Afro-descendente não é target da propaganda de cervejas. Por que ?
Afro-descendentes bebem cerveja? Eu achava que sim. Vejo-os na praia e nos bares, em restaurantes e no carnaval baiano, quando um milhão de pessoas vão às ruas dançar atrás do Trio Elétrico. Mas, para as indústrias de bebidas o afro-descendente não é “target”, não é publico alvo, a julgar pelos comerciais que estão no ar. O blog acompanhou nas últimas quatro semanas as campanhas da Kaiser, Sol, Antarctica, Schincariol e Skol com olhos voltados para essa questão e o resultado é preocupante. Vejamos: A Kaiser estreou campanha com pelo menos duas dezenas de modelos, todas arianas, uma ou outra morena clara; a ação se pasa dentro de uma fábrica. A Skol por sua vez veiculou no período três comerciais, o do “Bode” na sala e mais “Latas” e “Gelo” que começaram a ser veiculados por estes dias. Não há em nenhum deles modelos afros. O conceito de grupo de amigos pelo visto é restrito a uma etnia. A Antarctica, por sua vez, veiculou dois filmes, no primeiro um grupo de frequentadores do bar corre atrás da última cerveja, apenas um afro-descendente, num contexto de pelo menos 20 atores. No novo filme “Moderação”, a proporção é a mesma. Já a cerveja Sol desde a campanha do “Desce, Redondo” onde aparece apenas uma modelo de cor, trabalha também com um casting de modelos claros. Repare você também nos comerciais da Schincariol. Mesmo no filme das festas de São João, cujo público alvo era o nordestino, aparecia apenas um negro. Em primeiro plano é verdade, mas apenas um, entre dezenas de figurantes. O balanço sugere : racismo de parte das cervejarias, preconceito, ou o negro não é mesmo público alvo, o que é dificil de admitir.
Modelos afro-descendentes são hoje lugar comum na propaganda de serviços públicos, supermercados, empresas de telefonia celular e tudo que diz respeito à consumo de massa. Cerveja não é por acaso um produto de massa? consumido em todas as classe sociais, por todas as tribos, em todos os ghetos. Então, como se justifica a omissão de negros no “casting” da propaganda do produto? Alguma coisa está errada e eu não consigo, ou não quero entender.


19 de Setembro de 2007 às 12:07
Rapaz… é tão complicada esta questão. As pessoas ficam com medo de falar para não parecerem preconceituosas. Veja, o Mussum era um dos personagens mais engraçados dos Trapalhões, tomava cachaça e nos fazia rir. Mas há quem critique o fato dele ter sido um personagem pinguço porque era negro, segundo falam os críticos, queriam passar a idéia de que o negro que era o cachaceiro. Eu não acho que era por aí, o Mussum era sambista, desses de rodas de samba em botecos, tinha mais que beber mesmo.
Talvez por isso não utilizem negros nos comerciais. Por receio. Será?
Grande abraço! Sensacional o blog. Feed Assinado.
25 de Julho de 2008 às 12:46
Acho que não precisa evitar que os afro apareçam….acho que eles pensam que se os comerciais de cerveja fossem com negros, quem não é negro não beberia.
7 de Novembro de 2008 às 08:29
Acessem este trabalho feto por Lise Maria Arruda e entendam os motivos.
Abraços.
Nilo
www.alb.com.br/anais16/sem05pdf/sm05ss02_08.pdf
11 de Setembro de 2009 às 14:15
ñ é nada disso é mentira
11 de Setembro de 2009 às 14:17
é só vc entrar no sita
www.alb.com.br/anais16/sem05pdf/sm05ss02_08.pdf