Hora do Reclame-O baixinho da Kaiser
28 dAmerica/Chicago Junho dAmerica/Chicago 2008Em meados de 1987 Neil Ferreira, um dos Diretores de Criação da DPZ, aportou em Natal, uma fita (no formato U-matic) embaixo do braço, para uma palestra no I Encontro de Propaganda do Rio Grande do Norte coordenado por Everaldo Porciúncula, diretor da Dumbo Publicidade e também da ABAP regional. Neil não mediu meias palavras: “Quebrei o pau hoje com o Duailibi. O chefe não queria que eu trouxe-se esta fita, o cliente ainda não liberou. Mas vocês vão assistir em primeira mão uma campanha que deve ser veiculada na próxima semana, ou na outra, e sinceramente, acredito, vai revolucionar o mercado de cervejas.”. Foi nessas circunstâncias que 400 pessoas, metade estudantes, tiveram o privilégio do avant-premier de uma das mais importantes campanhas na história da DPZ; a estréia na mídia do simpático personagem que ficaria conhecido como “o baixinho da Kaiser”.
Naquele tempo a Kaiser penava para conquistar meio ponto que fosse de “share” de mercado, então um monopólio da Brahma e Antarctica, as duas cervejarias disputando a preferência do consumidor no ponto de venda. Foi então que a DPZ optou por uma campanha que reforçasse no consumidor a idéia de se beber cerveja como um hábito de turma e, nesse contexto, surgiu o “Baixinho”, o personagem descoberto entre o grupo de apoio da produção, o motorista da Kombi (José Valien Royo), ex-vendedor de garrafas. O “cast” incluía vários atores com uma altura razoável, de modo a contrastar com o físico do baixinho que no roteiro traçado por Neil e Zaragoza deveria demorar mais do que os outros no banheiro. Em entrevista à Revista do Tatuapé Royo detalhou a experiência: “Eu não conseguia seguir a coreografia. Fiquei horas tentando. Cheguei a ficar nervoso e disse que não era a minha profissão. Os produtores pegaram até no meu calcanhar para me ajudar a fazer os passinhos no ritmo da música, mas não tinha jeito. Até que o Zaragoza disse: ‘Vai ao ar assim. Às vezes o errado dá certo’”.
E deu. A verdade é que a temática da Kaiser como a cerveja dos grandes momentos emplacou e o “Baixinho” tornava-se doravante figura obrigatória de todas as campanhas da marca, sua imagem exibida na mídia durante 14 anos. O comercial de estréia tinha como título “Banheiro solitário”, criado por José Zaragoza e Neil Ferreira, Direção de Cláudio Meyer, fotografia de João Augusto Zanetti, trilha sonora de Emílio Carreira & MCR. A campanha teve enorme repercussão, conquistou alguns prêmios e muitos admiradores. “O Neil Ferreira não inventou a cerveja, mas redescobriu a forma de tomá-la”, elogiou certa feita, a propósito da campanha, Jorge Cunha Lima, ex-presidente da TV Cultura. Nos 40 anos da DPZ o baixinho teve importância semelhante à de Carlos Moreno, protagonista do Garoto Bom Bril. Ambos atores descobertos e trabalhados. O Baixinho era motorista de profissão com uma breve passagem como figurinista de um comercial da Walitta, Moreno apenas um ator emergente.













