Os sites de noticias nos informam hoje que em reunião realizada na casa de Dalton Pastore, Presidente da ABAP, foi decidida a realização do 4º Congresso Brasileiro de Propaganda em 2008. Não concordo com o nome. Acho extemporânea a proposta de resgatar a imagem dos conclaves do passado, dando seguimento a uma conta que no meu entender foi zerada em 1978, ou seja 30 anos transcorridos do último evento do gênero. Fingir que se dá continuidade a um modelo de Congresso que não mais existe, recriando um contexto também ficcional, ainda que com pauta renovada, é como a aplicação de botox que disfarça as rugas da velha senhora, mas apenas na cara…Não vamos conferir o resto, por favor.
A verdade é que não há o menor sentido em caracterizar o que venha a ser o evento do ano próximo como continuidade de um discurso e um modelo que se esgotou definitivamente naqueles idos da década de 70. É como se estivesemos dizendo às novas gerações que somos tão incompetentes que precissamos de três décadas para nos reunir de novo, que nada de relevante aconteceu nesse tempo todo que justifica-se discutir o mercado. Deixamos o bonde passar, a última estação ficou lá atrás quando FHC por decreto modificou a Lei 4680; encaremos essa realidade.
Nos três Congressos realizados tratava-se de criar normas padrão de convivência, modificar as taxas de remuneração, impulsionar o surgimento do IVC e construírmos as bases do Conar. No 4º esses avanços seriam consolidados, mas a mesma ABAP que hoje ressuscita o defundo encarregou-se de enterrar a proposta. Tudo para não encarar a realidade do diálogo entre as partes, de um país em processo de democratização que ela mesma tardou a entender. Encerrou-se num caçulo que se desfez como por mágica quando a referida Lei 4.680, cujos fundamentos na prática não mais existiam, desmoronou.
Então, para que fingir que o passado deve ter continuidade se o fio condutor de todo esse processo já se rompeu? Vamos conversar, isso é razoável. Com a participação de todos os segmentos que compõem o mercado publicitário, isso é bom. Com uma pauta que contemple os interesses e demandas desses segmentos, isso é ótimo. Mas sem carregar o fardo de um rótulo que não faz bem aos ouvidos. O 4º Congresso, aquele que deveria ter sido, morreu e apodreceu como cadaver insepulto na indiferência de algumas entidades de classe, até virar pó. Melhor faríamos em realizarmos o 1º Meeting Empresarial da Publicidade Brasileira… Primeiro qualquer coisa já é uma boa sugestão.