Posts por Maio, 2009

Receita de sedução por Marilyn Monroe

28 dAmerica/Chicago Maio dAmerica/Chicago 2009

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Não sei se a receita ainda tem prazo de validade, mas suponho que sim tendo em vista a sua autoria: nada menos do que a jovem Marilyn Monroe, atriz emergente (mas já badalada) que recém tingira o cabelo de loiro e já despontava como um mito sexual hollywoodiano, naqueles idos, com dois casamentos e dois divórcios no seu currículo. A atriz concedeu na época uma entrevista sobre a arte de seduzir, a sua receita particular, cujo teor teve repercussão no mundo inteiro, entre as mulheres. No Brasil publicada com exclusividade pela revista “Querida” da Rio Gráfica Editora que tinha como diretor o jornalista Roberto Marinho e como secretária (e editora assistente) Maria Stela Bruce.

Publicação voltada exclusivamente para o público feminino, 68 páginas, e conteúdo, na sua maioria, fornecido pelas agências de noticias, com escasso noticiário local.Na edição de junho de 1954 a revista “Querida” destacou a entrevista da “loira” que fazia a cabeça da mídia americana, concedida a Lydia Lane, ex-miss, autoridade em assuntos de beleza feminina nos Estados Unidos. Marilyn não deixou nenhuma pergunta sem resposta e com o seu jeito meigo e ao mesmo tempo provocador traçou o caminho das pedras para a conquista de um homem. E não mediu as palavras: “A mulher que deseja ser atraente deve procurar ser bela, mas sem descuidar-se do espírito. É preciso sentir-se desejável e atraente para poder atrair. Não pode seduzir a mulher que, embora inconscientemente, estiver travando no seu íntimo a batalha dos sexos”.

O que os olhos prometem


Prossegue: “Toda moça pode e deve preocupar-se com o que vai vestir. Mas sempre que estiver em companhia de um homem, esqueça-se do tempo que gastou para vestir-se, e não fique nervosa, preocupada com a impressão que está causando”. Mais adiante defende uma postura natural: “Sempre que uma moça finge ser alguém que de fato não é, está demonstrando que é vítima de um complexo de inferioridade. Seja natural e os homens hão de achá-la atraente”.  Então fala de maquilagem: “O homem não gosta de olhar para uma mulher e ver a maquilagem. Se esta for discreta ele notara apenas o efeito e ficará encantado com ele”.Então detalha as suas preferências: “Acho que a maquilagem mais importante é a dos olhos. O que importa não é o que a boca diz, mas o que olhos prometem. As mulheres européias sabem disso e dão grande importância à maquilagem dos olhos. Basta um leve toque de óleo nas pálpebras para que os olhos brilhem mais e as pálpebras cintilem convidativamente”. Na mesma entrevista Marilyn Monroe discorreu sobre perfumes: “Tenho meu perfume predileto, mas gosto de variar também. Raramente uso perfume na roupa. Quando me visto aplico-o com o pulverizador nos tornozelos, atrás dos joelhos e em todo o corpo, até as sobrancelhas, de modo que a fragrância faça parte de minha pessoa”.

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Vestia gotas de Chanel

A propósito de perfumes, alguns anos depois dessa entrevista a atriz, provocada pela imprensa que insistia em saber com que roupa ela deitava, afirmava com todas as letras que para dormir “vestia” apenas algumas gotas de Chanel nº 5. Gotas que, então, fizeram a imaginação da mídia e contribuíram para alimentar o mito, então em construção, da mulher mais sedutora do mundo. Marilyn Monroe voltaria a ser o assunto principal da revista “Querida” em mais de uma ocasião, em reportagens adquiridas com exclusividade para o Brasil pela publicação. Numa delas, ilustrada com foto da loira vestindo espartilho com o título “O sex-appeal à volta do mundo” deitou o rolou e ainda discorreu sobre o amor: “Amor? Jamais pensei nisso!” respondeu, surpreendendo os seus interlocutores. 

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 25/05/2009

A CPI da Petrobrás. Meio século após a CPI das petrolíferas

24 dAmerica/Chicago Maio dAmerica/Chicago 2009

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As voltas que o mundo dá! Há meio século o Congresso Nacional investigava duas multinacionais do petróleo: Standard Oil (Esso) e Shell, a relação poder econômico x mídia, contra a Petrobrás. Hoje, transcorridos 52 anos da histórica CPI, é a Petrobrás que vai ser esmiuçada nas suas ações institucionais. Nas próximas semanas o Senado irá se debruçar sobre convênios, patrocínios, verbas de publicidade, ou seja, as mesmas relações poder econômico x mídia que no passado, num outro contexto, deflagraram a referida investigação. Prato cheio para a imprensa lamber os beiços se entrar nos detalhes da aplicação das verbas de publicidade, o maior orçamento do governo federal, 250 milhões de reais ano, e mais outros valores de convênios, patrocínios, apoio cultural, investimentos no marketing social e ambiental. Estamos falando da instituição com maior volume de recursos alocados nessa área. Que deve se retrair, enquanto o noticiário exibir as suas entranhas, abrindo espaço para os gestores de crise e profissionais de relações públicas das empresas de comunicação empresarial que trabalham com a estatal.

Noticiário amigo

A CPI de 1957 investigou e provou a relação das multinacionais do petróleo americana contra os interesses da Petrobrás. Esso e Shell, então, bonificavam a imprensa “amiga” com generosas verbas de publicidade em troca de um noticiário contrário à campanha “O Petróleo É Nosso” que em 1953 resultou na criação da estatal com o monopólio da extração do produto, tudo que os “yankees”,expressão cunhada pela esquerda latino-americana, queriam evitar. Por outro lado boicotavam os veículos favoráveis à campanha nacionalista. Manobra orquestrada pelas agências de propaganda McCan-Erickson e J.W. Thompson que detinham as maiores contas de publicidade do país e condicionavam os seus planos de mídia aos interesses de Estado. Deles, os americanos.

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A Esso tentou provar que foi imparcial no processo, já que nunca tratou do assunto no seu noticiário radiofônico. O Congresso entendeu diferente: se nunca noticiou é porque escondeu os fatos, afinal era um assunto relevante. O Repórter Esso não falava da campanha “O Petróleo é Nosso”, mas em compensação tratava de outras injunções de multinacionais petrolíferas em outros paises, a Venezuela, por exemplo, desqualificando todas as iniciativas nacionalistas. A estratégia da Esso abrangia uma eficiente ação de RP junto à mídia brasileira; uma das conseqüências e benefícios dessa política foi a criação em 1955 do Prêmio Esso de Reportagem, que vêm a ser o nosso Pulitzer.

No fio do bigode

O fato é que a referida CPI chegou a resultados surpreendentes (ainda que sem conseqüências já que tratava de fatos passados) por conta de uma atitude dos homens daquele tempo que fiavam a sua palavra no fio do bigode. Gente de caráter, incapaz de mentir para o Congresso Nacional, com escrúpulos junto a sua família e relação de amizades. Gente que assumiam os seus erros e as suas conseqüências. O Parlamento assistiu Armando de Moraes Sarmento, um dos maiores publicitários brasileiros de todos os tempos, nome de projeção internacional, confessar as manobras da McCann-Erickson a serviço de seu cliente a Standard Oil (Esso) que por “coincidência” também estava sendo investigado pelo mesmo motivo nos Estados Unidos. Sarmento, constrangido, exibiu as vísceras da empresa que representava e, justiça seja feito à McCann, não perdeu o emprego por isso.

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Correio da Bahia de 21/05/2009

Brasil/França: Jean Manzon

13 dAmerica/Chicago Maio dAmerica/Chicago 2009

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Entre as influências da França para a imprensa brasileira há de se destacar o papel de Jean Manzon, o fotógrafo francês que chegou ao Brasil em 1940. Por um acaso da sorte, usando o Rio de Janeiro como rota de fuga. Ele estava isolado em Londres, onde cobria a guerra para o Paris-Soir, sem outra alternativa de locomoção, diante da ocupação de seu país pelos nazistas. Manzon tinha apenas 25 anos de idade, mas alguma experiência e um pendor excepcional para a foto-reportagem.

Iniciara a sua trajetória, ainda adolescente, como repórter e mais tarde fotógrafo do vespertino L’Intransigeant, segundo as pesquisas da professora Heloiuse Costa. Trabalhara também nas revistas Vu, Match, mas foi no Paris-Soir que consolidou a sua carreira, primeiro na cobertura da guerra civil espanhola, logo em seguida: a Segunda Guerra Mundial.No Rio de Janeiro, Manzon foi absorvido pelo serviço público. As suas credenciais e uma carta de recomendação lhe valeram a função de responsável pelo setor de áudio-visual do Departamento de Imprensa e Propaganda-DIP, então presidido por Lourival Fontes.

Mas foi na revista “Sombra” que revelou o seu diferencial em relação aos fotógrafos brasileiros, com “closes” surpreendentes, senso de oportunidade e um enquadramento de câmera semelhante ao dos fotógrafos da revista Life que fazia grande sucesso entre nós. Com esses talentos fazia questão de assinar as suas fotos, coisa nova no Brasil, segundo revela Luiz Maklouf Carvalho no seu livro “Cobras Criadas-David Nasser e o Cruzeiro”. Não abria mão do crédito com o seu nome, ao lado, ou no rodapé da imagem.

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A dupla famosa

A revista O Cruzeiro não tardou a contratá-lo e lá concordou em fazer dupla com David Nasser. “Antes já havia recusado diversos outros parceiros por achá-los todos incompetentes”, conta Accioly Neto no seu livro “O Império do Papel. Os bastidores de O Cruzeiro“. A parceria com Nasser lhe granjeou a fama, a dupla em evidência, responsável por grandes tiragens da revista e por reportagens que transcenderam a mídia nativa, reproduzidas no Time e outras publicações estrangeiras. Exemplo disso: a reportagem com o Deputado Federal Barreto Pinto, que posou de cuecas, imagem que lhe valeu a perda do mandato por quebra de decoro. Também a descoberta dos índios Xavantes, pela primeira vez fotografados, numa operação de risco, ou, ainda, as imagens do médium Chico Xavier que se deixou fotografar numa banheira, dentre outros destaques. “A dupla parecia ter um estranho poder sobre os personagens das histórias que contavam, como se os hipnotizassem” registra Accioly.

A observação do ex-Diretor do O Cruzeiro infere a capacidade de argumentação dos jornalistas e a sua determinação para atingir resultados, mesmo que isso implicasse em forjar situações para registrar fotos. É o caso da série amazônica (com jacarés do zoológico da Quinta da Boa vista), ou dos monges (vestiu dois amigos seus a caráter, sem lhes identificar o rosto). Truques da mídia que a opinião pública não farejava e a concorrência muito menos.

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A morte forjada

Esse lado do sensacionalismo como matéria-prima a qualquer custo, levou a alguns exageros. Desatino, mesmo. Um dia Manzon foi “atropelado e morto”, segundo nota publicada no O Cruzeiro. Era mentira, tudo forjado para o difunto aparecer risonho, rodeado de coroas fúnebres enviadas por amigos e autoridades, na mão um copo de uísque para brindar a sua resureição. Patético! Tudo valia para chamar a atenção.O fato é que Manzon, que profissionalmente, no fim de sua carreira, acabou se voltando para o segmento de documentários, como produtor independente (criava o produto e o vendia ao Governo) foi sem dúvida a grande referência de foto-reportagem no Brasil nas décadas de 40 e 50 (teve vários seguidores), uma das grandes contribuições da França à imprensa brasileira que cabe ressaltar, neste ano de comunhão entre os dois países.

Mas não foi o único profissional francês a deixar a sua marca na mídia. Pela mesma época em que Manzon revolucionava o jornalismo do O Cruzeiro, Pierre Verger, etnólogo e fotógrafo francês aportava no Rio de Janeiro (1946), mais tarde fixando residência na Bahia. As suas fotos, misto de arte com documentário, logo ilustrariam algumas das reportagens de maior impacto nas revistas semanais. Mas isso é uma outra história que fica para outra oportunidade.

Fotos de capa de Livro de Manzon, índios Xavantes e Deputado Barreto Pinto

O fim da Lei de Imprensa

11 dAmerica/Chicago Maio dAmerica/Chicago 2009

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A mídia ainda não se deu conta que pela primeira vez na história deste país estamos “órfãos” (ou livres) de uma Lei de Imprensa, graças a Deus, ou seja, uma lei reguladora, arcabouço jurídico construído a pretexto de se assegurar a liberdade de expressão, ou de prevenir os seus abusos. Mas, de fato para restringir a sua prática e atender interesses inconfessáveis. Na última quinta feira o STF decidiu por sete votos a quatro pelo fim da Lei em vigor desde 1967, uma das cinco leis reguladoras, como as anteriores, sancionadas em tempos de conturbação política por motivações torpes. Atendendo caprichos e, quem se der ao trabalho de ler os decretos, poderá inferir neles, também, patologias que os legisladores com maior, ou menor sutileza, incorporaram ao texto.  

No Brasil herdamos o princípio da Lei romana de “Injuria e Libellus”, por absurdo que possa parecer, ainda presente no texto da Lei revogada semana passada (artigo 20 que não admitia o ônus da prova em caso de “difamação” contra o Presidente e outras autoridades, mesmo sendo verdade). A nossa primeira Lei de Imprensa, sancionada por Dom Pedro I em 1823, preservava os interesses dos próprios legisladores, representantes dos partidos que editavam meia dúzia de jornais com circulação estimada, todos juntos, em não mais de 2 mil exemplares. O texto , um primor de arbítrio, falava em “remédio eficaz” contra um ente invisível definido como “inimigos do Império”. Em 1.830 o mesmo Dom Pedro sancionava nova Lei (a segunda), desta vez com o objetivo de combater a subversão: “ a necessidade de reprimir por meios legais o abuso…”.  

Lei Infame  Convivemos com ela 93 anos, até Arthur Bernardes assinar a nossa terceira Lei de Imprensa (denomina de Lei Infame), sancionada (1923) no contexto do Estado de Sitio com o único objetivo de elevar as penas e introduzir o conceito de relatividade das ofensas, a critério do juiz. O seu texto introdutório é assunto para ser esmiuçado por um psiquiatra, contundente demais na linguagem, afirmativo com exagero na repressão. Em 1934 Getúlio Vargas, novamente o contexto de uma ditadura, sancionava a nossa quarta Lei de Imprensa. Aquela que previa o cadastro minucioso de todos os jornalistas, incluindo seu endereço residencial e não era para lhes enviar flores no seu aniversário. A quinta e última Lei de Imprensa, sancionada pelo Marechal Castelo Branco, atualizou os “princípios” da Lei de 34, adéquo-os ao novo contexto da ditadura militar e abrangeu nas restrições a liberdade de pensamento, conceito que foi resgatar nas leis anteriores à Revolução Francesa.  

Cinco leis na história do Brasil, todas com o pretexto de regular, mas com o objetivo real de cercear liberdades. Um bom motivo para deixar como está. Melhor não ter lei nenhuma como nos Estados Unidos onde a primeira emenda da Constituição descarta essa possibilidade, do que construirmos uma outra Lei de Imprensa para atender, sabe-se lá que motivações dos governantes de plantão. Já surgem os defensores de uma nova lei reguladora, supostamente liberal, sob o argumento de que a imprensa afeta a vida dos cidadãos. Argumento que não se sustenta.

Nesse caso, deveríamos ter uma Lei de Culto? Já que a religião também mexe e afeta a vida das pessoas.

Artigo de minha autoria publicado originalmente no Correio da Bahia, edição de 06/05/2009.

Ano Brasil/França: La Presse Française Aux Brésil

3 dAmerica/Chicago Maio dAmerica/Chicago 2009

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Os fogos de artifício que iluminaram os céus do Rio de Janeiro, no feriado de Tiradentes, anunciaram o início das celebrações do Ano da França no Brasil. A oportunidade de lembrar, dentre tantas influências da cultura francesa, a serem passadas em revista em 2009, a importância da imprensa desse pais como referência para editores, chargistas e jornalistas, em particular no século XIX, até os anos vinte do século passado, quando o sotaque francês de fato atraia o público leitor. Em especial no Rio de Janeiro, capital do país, onde as revistas parisienses podiam ser adquiridas com facilidade. Leitura obrigatória das famílias de melhor condição econômica.

O Brasil já lia as publicações francesas desde a chegada da família real (1808), em especial Le Moniteur (órgão napoleônico) e Gazette de France, ambos fontes recorrentes da Gazeta do Rio de Janeiro, os periódicos recebidos através dos malotes diplomáticos e repassados ao redator da Imprensa Regia. A partir dos anos 30 do mesmo século referido assimilamos da imprensa francesa, especificamente do “Journal de Paris”, a seção que em Portugal se chamou “Comunicados” e no Brasil “A Pedidos” que nada mais era do que um publi-editorial onde cidadãos escudados no anonimato denegriam pessoas, instituições, insultando e caluniando autoridades, ou personalidades em destaque. Com o consentimento dos editores, alguns deles usando o espaço, sob pseudônimo, para não assumir responsabilidades.

Influência no traço


Na segunda metade do século XIX a imprensa francesa influencia o traço de nossos artistas gráficos. Gavarni é a nossa referência, alias de todos os caricaturistas do mundo, então, seduzidos com seus Les Enfants Terribles, Les Actrices e Les Étudiants, as séries reproduzidas pelo jornal humorístico Le Charivari. Mas também Daumier e Grandville, admirados por Ângelo Agostini, que lhes conheceu o traço quando morou em Paris bem antes de aportar no Brasil onde se tornaria o maior artista gráfico, ícone da melhor imprensa ilustrada daquele século: Diabo Coxo, O Cabrião, O Mosquito, A Vida Fluminense e sua melhor obra A Revista Ilustrada. A sátira brasileira foi fortemente influenciada pela sátira francesa e essa irreverência mais tarde seria uma característica, também, de nossa publicidade. 
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 No final do século XIX as revistas parisienses podiam ser adquiridas em vários estabelecimentos comerciais do Rio de Janeiro e também em Salvador e no Recife, em especial “L’ Ilustration” e “Le Petit Journal”; ambas as publicações destacaram as experiências de Santos Dumont, primeiro com balões, mais tarde com o 14 BIS. Foi no “L’ Ilustration” que o Barão de Tefé foi buscar referências gráficas e de conteúdo em 1901 para fundar a Revista da Semana. Que nasceu com a qualidade das melhores revistas do mundo e foi a semanal de maior longevidade na história da imprensa brasileira. A verdade é que até a década de 30 os magazines parisienses influenciaram e muito as revistas brasileiras. No traço dos caricaturistas, no conteúdo, no leiaute, no padrão editorial.

O Malho, Fon Fon, Semana Ilustrada e A Ilustração Brasileira, são referências editoriais da França. Indiretas, mas marcantes. Não tão explícitas quanto à da Leitura para Todos, Revista da Moda e Eu Sei Tudo que praticamente eram franquias da Lectures Por Tous, Revue Dês Modes e Je Sais Tout. Publicações que faziam a cabeça das famílias brasileiras. Até o surgimento de O Cruzeiro (1928), o modelo Time, este de influência anglo-saxônica, um estilo editorial preponderante durante todo o século XX.