Agosto polêmico para a mídia
31 dAmerica/Chicago Agosto dAmerica/Chicago 2007Agosto de 2007, o mês que hoje termina, foi um período, digamos, um tanto movimentado para a mídia brasileira.Vários fatos contribuíram para despertar polêmicas em torno da responsabilidade e ética dos veículos de comunicação e os limites da privacidade.Também em torno da recorrente iniciativa de lideranças do Governo de opinar contra os conteúdos da mídia não oficial. São questões que volta e meia testam a nossa capacidade de manutenção dos avanços obtidos em torno da liberdade de expressão, de conformidade com os princípios manifestos na carta magna de 1988. Foi um mês feito na medida para essas discussões, a começar pelo novo Código de Ética dos Jornalistas aprovado no Congresso Nacional Extraordinário da categoria realizado em Vitória (ES), código que até hoje ninguém viu, 25 dias decorridos nenhuma manifestação no sentido de se tornar público o texto para conhecimento da sociedade. Se a Fenaj não faz questão de divulgar,a imprensa não se digna a cobrar; um jogo de “encobre” que deve ter lá suas razões. Não é de nossa conta.
Bom, mas aí veio o episódio da divulgação do conteúdo das caixas-pretas do avião acidentado da TAM pelo jornal Folha de São Paulo. Alguns criticaram a iniciativa do veículo que teria desrespeitado convenções internacionais, além do constrangimento causado aos parentes das vítimas. Outros defenderam o direito do jornal noticiar o assunto; segundo eles as convenções diriam respeito ao segmento específico da aviação e não à imprensa. Uma bela polêmica em torno dos limites da privacidade. O assunto voltaria à baila durante a cobertura do julgamento do “mensalão” pelo STJ quando um fotógrafo do “O Globo” flagrou e-mails trocados entre dois ministros, seu conteúdo publicado no dia seguinte. A Folha e o OESP também obtiveram a informação, mas nada publicaram. Por que? Assunto de âmbito privado segundo os conselhos de redação das referidas publicações. Mas a privacidade só é entendida como tal se praticada entre quatro paredes e não às vistas dos jornalistas, rebateram os defensores do jornal carioca.
Em todo caso Agosto nos reservou, ainda, as já recorrentes críticas à imprensa de lideranças do Governo, a começar pelo Presidente Lula que desqualificou a cobertura em torno da queda das Bolsas de Valores em todo o mundo. Dias após o seu “desabafo” eis que a Comissão de Valores Mobiliários, autarquia do Ministério da Fazenda, colocou em audiência pública a proposta de “normatizar” a atuação dos jornalistas especializados em Economia. Propõe que seja função de profissionais dos mercados. Só faltava essa. Agosto, como se vê foi um belo teste em torno da atuação e dos límites éticos e corporativos da mídia brasileira.





