200 Anos de Imprensa no Brasil:A despedida de Hipólito da Costa

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Hipólito da Costa não se despediu de seus leitores, apenas justificou na edição de dezembro de 1.822, 14 anos após iniciada a publicação do Correio Braziliense, até aquele momento sem solução de continuidade, uma pausa, que o texto induzia o leitor a acreditar seria provisória. O jornalista em nenhum momento afirmou que interromperia a publicação, disse somente que a periodicidade não seria a mesma, mas de alguma forma denunciava a sua intenção de não mais circular quando justificava as dificuldades de distribuição por conta do transporte marítimo, supostamente irregular quanto à pontualidade. Ou seja, o que nunca foi motivo para impedir a circulação do Correio Braziliense, mesmo com as restrições impostas no Brasil, agora o era, num contexto de liberdade mais favorável? A meu ver o jornalista, nas entrelinhas denunciava, com essa desculpa nada coerente, o seu propósito de interromper de fato a publicação. Eis o texto:

“… Deixará pois o Correio Braziliense de imprimir-se mensalmente; e só sim todas as vezes, que se oferecer matéria, sobre que julguemos deve dar a nossa opinião, a bem de nossa pátria; e houver ocasião oportuna de fazer as remessas, que pela incerteza das saídas dos paquetes e navios, inutilizam a pontualidade da publicação mensal de um periódico, cujo escopo é unicamente o Brasil; e aonde não pode chegar com regularidade de tempo”.

Já que Hipólito da Costa não registrou a sua verdadeira intenção, nem há evidências documentadas em torno disso, tudo que se diga sobre o fato é mera especulação. Os motivos seriam alguns aludidos no referido editorial: acontecimentos recentes no Brasil (ou seja, a Independência) e a concorrência de muitas gazetas, o que tornaria o seu trabalho menos necessário. Mas certamente outros fatores contribuíram: a sua nomeação em outubro para um cargo de representação diplomática do novo Governo em Londres; poderia se especular, ainda, outras causas como a falta de recursos ou quem sabe problemas de saúde, já que veio falecer sete meses depois e estes sete meses constituem uma lacuna que nenhum de seus biógrafos conseguiu preencher.

A retirada de Hipólíto da Costa da lide jornalística não foi impensada. Planejou cuidadosamente a data, ainda que nas edições anteriores não haja nenhum indício de cansaço, fadiga, ou intenção de parar de escrever. Prova disso é que fez coincidir a derradeira publicação do Correio com o vencimento das assinaturas semestrais. Cumpriu assim os seus compromissos e se não declarou que a sua despedida era definitiva é porque deixava uma porta aberta. Para se prevenir, talvez, caso as demarques em torno do cargo diplomático que lhe fora oferecido não terem o encaminhamento esperado?

A foto ilustra o túmulo de Hipólito do lado externo da igreja de St Mary, em Hurley, reprodução de Carlos Rizzini em 1945.

2 Respostas para “200 Anos de Imprensa no Brasil:A despedida de Hipólito da Costa”

  1. Luís Francisco Munaro disse:

    Há uma confluência dos fatores aludidos, a se ressaltar também: a reordenação radical da política luso-brasileira, com a ruptura entre colônia e metrópole e a abolição da censura no Brasil, que tornou possível uma grande quantidade de novas publicações, com novidades mais frescas do Brasil. O jornal de Hipólito, cujo propósito editorial era ilustrar uma “nação longínqua e sossegada”, via-se assim sem uma razão clara de continuidade, já que seu tempo de lag durava por volta de 3 meses.

  2. Aline disse:

    muito bom este texto ! ! !
    bem explicativo

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