Posts por Julho, 2008

200 Anos De Imprensa No Brasil:No Tempo Em Que Se Estimava Circulação De Jornais

30 dAmerica/Chicago Julho dAmerica/Chicago 2008

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“Na década de 50, dizia-se que circulação de jornais e idade de mulher não se perguntava, era falta de educação. Estimava-se”. A observação de Altino João de Barros, Vice-Presidente da McCann-Erickson do Brasil, o mais antigo funcionário em atividade da multinacional no mundo, revela as dificuldades, naquele tempo, de se avaliar a circulação dos jornais diários. Segundo o veterano publicitário, a sua agência, que tinha as maiores contas do mercado e por tanto a pressão da mídia com resultados, utilizava um sistema de medição que levava em conta a quantidade de papel adquirido, o peso por exemplar e as planilhas de venda, ou seja, as variáveis de aferição que mais tarde o Instituto Verificador de Circulação-IVC colocaria em prática. A McCann certamente conhecia a metodologia do ABC, órgão de auditagem de circulação americano que inspirou o nosso instituto.

O faz de conta
O fato é que a demanda das agências de publicidade por informações confiáveis da mídia impressa criou, naquela época, uma situação sui-generis onde o faz de conta era mais importante do que a realidade. Grandes jornais do Rio e São Paulo, por exemplo, promoviam animados coquetéis na boca da rotativa para “provar” ao mercado a sua circulação. É claro que no dia combinado rodava um número maior de exemplares, a pantomima chegava à perfeição com a locação de carros extras para uma suposta distribuição que não existia. Tudo isso testemunhado pelos convidados que fingiam convicção; como duvidar daquilo visto com os próprios olhos ? As revistas não ficavam atrás. Luis Maklouf no seu livro “Cobras Criadas” provou que os números divulgados como circulação semanal de O Cruzeiro eram superestimados. Tomava-se como regra a exceção. Circulações atípicas, determinadas por um fato jornalístico, eram tidas como de rotina. 

Muito antes de se aferir e estimar a circulação dos jornais, inícios do século XX, por exemplo, os editores exageravam, mesmo, nas estatísticas, se é que cabe a palavra neste caso. Lembro-me de ter lido, certa feita, um editorial de Ruy Barbosa no seu jornal “A Imprensa” (1.900) que antecedeu o Correio da Manhã, onde com todas as letras o ilustre baiano afirmava distribuir cem mil exemplares. Um número que não parece confiável, se avaliada a população alfabetizada do Rio de Janeiro, naquele tempo, o perfil elitista do veículo (O Paiz era o jornal popular e o Jornal do Brasil um forte concorrente) e o sistema precário de distribuição (jornaleiros e carroças puxadas a burro). Em todo caso, a intenção era valorizar o veículo junto ao público leitor, nenhum propósito de oferecer aos anunciantes índices de leitura para seus produtos.

Leitores por exemplar
Faço estas considerações em função de um ranking de circulação de jornais que tive a oportunidade de ver no último fim de semana, publicado pelo Anuário Estatístico de São Paulo em 1939. Segundo a publicação circulavam 15 jornais na cidade, naquele tempo, A Gazeta com 90 mil exemplares era o líder, seguida do OESP com 85 mil, Diário da Noite com 60 mil, Correio Paulistano com 55 mil, Diário de São Paulo com 35 mil e assim por diante. Totalizava 468.000 exemplares para uma população estimada em 1,3 milhões de habitantes, ou seja, um jornal para cada 2,7 habitantes. Considerando que São Paulo tem hoje em torno de 10,8 milhões de habitantes (IBGE 2007) e se mantidos os índices de leitura da década de 30/40, aqui referidos, deveríamos circular hoje com 4 milhões de exemplares diários. O IVC nos informa em torno de 900 mil exemplares (Folha de S.Paulo, OESP, Agora, Gazeta Mercantil, Diário de São Paulo, Jornal da Tarde, Valor Econômico). Podemos estimar 1 milhão considerando outros jornais menores, não auditados.


E daí? Significa que em 1939 circulava em São Paulo um jornal para cada 2,7 habitantes e hoje, quase 70 anos depois, um jornal para cada 10,8 habitantes? A análise fria dos números é chocante, considerando que o número de analfabetos quase zerou na cidade grande, dentre outros fatores. Digamos que a turma do Anuário Estatístico estimou e não aferiu, digamos que os números foram superestimados. Em todo caso a lógica, mesmo considerando as novas fontes de informação surgidas na última década, apontariam para um crescimento do número de leitores em potencial. As estatísticas sem lastro sobre o assunto apenas confirmam o que a intuição já sabe há muito tempo: o brasileiro não foi educado para ler.
Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 28/07/2008. Foto ilustrativa do site Memoria Viva

Hora do Reclame-O gostoso atrito nas coxas

25 dAmerica/Chicago Julho dAmerica/Chicago 2008

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Quando Isaac Singer em 1851 inventava a máquina de costura pode ter imaginado que esse seu equipamento tivesse grande aceitação entre as mulheres, então, às voltas com complicados teares e instrumentos primitivos de fiação, onde sangrar os dedos era rotina. Mas o que Singer nunca imaginou é que a publicidade de seu produto encontraria restrições em alguns países, inclusive o Brasil, por uma suposta “indução” ao adultério.

Tudo começou nos Estados Unidos onde um certo Dr Guibort botou a boca no mundo afirmando ser a máquina de costura um objeto anti-higiênico, que provocaria nas mulheres, pelo seu uso continuado, distúrbios, então, mais desconfortáveis do que hoje, como amenorréia e leucorréia. A questão teria tido repercussão limitada não fosse uma pesquisa de opinião, sobre o assunto, encomendada pela reputada publicação especializada “Medical Records”.

Objetos imorais
A revista chegava a conclusão que as máquinas de costura não eram anti-higiênicas, conforme pregava o Dr Guibord, mas eram objetos imorais, diante da opinião das entrevistadas de que o atrito rápido das coxas ao pedalar produzia-lhes uma excitação fora do comum. Foi o bastante para que a literatura médica especializada do Brasil entrasse na polêmica, colocando sobre fogo cerrado o “pecaminoso” objeto.

Era a máquina de costura, nesses idos de 1875, quando o assunto foi ventilado no país, uma das coqueluches do mercado, à venda em sofisticadas lojas de variedades que também comercializavam instrumentos musicais da Alemanha e Inglaterra, porcelanas e equipamentos para as salas de estar e de jantar, da França, relógios Suíços… dentre outras novidades.

Maridos ciumentos
Ao contrário de um outro invento que tinha ares de ilusionismo, a fotografia, então, restrita às cortes e salões da alta burguesia, a máquina de costura era objeto de consumo, embora não tão popular no Brasil. É que até 1873 prevaleceria o monopólio dos possuidores de patentes, com os seus preços exorbitantes para o consumidor. A despeito disso, a Singer dividia a preferência dos usuários com a Welson, Grover, Wuicox e Baker.

O fato é que a polêmica despertada pela literatura especializada influenciaria a grande mídia e com ela a opinião pública. Enquanto maridos ciumentos puniam o quase adultério de suas mulheres, proibindo-lhes o uso de máquinas de costura, a mídia bradava para que se criassem restrições à publicidade do produto. Os americanos, muito mais pragmáticos, apelavam aos fabricantes para que se emprega-se, na fabricação das máquinas, uma outra força motriz, que não os pedais.

Felizmente o assunto esgotou-se por despropositado e o invento de Isaac Singer, passada a turbulência, continuaria a ser anunciado nas páginas dos jornais, e a povoar, quem sabe, o imaginário feminino. 

200 Anos De Imprensa No Brasil: Revista Veja e os bilhetinhos da censura

24 dAmerica/Chicago Julho dAmerica/Chicago 2008

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Na manhã de 03 de junho de 1976 a direção de Veja era informada, através de telefonema da Policia Federal, que não mais precisaria levar os dois exemplares impressos, provas de fotolito, para a repartição ou para a casa de Richard de Bloch, o censor designado para avaliar o conteúdo e segundo as instruções recebidas, liberar ou não a publicação.Terminava assim a censura prévia imposta à revista desde 6 de fevereiro de 1974 pelo motivo de Veja publicar, na seção de datas, nota informando que o arcebispo de Olinda dom Helder Câmara, tinha sido indicado para concorrer ao prêmio Nobel da Paz.

A censura prévia, na verdade, tinha sido apenas uma das modalidades de censura imposta à Veja e outras publicações desde a instituição do AI5 em 13 de dezembro de 1968. Na semana seguinte à vigência do ato era apreendida a edição número 15 da revista e doravante, até a instituição da censura prévia aqui referida, Veja receberia “recomendações”, por telex ou pelo telefone, de agentes da Polícia Federal, em torno dos assuntos que não deveriam ser divulgados. Rotina de muitos anos, ora interrompida pela presença eventual de censores na redação (terceiro trimestre de 1972), ou pela ação do diretor geral do DPF General Bandeira. Em 27/06/73, por exemplo, telefonou diretamente a Pompeu de Souza (diretor da sucursal de Brasília) proibindo a publicação de suposta matéria da revista, informando que a Câmara de Vereadores de Ponta Grossa negara ao General Médici o título de cidadão honorário. A matéria não existia e nem a redação de Veja sabia do assunto.

A burocracia
O fato é que a rotina de telefonemas e telex seguia um padrão burocrático estabelecido, segundo os bilhetinhos internos da Editora Abril que Paolo Marconi colheu e publicou no seu livro “A censura política na imprensa Brasileira,1968-78″. Segundo o autor as instruções eram passadas ao funcionário da Editora Abril W.Souza, ex-funcionário da PF que por sua vez as encaminhava ao Diretor Edgar Faria e este as repassava para Mino Carta, Roberto Civita ou Victor Civita em memorandos internos.

Num deles, datado de 31/07/73 Edgar Faria alertava sobre as implicações de um telefonema dando conta do descontentamento da policia com o tratamento dado por Veja “ao subversivo Geraldo Vandré”. Comentava: “Mino: Os homens estão sentidos”. Em 27/08/73 Souza encaminhava memorando contendo 11 proibições, entre as quais, as declarações de dom Helder, o relatório de Luis Carlos Prestes, a prisão do vereador Oldair Pinto… Em 24/10/73 alertava sobre a recomendação do General Bandeira de não fornecer “detalhes” sobre a prisão do delegado Sérgio Fleury, determinada pela 1ª Câmara Criminal de Justiça. Em 12/02/74 Faria encaminhava a Paulo Totti e Mino Carta anexo com uma lista de proibições “atualizada”, acrescentando a sua opinião pessoal: “o conceito de segurança nacional continua inchando, e, cada vez mais abrangente, terminara por lançar o manto da discrição sobre o guarda achacador da esquina”.

Sem cara de censura
A censura agia através de telex, telefonemas e censores, mas fazia tudo para guardar as aparências, inclusive recomendando: “é proibido dar aspecto de matéria censurada”. É que Veja providenciara, para preencher os buracos das matérias censuradas, gravuras de diabos e anjos e isso incomodava o regime. O General Bandeira era explícito: “Não se justifica que abaixo da noticia do Ministro Passarinho e ao lado da inauguração de 2000 Km de asfalto, apareçam duas figuras demoníacas”. Veja aceitava as ponderações. Afinal, para que cutucar o diabo com vara curta?

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 22/07/2008

Hora do Reclame: O X da questão nos Congressos de Publicidade

16 dAmerica/Chicago Julho dAmerica/Chicago 2008

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Nesta semana São Paulo realiza o IV Congresso Brasileiro de Publicidade e 90% dos profissionais que trabalham na área não tem a menor idéia do que se trata. É o tal caso de ouviram o galo cantar e não sabem onde, em que pese a grande divulgação em torno do assunto, destacando as personalidades estrangeiras convidadas, grade de programação e tudo mais que diz respeito ao show-evento, como de praxe em qualquer meeting do gênero. Mas, na essência esse 90% do público alvo referido não conhece o que se faz nesses eventos, quais os objetivos e fundamentos. E sabem por quê? Simplesmente, nove de cada dez publicitários, hoje na ativa, sequer tinham nascido ou apenas trocavam a calca curta pela calça comprida, quando da realização do último Congresso da categoria.A verdade é que trinta anos, eu disse trinta anos, se passaram entre o terceiro e quarto congressos. O número em si já é emblemático: quatro congressos realizados, apenas, em mais de meio século e, se formos mais longe, mais de setenta anos de existência das entidades de classe.

Em 1938, ano de fundação da ABP e APP, já se cogitava um tipo de encontro para se discutir a relação. Refiro-me à relação agência-cliente-veículo, se é que você imaginou outra coisa. E é exatamente isso, o fundamento deste tipo de evento e também o motivo, a razão histórica, digamos, para terem ocorrido tão poucos congressos em tão longa trajetória institucional.

Como os americanos
O “X” da questão chama-se taxas de remuneração. Ocorre que a propaganda é um setor econômico de intermediação. O cliente anuncia, as agências prestam o serviço de planejar, criar e encaminhar o produto final para o veículo e a sua remuneração sai desse interface. Diferente de outros setores da economia na publicidade os anunciantes sempre quiseram pagar menos às agências e estas sempre desejaram ganhar mais. E para não enfrentar esse debate cara a cara é que os congressos de propaganda foram sendo esticados, quase esquecidos no tempo, como o atual, inicialmente previsto para ser realizado em Salvador em 1980. Vinte e oito anos de atraso, apenas.

E esse X da questão começou a ser desenhado na transição da década de 20 para 30 quando a propaganda brasileira sequer tinha instituições e as agências eram agentes, a serviço de um certo veículo que poderia ser o OESP, ou o JB, ou mesmo a South Brazilian Railways Company, traduzindo a Companhia do Bonde. Sem outras referências adotamos o sistema de remuneração dos americanos. Naquele tempo o que era bom para eles era bom para nós também. E aí pegou. Os americanos praticavam uma taxa de 17,65%, mas enquanto discutíamos no I Congresso Brasileiro de Propaganda a sua adequação para 20%, através de um jeitinho brasileiro (a conversão do valor líquido para bruto) os gringos entornaram o caldo, consideraram reserva de mercado inadequada. E nos ficamos com a referência quebrada.

Resumindo esta história: queríamos ser remunerados como eles, mas eles mudaram os seus parâmetros de remuneração e então nos restou empurrar com a barriga, para evitar que as multinacionais, maiores anunciantes do país, com referências bem claras das práticas de mercado nos Estados Unidos, questionassem como de fato questionam, há quase meio século, a remuneração taxada por decreto. Esse X adiou congressos de propaganda até por trinta anos. Não adiantou nada. O mercado se regulou, ele próprio, fazendo de conta que seguia as normas padrão recomendadas. 

Artigo de minha autoria, inicialmente publicado no Portal Imprensa em 13/07/2008 

200 Anos de Imprensa no Brasil: A cobertura da Copa do Mundo de 58

15 dAmerica/Chicago Julho dAmerica/Chicago 2008

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Na última semana de junho a Rede Globo e a ESPN exibiram flagrantes da Copa do Mundo de 1958, imagens que, naquele tempo, apenas dois milhões de brasileiros assistiram na televisão e nos cine-jornal, em torno de 3% da população brasileira, então estimada em 65 milhões (IBGE) de habitantes: a elite de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife que possuía um aparelho de TV. Privilegiados expectadores que  puderam assistir, com uma semana de atraso, os dribles de Garrincha ou o gol espetacular (de chapéu) do Pelé no jogo final contra a Suécia. Outros 32 milhões de habitantes apenas imaginaram e idealizaram as jogadas que a empolgação dos locutores de rádio, em tempo real, fazia parecer mágica pura. A platéia da TV assistia objetividade, a do rádio lidava com emoção.
 
A verdade é que a mídia, naquele tempo, com raras exceções se preparou para cobrir a Copa do Mundo. A expectativa do Brasil conquistar a taça Jules Rimet era remota, estado de espírito traduzido na charge de Fritz, revista Manchete, onde o cartunista ele próprio se apresenta sendo obrigado a embarcar, contra sua vontade, no avião que transportaria a seleção Brasileira. Os jornais diários, por sua vez, questionavam alguns nomes do elenco convocado. Os ecos do vexame de 1950 ainda se ouviam nas redações dos jornais e revistas.
 
Endereço trocado
A televisão, então sem maior estrutura, se fez presente, através de um acordo celebrado entre o jornalista Almeida Castro, representando a TV Tupi, e a TV sueca. O cinegrafista Ortiz Rúbio foi credenciado a cobrir os jogos, mediante o pagamento de US 5.000,00, imagens que deveriam ser despachadas, logo que revelados os filmes, via aérea, para ser exibido com três, quatro dias de atraso no Brasil. De fato as imagens do jogo de estréia foram ao ar, mas não pela TV Tupi, e sim através da TV Rio, que recebeu os rolos por engano e imaginou, e repercutiu essa informação, fosse uma cortesia da TV sueca. Não era. O pacote viera com a inscrição “Para a TV-Rio-Brasil”, induzindo a repartição dos Correios e Telégrafos ao erro.
 
Em 29 de junho de 1958 o Brasil conquistava a Copa do Mundo, enlouquecendo os brasileiros, na maior audiência até então registrada pelo rádio no país. A Folha da Tarde saudava o feito, no dia seguinte, com a manchete “O espetáculo que o Maracanã não viu”. A Gazeta Esportiva, mais contida, estampava as fotos dos jogadores erguendo a taça : “O Rei, a taça e os campeões do Mundo”. A chegada no Brasil, nesse clima, prometia ser apoteótica e desta vez a mídia não deixaria barato.

O escore
Assis Chateaubriand, oportunista, convidava familiares de alguns jogadores à sede da revista O Cruzeiro; a sua estratégia incluía em convencer o chefe dos batedores da Polícia Militar a desviar o percurso da comitiva, inicialmente programado para se dirigir à sede do Governo onde o Presidente Juscelino aguardava impaciente. A comitiva de fato desviava o caminho, parava no prédio do O Cruzeiro, os fotógrafos registrando com exclusividade as primeiras homenagens aos campeões do mundo com direito a beijos, abraços e o choro emocionado dos familiares.
Empolgado com o sucesso da iniciativa o diretor e proprietário dos Diários e Emissoras Associadas, ainda debochou antes de cair na gargalhada: “Agora o escore é Chateaubriand 1 X Juscelino 0″.

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 07/07/08

200 Anos De Imprensa No Brasil: As primeiras cartas dos leitores de Veja

13 dAmerica/Chicago Julho dAmerica/Chicago 2008

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Em 11 de setembro de 1968, Veja publicava meia dúzia, apenas seis cartas dos leitores, nesse seu número de estréia. Não eram correspondências forjadas como de hábito na imprensa brasileira, naquele tempo, mas efetivamente cartas de cidadãos que tinham visto nas ruas e na TV a campanha publicitária de lançamento da nova revista semanal. Interesses os mais diversos motivaram as missivas: Elzeário Schmitt de Florianópolis, por exemplo, se candidatava a uma possível vaga no quadro de colaboradores. O editor de Veja não lhe dava esperanças: “Obrigado, mas nosso quadro de colaboradores no momento está completo”. Uma outra carta, assinada por Gilberto Collares de Pelotas (RS), indagava sobre como fazer assinaturas?. O editor o desaconselhava, sugerindo que adquirisse a revista em bancas, pois a Abril não podia lhe garantir uma entrega rápida.

Quarenta anos depois Veja recebe em meia 1.241 correspondências por semana, sendo apenas 50, ou seja, 3,8% do total em forma de cartas, segundo os números publicados na sua última edição semanal. A tecnologia favorece o correio eletrônico (os e-mails), hoje preferência de 95% dos leitores. Pelo visto, breve, Veja terá de rever o nome da seção que não mais se justifica.

O espaço nobre
Mas, naqueles primórdios da revista, “Cartas” tinham o seu espaço garantido logo na primeira página da publicação. Foi assim durante alguns anos, até quando a publicidade descobriu o impacto do anúncio de página dupla, na chamada segunda capa, e não mais abriu mão dele. Na segunda edição de Veja, por exemplo, as correspondências triplicaram em relação ao número de estréia o que parece razoável. A maioria cartas laudatórias, outras contidas como a do Deputado Pedro Simon, mas também de protesto. O leitor Lamberto Wiss, estudante do 3º ano de Economia em São Luiz, lamentava a cobertura internacional: “Seu comentário, especialmente no artigo sobre o mundo comunista está tendencioso”.

Dois meses depois, às vésperas da decretação do AI5, na sua edição Nº 13 a revista já apresentava três colunas completas de cartas. Uma delas, assinada por Walter Sampaio, Diretor de Telejornalismo da TV Tupi, sugeria que a revista escrevesse “certo” sobre televisão “sem insinuar reduções ou circunscrições, mas também criticando construtivamente, para que ela cresça e melhore”. Mas, o tema predominante era outro: uma polêmica entre os leitores em torno da recente visita da Rainha Isabel ao Brasil.Marcos Vieira da Silva cumprimentava Veja pela cobertura; Paulo Maranhão se reportava ao leitor Raul Amorim a quem chamava de “pobre de inteligência” por ter chamado o Recife de subdesenvolvido diante do excesso de cuidados na recepção à Rainha; Yvette Gadelha, por sua vez, lamentava “a pobreza de espírito” do já  referido leitor, acrescentando: “Subdesenvolvido não é apenas o Nordeste. É todo o Brasil”.

Polêmicas aparte, o leitor Geraldo Feitosa do Rio de Janeiro apelava: ” Sr. Diretor, Insisto em que não se de apoio a este movimento alienado que é o tropicalismo de dois fulanos antes tão geniais e hoje apenas preocupados em promoção grupista. Abaixo a capa do Nº 12 de Veja“. Referia-se a Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 30/06/2008

Estamos de volta com uma novidade

11 dAmerica/Chicago Julho dAmerica/Chicago 2008

Ficamos fora do ar por alguns dias, por conta de ajustes técnicos, mas já estamos de volta e com uma novidade : lançamos o Portal do Almanaque da Comunicação onde você encontrará, inicialmente, em torno de 1.200 páginas de contéudo. Até o final do ano assumimos o compromisso de mais de 3.000 páginas. O nosso objetivo é construir um espaço de referência, dentro da web, da memória da comunicação. Acesse o Portal e divulgue entre seus amigos e conhecidos.

www.almanaquedacomunicacao.com.br

Hora do Reclame: O legado da DPZ

1 dAmerica/Chicago Julho dAmerica/Chicago 2008

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A DPZ comemora hoje oficialmente 40 anos de atividades, data referencial do registro já que operava desde maio de 1978, ainda nas dependências do Estúdio Metro 3 que a precedeu. Mas o que é DPZ ? Para quem não sabe, uma agência de publicidade, a mais premiada da propaganda brasileira no século XX, as suas iniciais identificam os seus proprietários : O D de Roberto Duailibi (ex-presidente da ABAP e uma das maiores lideranças no plano institucional e de negócios da propaganda), o P de Francesc Petit, notável ilustrador, artista gráfico e diretor de arte Catalã, residente no Brasil desde a década de 50 e o Z de José Zaragoza, também artista Catalã, diretor de arte e exímio fotógrafo.E o que significa a DPZ para a propaganda brasileira? Deixo a avaliação aos leitores. Apenas vou pontuar algumas de suas realizações, mas antes descrever a mística da marca, a agência, então, tida como um estilo brasileiro dos modelos DDB de Nova York, Collect Dikinson de Londres, Delacroix de Paris ou MMLB de Barcelona. Ou seja: Atributos de modernidade, vanguarda, ousadia criativa, quebra de paradigmas e bom humor.

As estrelas

Quando Washington Olivetto ingressou na propaganda tinha a DPZ como referência e também como objetivo. Um dia, após apresentar o seu portfólio ao Roberto Duailibi, era contratado para fazer dupla com Francesc Petit; permaneceria na agência por mais de uma década até se associar aos suíços da GGK e romper formalmente relações com os seus ex-patrões que não lhe perdoaram as circunstâncias do segredo (de sua saída) a sete chaves, revelado pela imprensa. Mas, Olivetto não foi a única estrela a brilhar e contribuir na construção da mística da agência. Além dele impulsionaram suas carreiras de grandes criativos dentro da DPZ, Nizan Guanaes, hoje presidente do grupo ABC de Comunicação com mais de 12 empresas associadas, incluídas as agências África, DM9 e MPM; Marcello Serpa, hoje Presidente da Almap/BBDO; Neil Ferreira que já chegou estrela na agência, mas nela construiu seu mais vistoso currículo. Profissionais também como Helga Miethke, Camila Franco, Hector Tortolano, Gabriel Zellmeister, Paulo Ghirotti, dentre outros criativos de renome.

As campanhas

Profissionais à parte, o Garoto Bom Bril (78) tal vez seja a maior vitrine da agência, o personagem incorporado à comunicação do produto durante três décadas, uma delas dentro da DPZ. Outras criações podem ser arroladas na galeria de personagens ou ícones construídos pela agência. O frango veloz da Sadia, por exemplo, um dos mais antigos mascotes em animação do país, hoje com recursos de 3D, no passado folha a folha, desenhadas na prancheta. Um outro personagem marcante na história da agência é o baixinho da Kaiser, o ator descoberto em meados da década de 80, então um motorista que acompanhava as gravações da produtora. O baixinho do bigode foi uma referência do produto durante décadas, ainda hoje, de volta à mídia, após a revitalização da marca.Claro, não poderia esquecer nesta galeria o personagem símbolo do fisco brasileiro que no primeiro trimestre de cada ano ressurge ameaçador: o Leão do Imposto de Renda que nasceu da prancheta da DPZ e hoje, mais de vinte anos transcorridos, é o ícone da voracidade da Receita Federal.

Materia de minha autoria originalmente publicada no Portal Imprensa