
De um tempo para cá, dois anos se muito, a propaganda brasileira adotou um modismo gráfico, corrente nos anúncios publicados, especialmente em revistas. Trata-se do art nouveaux que os nossos criativos re-descobriram e resgataram através de formas visuais características que se traduzem em belas molduras; anúncios que agradam pela combinação de cores e a exploração de elementos da natureza: flores, pássaros e borboletas dentre outros. O novo grafismo nos remete à figura de Alphonse Muchá, artista plástico nascido na Moravia, atual Checoslovaquia, um dos ícones do modelo estético preponderante na propaganda no final do século XIX e inícios do século XX, em todo o mundo, inclusive no Brasil.Muchá foi seguramente o artista plástico que exerceu maior influência sobre esse modelo, referencial de sofisticação denominado de “Belle Epoque”, aplicado à propaganda. Diferente de Gaugin, Lautrec, Bornard, Klimt e outros grandes artistas que também enveredaram pelo art nouveaux, Muchá explorou com maior intensidade essa linguagem visual, com um viés comercial, aplicando-a na criação de cartazes e anúncios. A sua influência se fez manifesta no Brasil através do mestre português Julião Machado e seus discípulos brasileiros Calixto Cordeiro, Raul Pederneiras e J. Carlos, os maiores artistas gráficos da época, notabilizados pela criação de capas de revistas, caricaturas para as publicações semanais e mensais e também anúncios, centenas deles.
Para alguns críticos o art nouveaux é apenas um estilo ornamental. No caso especifico da propaganda esta conceituação foi mais do que verdadeira. O art nouveux era (e é ainda hoje) o valor agregado à criação. Na propaganda brasileira veio substituir as molduras tipográficas tradicionais, já desgastadas, baseadas em arabescos e sinais fartamente divulgados durante quase um século. Então, enveredamos por um outro caminho, uma outra linguagem visual com prevalência de curvas, os produtos no contexto de sedutoras figuras femininas envoltas em longas cabeleiras, ornamentos de flores, mosaicos, pássaros, borboletas, estrelas… Elementos que ainda hoje nos seduzem, ainda mais com os recursos que os programas de imagem possibilitam aos nossos diretores de arte. Saudemos o estilo art nouveaux como diferencial na propaganda; enquanto não for banalizado será sempre um colírio para os olhos. Como a imagem do anúncio de Muchá aqui reproduzido.