras foram testadas, os interruptores, as torneiras, as descargas da privada, os móveis, as janelas e portas, os lustres e o ar condicionado foram examinados. Nenhuma bomba foi encontrada… Um dos inspetores, com sua turma, examinava os botijões de água que seriam utilizados pelo hotel a cada dia”.
Marcação contra a guerrilha
A reportagem de Ney Bianchi descreve o espanto do jogador com o exagero da segurança: “Quando viu os guarda-costas ficou preocupado. Quase não dormiu na primeira noite, ouvindo os homens caminharem em frente a sua porta durante horas e horas… Se Pelé se movia, o esquema completo se movimentava… Se resolvia sair para fazer compras, era acompanhado de perto por três homens, enquanto as viaturas de polícia seguiam-no a alguns metros de distância”. E prossegue: “Depois ele se acostumou e ficou amigo daqueles que zelavam tanto por sua segurança. O inspetor Fornerino tornou-se fã do Rei: Já demos proteção a muita gente importante. Fomos treinados especialmente para isso”.O mistério em torno desse episódio é que as outras revistas semanais sequer mencionam o esquema de segurança e a apreensão do Rei, o que sugere que a reportagem da Manchete tenha sido uma matéria sensacionalista. A revista Veja, por exemplo, entrevistou Tostão nas suas páginas amarelas e em nenhum momento mencionou o boato do suposto “seqüestro”.
Se foi uma reportagem sensacionalista, conforme a hipótese aqui levantada, em todo caso Manchete soube fazer: ilustrou a matéria com fotos que mostram um Pelé circunspecto cercado de meia dúzia de seguranças, e por três policiais com metralhadora na mão, num outro flagrante fotográfico (além dos detalhes na descrição do esquema). Segurança ostensiva produzida por Jader Neves, fotografo da revista, para validar o texto? Ou realidade, mesmo, que o resto da mídia preferiu escamotear?
Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 18/01/2010.



5 de Fevereiro de 2010 às 15:18
Olá Nelson, boa tarde!
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Comunicação Dirigida
25 de Fevereiro de 2010 às 07:30
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