200 Anos de Imprensa no Brasil: Os jornais carnavalescos
31 dAmerica/Chicago Janeiro dAmerica/Chicago 2008A existência de uma imprensa exclusivamente carnavalesca é um fenômeno brasileiro, nada semelhante ocorreu em nenhum país do mundo segundo afirma José Ramos Tinhorão no seu esplendido livro “A imprensa carnavalesca no Brasil. Um programa da linguagem cômica”, lançado em 2000. O autor nos esclarece que apenas em Portugal se deu um fenômeno, digamos, localizado: os entremeses editados em linguagem e folhas de cordel durante o século XVIII, com o entrudo como tema. Muito distantes quanto à forma, conteúdo e intenção, assevera, da imprensa periódica brasileira, caracterizada justamente pela variedade temática. Tinhorão localizou 166 títulos no Brasil, listados um a um com as referências bibliográficas de praxe. Os jornais que ilustram este post não fazem parte desse catálogo, nem eles, nem outra meia dúzia do gênero pertencentes ao acervo da Associação Baiana de Imprensa. O que configura para um segmento um espectro ainda maior do que o desenhado pelo autor.
Os jornais carnavalescos florescem no Brasil a partir de 1.871 com o lançamento do Facho da Civilização no Rio de Janeiro; na década surgem Farpas Fenianas, Echo da Tagarelas e Esmeralda na mesma cidade, O Açucrim e O Carnaval no Recife e nos anos 80 O Diabo da Meia Noite, Risada e Espirro na capital, O Amor tem Fogo em Belém, O Pierrô e O Deus Momo no Recife, A Troça na Bahia, O Mephisto em Fortaleza e A Matraca em Santa Catarina, dentre outros. Tinhorão registra ainda a existência de um certo Limão de Cheiro, muitas décadas antes, iniciativa isolada que não teve seguidores, editado em 1833.
Os jornais carnavalescos, de propriedade de entidades e sociedades recreativas, mas também de casas comerciais e propagandistas e até de outros veículos de comunicação, a exemplo de “A Casa da Sogra” (1899) que seria um suplemento do Diário da Tarde de Curitiba, tinham como principal característica, a sua peridiocidade limitada. A maioria eram anuais, circulavam apenas durante a festa, alguns deles como o Esmeralda apregoava essa sua condição singular no cabeçalho; definia-se como “jornalzinho anual de um dia só”. A verdade é que se algumas publicações exploravam um gênero que poderíamos chamar de literatura burlesca, outras atendiam demandas comerciais de estabelecimentos e fabricantes que enxergavam na festa um grande potencial mercadolôgico. O carnaval já era, naquele tempo, um mercado vigoroso. E a imprensa inseriu-se nele com tamanha originalidade e competência que repercutiu a festa para além das ruas e os salões e não é por acaso que fizemos do reinado de Momo no Brasil, a festa de maior projeção no planeta.














