Posts por Junho, 2009

O conto de Veríssimo na revista “O Cruzeiro”

26 dAmerica/Chicago Junho dAmerica/Chicago 2009

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Em 31 de agosto de 1929 a revista O Cruzeiro publicava um conto de um certo Erico Veríssimo, autor emergente gaúcho que estreava na literatura, então, com vinte e cinco anos de idade. Recebeu cem mil reis da editora, o equivalente hoje a mil reais, conforme previa o regulamento do concurso permanente de contos instituído por Malheiro Diaz, diretor da publicação, para atrair o público que apreciava os folhetins dos jornais e buscava o mesmo gênero nas revistas. O conto de Veríssimo foi ilustrado pelo artista Oswaldo Teixeira, membro da Academia de Belas Artes e autor, dentre outras obras, dos retratos em tamanho natural do Presidente Getúlio Vargas e do Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara, hoje expostos no Ministério da Fazenda e Igreja da Candelária (RJ) respectivamente.

Os biógrafos de Erico Veríssimo citam o conto do autor, de título “Ladrão de Gado”, publicado no “O Cruzeiro, como a sua primeira incursão na literatura e até se debruçam sobre o estilo por alguns classificado de regionalista”. Ocorre que esses biógrafos mencionam a publicação do conto na “Revista do Globo” de Porto Alegre, entre 1928 e 1929, há divergências, e nenhum deles cita a publicação em “O Cruzeiro” que a rigor exigia obras originais. Se Veríssimo publicou o mesmo conto, antes, na sua cidade natal, foi no O Cruzeiro que tinha uma circulação mais expressiva e de maior representatividade que de fato o seu nome se projetou.

Entre 400 candidatos


O concurso do O Cruzeiro, enquanto durou, atraiu mais de 400 candidatos, escritores emergentes da capital e dos estados, mas considerando que eram publicados apenas dois contos por edição, pelo menos 300 foram jogados no lixo, ou pelo menos esquecidos. Os interessados deveriam remeter os originais à redação da revista “que funcionará como júri, sendo os autores dignos de publicação, atribuído o prêmio de Rs 100$000 e oferecido um desenho original que o próprio autor escolherá dentre as ilustrações do respectivo conto”.  Os editores da publicação deixavam claro que o critério de julgamento era mais jornalístico do que literário “isto é, contos de acordo com os moldes e índole de O Cruzeiro”.Mas que ilustrações eram essas que os autores recebiam como prêmio adicional? Na verdade, ilustrações de grande qualidade da autoria de quatro professores eméritos da Escola de Belas Artes: Augusto José Marques Junior (que em Paris freqüentou a Académie de la Grande Chaumière.), Carlos Chambelland (decorador do Pavilhão de Festas da Exposição do Primeiro Centenário da Independência do Brasil, em 1922), Henrique Cavalleiro (cujo trabalho foi comparado ao de Kees Van Dongen por críticos franceses) e Oswaldo Teixeira (Diretor do Museu de Belas Artes durante 25 anos) todos com prêmios conquistados em exposições nacionais e mesmo na Europa.
Mas, retomando a história que ensejou este artigo tenho duas dúvidas que repasso aos pesquisadores do Rio Grande do Sul, ou mesmo estudiosos da obra de Veríssimo: Primeira: O conto publicado no O Cruzeiro foi o mesmo publicado da Revista do Globo, ou foi reescrito? Segunda: Há a possibilidade, diante das divergências de data, do conto publicado na revista gaúcha ter sido posterior à da revista dirigida por Malheiro Diaz? Qualquer que seja a resposta não lhe tira o mérito da estréia, apenas esclarece as circunstâncias.

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 22/06/2009 

O Dia do Mídia e a midia da Mãe Joana

19 dAmerica/Chicago Junho dAmerica/Chicago 2009

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Dia 21 próximo, domingo, os publicitários brasileiros comemoram o Dia do Mídia, data instituída pela Central de Outdoor em 1978, então protagonistas dessa decisão Aroldo Araújo e Carlos Alberto Nanô, o primeiro um profissional de RP, o segundo proprietário da Nanograf. È uma data consagrada ao profissional que planeja e veicula as campanhas criadas pelas agencias de propaganda para seus clientes.

No passado convencionava-se dizer que o profissional da área precisava apenas “fazer a mídia da mãe” que no Brasil significava programar a revista Veja e a Rede Globo e apenas isso. Era exagero, mas refletia facilidades que hoje mais não existem. Se há uma área que requer atualização de conhecimentos todos os dias é justamente a de mídia, diante das opções existentes que, por sua vez, demandam pesquisas e controle para aferição de resultados. 

A mídia da mãe já foi mídia da avó que, então, programava a Radio Nacional, Revista Cruzeiro e a TV Tupi. Hoje a mídia não é mais da avó, nem da mãe, muito menos do compadre. O profissional da área é um técnico que lida com um volume de informação extraordinário. O seu papel é, dentre outras funções que incluem o planejamento de comunicação, avaliar, por exemplo, qual dos veículos mencionados neste artigo é mais adequado para atingir o público alvo do produto, ou serviço do cliente.

Você leitor convive com esses veículos no dia-a-dia, mas tal vez não tenha reparado na abrangência das alternativas de mídia que o mercado oferece. Repare: anuncio, classificado, sobre-capa, cinta e encarte de jornal; anuncio, sobrecapa, encarte e funzines de revista; comercial, vinheta, patrocínio, insigth e merchandising de TV; comercial, patrocínio, e merchandising de rádio; banner, pop-ups, pod-cast, viral, links patrocinados e videonet na internet; cinema; lista telefônica; guias; outdoor; back-ligth; front-ligth; totem; abrigo de árvores; envelopamento, painel dinâmico e entrevias de metrô; trens; táxidoor; bike-door; motomídia… 

 Esteiras de bagagens, adesivos de chão, painéis de embarque, estacionamentos, carrinho de bagagem, aerovídeo e mega-paineis de aeroporto; estação rodoviária, outbus; backbus; videobus; abrigos de ônibus; sanitários eletrônicos; relógios digitais; telefone celular; Iphone; faixa de rua; carro de som; vídeo-van; lixeiras; móbile-truck; sinalização de rua; empenas; barreiras de pedestre; indoor em banheiros; balões; zepellin; faixa de avião; poltrona de avião; sky mídia; vela de jangada; trio elétrico; display; bandeirolas; cartaz de PDV; folhinha; calendário de mesa; triface; pedágio; placas de poste; pipas; bancos de praça; gôndola, adesivos de chão, display, carrinho de compras e vídeo-checking em super-mercados; painéis de estrada; camiseta; boné; canetas; display de restaurante; porta de elevador; interior de elevador (elomídia); fachada de shopping; carrinho de bebê em shopping; pedágio; palanque; caixa de fósforos; caixa de pizza… 

Estandes; advergame; outernet; audiotrans; banca de jornal; cabine telefônica; coletor de papel;cartão telefônico;cartaz rebocado por barcos; placas de estádio; raio laser; guarita salvavidas; mochila; videotronicks; rampa para deficientes físicos… e mais uma centena de opções de mídia impossíveis de ser relacionadas no espaço desta coluna.  

Inclusive papel higiênico que por incrível que pareça já é mídia. Fiquei sabendo disso, por acaso, lendo o Advertising Age, newsletter especializado em propaganda e marketing. Uma empresa americana explora esse filão que atrai empresas interessadas em estampar mensagem e a marca no produto. Tem gosto e motivação para tudo. Neste caso não é mais a mídia da mãe, mas a mídia da mãe Joana.

Texto de minha autoria publicado originalmente no Correio da Bahia, edição de 17/06. Ilustrado por anuncio da Rede Globo do ano passado

Dia dos Namorados: Antonio’s Day

12 dAmerica/Chicago Junho dAmerica/Chicago 2009

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O Brasil comemora hoje o Dia dos Namorados, único país do mundo a festejar a data na véspera da efeméride da morte do santo casamenteiro que nasceu Fernando em Lisboa e morreu Antônio em Pádua com a áurea de santo concedida pelo Papa Gregório IX, apenas, um ano após o seu falecimento.

Tornou-se uma referência de namoro por ter interferido e driblado a lei portuguesa que impedia o casamento entre pobres e ricos. Atitude semelhante a do bispo católico Valentim que na Roma antiga desobedecera a ordem imperial que proibia os homens de contraírem núpcias (para que se alistassem como voluntários no exercito) promovendo casamentos clandestinos na calada da noite. Foi preso e executado por isso em 14 de fevereiro, data em que se comemora o Dia dos Namorados no resto do mundo. Nos Estados Unidos a data é denominada de “Valentine’s Day”.

No Brasil o Dia dos Namorados começou a ser celebrado em junho de 1949 por iniciativa do baiano João Dória e do piauiense Ribamar Castelo Branco que para estimularem as vendas das lojas Exposição - Clipper de São Paulo, magazine de moda e eletrodomésticos, pioneiro do sistema de crediário no país, promoveram uma grande ação promocional de impacto. A campanha publicitária, então criada pela Standard Propaganda, falava em “não é só de beijos que se prova o amor” e incluía os relacionamentos estáveis: “casados, eternos namorados”.

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Castelo Branco tinha colhido elementos da celebração comercial da data nos Estados Unidos, numa viagem de duas semanas, onde se fez acompanhar do ilustrador Fritz Lesser que tudo registrou em leiautes que destacavam a decoração dos pontos de venda e suas vitrines.

Mas, por que os publicitários aqui mencionados não adotaram 14 de fevereiro como data para celebração do Dia dos Namorados, como nos Estados Unidos? Tenho um palpite: a coincidência com as festas de Momo já que 14/02/49 foi a segunda feira de carnaval e nesse caso uma promoção do varejo, com o comércio de portas fechadas, não teria nenhum efeito. Isto com certeza absoluta contribuiu para a escolha inusitada.

Mas é outra a versão de um dos protagonistas desta história, Ribamar Castelo Branco, em depoimento à Associação Paulista de Propaganda-APP em 1973. Registrando a sua vida profissional comenta: “Cometi depois um grande equívoco. Foi a escolha do Dia dos Namorados que nos Estados Unidos é clamado de Valentine Day e que se comemora em fevereiro. Aqui nos cometemos o equívoco e de certa forma sou responsável por ele. Quis fazer folclore e achei que como 12 de junho era véspera do dia de Santo Antônio, santo casamenteiro, institui esse dia como Dia dos Namorados.”

Prossegue lamentando a escolha: “Acho que foi um erro porque fixei a data e ela deveria ser, também, num domingo, como Mães e Pais, dia mais fácil para que os namorados se encontrem e não só os namorados, mas casais casados que poderão passar a data

em família. Inclusive o Dória criara um slogan muito do meu agrado”. Motivações aparte, o fato é que Castelo Branco e Dória eram nordestinos, conheciam as tradições juninas, tinham no sangue a fogueira e o casamento na roça. Apostaram no cravo e na pimenteira e a simpatia deu certo: a data, comercialmente, vingou!