Posts por categoria ‘Comunicação Digital’

TV digital no telefone. 70 anos depois

5 dAmerica/Chicago Dezembro dAmerica/Chicago 2008

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A julgar pelos números divulgados pelo Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre- SBTVD, em torno de 150 mil brasileiros estarão assistindo televisão até o final do ano pelo telefone celular, Iphone ou similares. O número pode ser menor já que a estimativa refere-se a plataformas móveis, nesse caso incluídos aparelhos de TV portáteis, em todo caso uma referência numérica.

O fato é que um ano após a implantação do sistema de TV digital no Brasil, realiza-se o sonho de nossos antepassados, os técnicos que idealizaram a telinha e já em 1935 com o avanço dos receptores de alta definição de imagem para a época, 120 e 240 linhas, perguntavam-se: qual a plataforma ideal para se assistir a TV? O rádio ou o telefone?

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O articulista A. Castellani em matéria publicada na revista “Sapere” de Milão indagava:” Poderemos ver ao próprio aparelho telefônico a imagem viva de quem está falando e ao mesmo tempo sermos vistos pelo interlocutor? Poder-se-á assistir na própria casa a qualquer acontecimento que tenha lugar na própria cidade ou algures? “.

Mais adiante define o que considera a melhor opção: “O escopo da televisão é difundir pelo rádio, imagens vivas próprias de uma cena teatral… O fim principal é, portanto bem diferente do da aplicação da televisão ao telefone. O que se verificou com o telefone (isto é, teve-se primeiro o telefone e depois a radiotelefonia) não se pode verificar com a televisão por motivos que logo veremos”. Catellani conclui que a plataforma da TV será o rádio acoplado a um aparelho com a válvula catódica e assim descreve o equipamento para uma eventual recepção à domicílio:  “um radio-receptor especial de onda ultra-curta para captar as ondas que transmitem as imagens e um rádio-receptor normal para captar as ondas que transmitem os sons e, portanto, poder acionar o respectivo altofalante”. 

Do outro lado do oceano, o editorialista do “Popular Mechanics” de Chicago imaginava uma tela minúscula de no máximo 5 x 7 polegadas, ou seja, um pouco maior do que a tela do Iphone, tamanho então considerado ideal para se ter uma imagem de razoável definição.

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No ano seguinte (1936) o técnico Augusto Hogony na revista “Sapere” comparava a tela de TV com a do cinema e observava: “O que importa é o ângulo sob o qual é visto o quadro. Nem todos os construtores compreendem a importância psicológica, com quadros tão pequenos, de eliminar do campo visual tudo que possa distrair a atenção e lembrar as verdadeiras dimensões da imagem”. Hogony calculava em três anos o tempo para se implantar a TV na Alemanha, a depender do alto custo dos transmissores e cabos, investimento muito elevado para uma cobertura em torno de 70 kilometros, mas lamentava a falta de um padrão definido de monitor. Não diz no seu artigo, mas referia-se as experiências realizadas simultaneamente e sem interação entre sim, nos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha.

O fato é que a iminência e realidade da II Guerra Mundial adiaram os planos desses paises. A Alemanha fez cobertura fechada das Olimpíadas de Berlim, Os engenheiros da Baird na Inglaterra promoveram experiências em eventos públicos, enquanto os americanos realizavam transmissões experimentais no seu território e também em Cuba e no México. Com o fim do conflito e a ruína dos paises Europeus, os Estados Unidos definiram o padrão de TV, o tipo de monitor, a plataforma e até a infra-estrutura com a RCA fabricando e vendendo transmissores e antenas pelo mundo afora. Definiram também os conteúdos, a partir da indústria do cinema adequada a um modelo de seriados, os famosos enlatados, o nome uma referência à embalagem em que vinham acondicionados os rolos.

Os nossos antepassados imaginaram a TV como um complemento do rádio e do telefone. Bobinhos eles, mas estavam certos.

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 25/11/2008

Números/referências históricas da TV Digital

26 dAmerica/Chicago Novembro dAmerica/Chicago 2008

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A TV digital conta com apenas 635 mil usuários, num universo potencial de 40 milhões de telespectadores, segundo informou o Fórum do Sistema Brasileiro da TV Digital Terrestre-SBTVD, a noticia repercutida pelo Portal Imprensa semana passada. É claro que os números são estimativas baseadas nas vendas de 150 mil receptores fixos e mais 150 mil móveis e o registro final obtido calculando-se 3,3 telespectadores por receptor fixo e um pelo móvel, faz sentido. Ou seja, transcorrido um ano da implantação da TV digital no Brasil, constatamos que de 190 milhões de habitantes apenas 0,3 % da população usufrui do sinal em HD e não mais do que sete estados implantaram o sistema.

Os números são razoáveis se comparados com o registro histórico da implantação, primeiro da TV propriamente dita no Brasil, mais tarde da TV a cores. Em 1951, um ano após Assis Chateaubriand inaugurar a TV Tupi, a indústria informava a venda de 3.500 monitores em São Paulo e Rio de Janeiro. O Brasil tinha 52 milhões de habitantes e não é preciso ser matemático para se aferir o percentual de brasileiros sem acesso à TV, mesmo com os cálculos feitos naquele tempo de 8 telespectadores por aparelho. Em bairros de periferia e nas regiões metropolitanas o hábito de “televizinhos” favorecia essas estimativas generosas.

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Transição lenta


O fato é que somente em 1954 se chegou a uma equação próxima do 0,3% atual da TV digital. Nesse ano o Brasil tinha 58 milhões de habitantes e a Associação Brasileira da Indústria Eletro-Eletrônica calculava a existência de 34 mil aparelhos em uso no país. As agências de propaganda estimavam 6 telespectadores por monitor, ou seja, em torno de 200 mil usuários. Muitos anos depois, 1972, o Brasil conhecia a tecnologia da televisão cores que na época também demandou grandes investimentos em infra-estrutura, do Governo, das emissoras de TV e dos telespectadores. O monitor colorido era caro, mas diferente dos primórdios da TV era um desejo de consumo da classe média. Tanto que 68 mil aparelhos foram vendidos no primeiro ano, num contexto de 1.1 milhão de monitores comercializados e 6,2 milhões de equipamentos em uso no país.

Ou seja, no primeiro ano da TV policromática já tínhamos 68 mil aparelhos coloridos, cobertura estimada em 300 mil usuários para a população de 99 milhões de habitantes. Se fizermos as contas constatamos que é um número bem próximo da equação 0,3% de usuários Vs população, recém divulgada para a TV digital. Mas, a transição da TV em preto e branco para a TV a cores não foi tão célere assim.

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È claro que não tinha prazo, diferente da TV digital que tem data marcada para substituir o sinal analógico. Em 1989, por exemplo, 17 anos após a estréia da TV a cores, com a transmissão do desfile da Festa da Uva de Caxias do Sul (RS), a Lintas nos informava que o Brasil já possuía 30,1 milhões de receptores de TV. Nesse contexto, 18,3 milhões de monitores coloridos, o que vem a ser apenas 60%. Em fim, para encerrar esta conversa chata de números não custa lembrar que no ano 2000, ou seja, quase três décadas transcorridas da implantação da tecnologia de TV a cores no Brasil, ainda se fabricavam os últimos monitores em preto e branco no Brasil. Não corremos mais esse risco. A TV a tubo tem os seus dias contados, os conversores acoplados estão aí e a Copa do Mundo de 2014, com certeza, se encarregará de acelerar e encurtar os prazos. ARTIGO DE MINHA AUTORIA ORIGINALMENTE PUBLICADO NO PORTAL IMPRENSA EM 17/11/2008

Da TV no Rádio à TV Digital

21 dAmerica/Chicago Novembro dAmerica/Chicago 2008

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Os inventores da televisão não tinham a menor idéia da utilidade prática de seu invento. Cientistas desenvolveram em lugares diferentes do mundo protótipos da câmera de captar imagens, componentes para a transmissão, alguns deles aproveitados e adaptados da infra-estrutura já existente do Sistema de Telefonia sem Fio - STF e então alguém lembrou que seria bom ter um monitor.  

Nessa evolução do invento imaginaram a televisão como uma extensão do rádio, daí os aparelhos fabricados em madeira (1928), formato horizontal, 20 cm de altura, de um lado o amplificador, do outro uma tela de 4 polegadas. Ou seja, um aparelho de rádio com imagem em miniatura. Qualidade de reprodução compatível à do cinema de início do século, guardadas as proporções da tela; imagem com 120 linhas de composição, o que vem a ser 8 % da nitidez garantida hoje pelos melhores aparelhos de LCD disponíveis no mercado. 

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Números modestos

Hoje, transcorridos 80 anos do lançamento dos monitores aqui descritos, os baianos logo poderão assistir a televisão em alta definição (HD), o sinal de TV digital disponibilizado para o usuário, a partir de 1º de dezembro, na TV Bahia, pioneira no Norte e Nordeste, na implantação do sistema. É o marco simbólico de uma nova tecnologia que numa década, segundo estimativas do Governo, deverá substituir o sistema analógico. Temos duas Copas do Mundo pela frente como incentivo para a sua definitiva popularização no país, uma mãozinha para cumprir os prazos.  Enquanto isso os números são modestos: O Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital divulgou semana passada que apenas 0,3 dos brasileiros têm acesso hoje à TV digital. Mas, a mais surpreendente revelação do SBDTV, a mídia não repercutiu, é que metade dos monitores aptos a receber o sistema hoje são plataformas móveis, ou seja, aparelhos de celular, iphones e similares. 

O fio da história

Retomo o fio das origens da TV para transcrever um trecho da revista “Sapere” de Milão, edição de 1935:” De fato, o escopo da televisão é difundir circularmente por médio do rádio, imagens vivas próprias de uma cena teatral, um filme, uma festa esportiva, da mesma forma como hoje se difunde radiofonicamente uma comédia”. Prossegue o articulista: “Para o rádio receber em domicilio a televisão e ao mesmo tempo ouvir os sons da cena transmitida serão necessários o televisor constituído pela válvula catódica, um rádio-receptor especial de onda ultra-curta para captar as ondas que transmitem as imagens e um rádio-receptor normal para poder acionar o respectivo alto-falante. Sons e imagens serão sincrônicos, graças às estações transmissoras”.  Um outro artigo, da revista “Popular Mechanics” de Chicago (1936), lembra as experiências primitivas com monitores de 120 linhas de definição de imagem, mas o ponto alto da matéria está na descrição das vantagens do sinal na TV:” Um rosto em televisão não aparece chato. O telespectador vê realmente o contorno esférico. Os operadores pintam as imagens com uma camada de um branco nebuloso e usam tintas pretas para assinalar as rugas”. Mais adiante antecipando a tecnologia de 240 linhas de definição de imagem o articulista considera dispensável essa produção: “Para a transmissão na base de 240 linhas pouca caracterização será necessária. Dessa forma as imagens serão transmitidas e recebidas quase em estado natural”. 

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Ciência e mercado

O fato é que ontem como hoje tecnologia é apenas um projeto. Naquele tempo as coisas ocorreram de forma bem diversa ao planejado. É claro que a II Guerra Mundial encarregou-se de adiar a implantação da TV, estabeleceram-se prioridades e, findo o conflito, uma nova ordem do mundo que se refletiu na legislação para o setor (concessão do Estado com operação do Estado, na Europa, e da iniciativa privada na América) e no monopólio dos fabricantes de infra-estrutura.  Desta vez a tecnologia é ao mesmo tempo ciência e mercado e não tem mais o desafio de construir audiências que já existem. O cerne da questão é apenas a migração que pode não ocorrer como planejado.

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Nossos bisavôs imaginaram a televisão como um rádio com imagem e estavam certos: sonoplastia para imitar a realidade era a melhor referência que tinham. Nossa geração raciocina a TV digital como uma extensão da TV analógica e nisso também está certa: entretenimento para um telespectador passivo, antes sentado na sala, hoje deitado na cama, é a nossa referência mais factual.  Trabalha-se hoje com um cenário real de alta definição e um hipotético de interatividade, multiplicidade de programação e diversidade de plataformas. Parece simples, mas melhor seria “combinar com os Russos”, parodiando a genial frase de Garrincha na Copa de 58. O telespectador, se é que continua no papel de mero espectador, é quem vai determinar o usufruto dessa nova tecnologia que implicará na re-invenção da produção de conteúdo, práticas comerciais e sistemas de distribuição.  Artigo de minha autoria originalmente publicado no Correio da Bahia em 20/11/2008

Hora do Reclame:O coração bate mais alto dentro de um Chevrolet

16 dAmerica/Chicago Setembro dAmerica/Chicago 2008

No dia em que a General Motors comemora 100 anos de atividades em todo o mundo, 16/08/2008, o Blog  do Almanaque da Comunicação registra uma das mais belas trilhas sonoras criadas por agências brasileiras para campanhas da companhia. Refiro-me ao clássico criado pelo estúdio de Zê Rodrix e Sá Guarabira (A Voz do Brasil), uma bela melodia que marcou época, criada no final da década de 80; os versos faziam referência ao conforto do silêncio do veículo (Opala) naquele tempo um diferencial: “É no silêncio de um Chevrolet/Que o meu coração bate mais alto/Enquanto o mundo perde a forma eu encontro em mim/E é aqui que eu sempre vou seguir meu coração/Bate mais alto dentro de um Chevrolet…”

Zê Rodrix não apenas criou a trilha como cedeu a sua imagem, ele mesmo aparece tocando os teclados. Já era considerado um jinglista de primeira linha. Teria a oportunidade de confirmar esse seu talento para a produção comercial criando alguns clássicos ainda hoje em evidência como ” Quem disse que não dá, na Finivest dá” ou ainda “De mulher para mulher, Marisa”, dentre outros. O jingle foi criado de última hora, segundo confidenciou o compositor, certa feita, durante um show. O fato é que o Brasil inteiro cantou a musica e ainda há quem sustente um boato da época de que a McCann teria tirado o comercial do ar porque a trilha chamava mais a atenção do que o produto. Será?

Segundo especialistas a trilha de Zê Rodrix para o Chevrolet tinha um ritmo de 80 ciclos por minuto que o compositor definiu como o ritmo do coração de uma mãe amamentando o filho. Essa escolha foi feita a partir de uma pesquisa do grupo Pink Floid que apontava 80 ciclos como o de maior efeito subliminar sobre os auditórios. Deu certo a experiência e quem lucrou foi a GM.

Para conhecer outras campanhas históricas da GM no Brasil siga este link: www.almanaquedacomunicacao.com.br

Assista ao vídeo com Zê Rodrix

A História da Câmara Digital Narrada Pelo Inventor

30 dAmerica/Chicago Outubro dAmerica/Chicago 2007

Narrativa de Stewe Watson, inventor da Câmara Digital, em blog interno da Kodak, reproduzido no Brasil pelo site W-News em 26/10/2007

“Em dezembro de 1975, depois de um ano juntando um monte de novas tecnologias num laboratório nos fundos do Centro de Elmgrove, em Rochester, nós estávamos prontos para testá-la. “Ela” era um estranho conjunto de circuitos digitais que nos tentávamos convencer de que seria uma câmera portátil. Tinha uma lente que pegamos de uma caixa de peças usadas da linha de produção de câmeras Super 8 logo abaixo do nosso laboratório no segundo andar do Prédio 4. Na lateral da nossa invenção portátil, nós prendemos um gravador de fitas cassete. Junte a isso 16 baterias de níquel-cádmio, um novo tipo de sensor CCD altamente temperamental, um conversor analógico/digital roubado de um voltímetro digital, algumas dúzias de circuitos digitais e analógicos conectados em aproximadamente meia dúzia de placas de circuito e você tem a nossa interpretação de como uma câmera fotográfica portátil totalmente eletrônica deve ser”

“Era uma câmera que não usava nenhum filme para capturar imagens estáticas – uma câmera que capturava imagens usando um sensor CCD, digitalizava a cena capturada e gravava a informação digital em um fita cassete. Ela demorava 23 segundos para gravar a imagem digitalizada na fita. A imagem podia ser vista removendo a fita da câmera e colocando-a em um aparelho de reprodução personalizado. Este dispositivo incorporava um toca-fitas e um sistema que recebia os dados da fita, interpolava as 100 linhas de captura para 400 linhas e gerava um sinal de vídeo NTSC que era, então, enviado para um televisor”

“Aí está. Nenhum filme necessário para capturar e nenhuma impressão necessária para ver suas fotos. Isso foi o que demonstramos para muitas platéias internas da Kodak ao longo de 1976. Naquela que deve ter sido uma das mais insensíveis escolhas de um título de apresentação na história, nós a chamamos de “Fotografia sem filme”. Isso é que é animar o público! (N.T.: a produção e venda de filmes era um dos principais negócios da Kodak).Depois de tirar algumas fotos das pessoas presentes na reunião e exibi-las na TV, as perguntas começavam a surgir. Por que alguém ia querer ver suas fotos na TV? Como você armazenaria essas imagens? Como seria um álbum de fotos eletrônicas? Quando este tipo de abordagem estaria disponível para o consumidor?…

“Eu guardei a câmera-protótipo comigo enquanto passava por diferentes áreas da empresa ao longo dos últimos 30 anos, principalmente como uma lembrança pessoal deste mais divertido projeto. Exceto pela patente, não houve nenhuma divulgação pública do nosso trabalho até 2001. Muitos desenvolvimentos aconteceram entre este trabalho inicial e hoje. Computadores pessoais, a Internet, conexões de banda larga e impressão fotográfica pessoal são apenas alguns desses. É engraçado lembrar deste projeto e perceber que nós não estávamos realmente pensando nele como a primeira câmera digital do mundo. Nós estávamos olhando para ele como uma possibilidade distante. Talvez uma frase do relatório técnico escrito na época resuma melhor: A câmera descrita neste relatório representa uma primeira tentativa de demonstrar um sistema fotográfico que pode, com melhoras na tecnologia, impactar substancialmente a forma como as fotos serão tiradas no futuro”

Viral. Espontâneo ou Programado ?

1 dAmerica/Chicago Outubro dAmerica/Chicago 2007

Agora é assim, vamos nos acostumando. Viral já tem pre-lançamento, estréia, hora marcada e até expectativa de audiência. Pelo andar da carruagem breve estaremos realizando pre-testes, pesquisas qualitativas, calculando custo-benefício, programando mídia auxiliar e ações de RP para divulgar e “detonar”, no bom sentido, o comercial a ser veiculado especificamente na internet, midia espontânea ou quase isso. Não estamos muito longe dessa nova realidade. Senão vejamos: estréia hoje um novo viral da Ogilvy para seu cliente Dove, fadado ao sucesso, a agência até se deu ao luxo de um “avant premier” durante o Advertising Week, realizado semana passada. E o viral já é noticia antes de ir ao ar, é claro que conta com o “recall” emprestado de “Dove Evolution”, criação da mesma Ogilvy, Grand-Prix do Festival de Cannes e mais de 5 milhões de views no YouTube. Ou seja, o viral está deixando de ser apenas um formato de mídia, para ser a mídia principal, em alguns casos, com recursos de super-produção e o concurso de outras ferramentas de comunicação integrada. Podemos apostar a curto prazo em dois cenários: viral de pobre que será um filme colocado na internet para ver o que dá e viral de rico, “programado” para acontecer, num contexto de “campanha espontânea”. Assista o novo viral, já anunciado como um novo sucesso:

TV Digital. Multiprogramação É Utopia

23 dAmerica/Chicago Setembro dAmerica/Chicago 2007

Faltam menos de quatro meses para a entrada da TV digital no ar e pelo visto tudo que teremos em 2 de dezembro é meras expectativas e muitas indefinições, ainda pairando no ar, um processo em andamento que será longo e nem sempre corresponderá ao modelo planejado ou idealizado. Nesse caso, melhor entender a data de inauguração oficial do novo sistema de Televisão como apenas um marco cronolôgico. Do ponto de vista do consumidor tudo que ele pode esperar, neste momento inicial, é uma melhor qualidade de imagem, mas do ponto de vista dos conteúdos o caminho para se ocupar os 1893 canais (distribuidos por 478 geradoras que deverão atingir 110 milhões de habitantes), conforme previsto pelo plano básico da Tv Digital, é mais acidentado do que parece. A começar pela disposição das grandes redes de Tv que não tem a menor intenção de disponibilizar aos usuários a opção de 4 canais simultâneos, a chamada multiprogramação, vendida aos brasileiros como o grande charme do novo modelo de televisão. Multiprogramação significa custo e não receita e nada indica que o bolo publicitário venha aumentar por isso. Como não ha perspectiva, a curto prazo, de aumento das verbas dos anunciantes, as grandes redes terão de optar entre produzir um programa de alta qualidade, o que na atual conjuntura já é um desafio, ou quatro de qualidade inferior pelo mesmo custo. Mas se nos primórdios da TV digital a multiprogramação nas redes privadas parece uma utopia, ela poderá ser uma realidade na TV Pública e esse deve ser o seu grande diferencial competitivo.

Quanto ao modelo empresarial adotado com prevalência das emissóras de TV sobre as empresas de telefonia, também podemos esperar “ajustes”, nada parece definitivo e ao que tudo indica caberá ao Congresso, mais cedo ou mais tarde, aprovar uma nova lei que leve em conta a convergência de tecnologias. Enquanto isso as empresas de telefonia comem pelas beiradas, já são acionistas da NET (Telmex) e da TVA (Telefônica) e apostam no tempo e na disposição do consumidor para reiniciar a batalha em torno da geração de conteúdos. Fôlego tem para isso, o setor movimenta 140 bilhões de reais por ano, contra 10 da mídia televisiva. Em qualquer lugar do mundo teriam um maior poder de barganha, mas não podemos esquecer que o Congresso brasileiro tem a sua bancada da mídia, deputados e senadores concessionários de emissoras de rádio e TV. Em 2 de dezembro, no calor da festa, tudo será convergência. A divergência começa no dia seguinte.�

Microsoft prepara tela preta contra softwares piratas

13 dAmerica/Chicago Setembro dAmerica/Chicago 2007

A Microsoft negou que tenha acionado uma medida antipirataria no Windows Vista que resultaria em uma “tela preta” para cópias não-licenciadas OEM - distribuídas pelos fabricantes de equipamentos - do sistema operacional, mas a gigante do software não descarta adotar o recurso no futuro.De acordo com um e-mail de um parceiro OEM da Microsoft que vazou para a imprensa, a severa restrição antipirataria, conhecida internamente como “funcionalidade reduzida”, seria habilitada essa semana, deixando as cópias pirata sem menu, barra de tarefas, área de trabalho e com apenas uma hora de navegação na internet até que a tela ficasse preta.Respondendo a uma reportagem do Computerworld, um porta-voz da Microsoft disse que a informação repassada era imprecisa e que a Microsoft não implementou a atualização que habilitaria o modo de funcionalidade reduzida em cópias não-validadas do Windows nesta semana.No entanto,o porta-voz indicou que a medida antipirataria está sendo preparada na forma de uma atualização do Windows Genuine Advantage (WGA).

Fonte: Computerworld Austrália/IDGNow

A questão dos filtros de publicidade na internet

11 dAmerica/Chicago Setembro dAmerica/Chicago 2007

No seu artigo dominical do O Globo”, o colunista Elio Gaspari discorre sobre a hora da “vingança” ou “desforra” para quem trafega na Internet, graças à rápida expansão do “Adblock Plus”, um programa de computador capaz de bloquear ou filtrar anúncios. É a primeira vez que o assunto é abordado numa coluna e veículo de grande audiência, enquanto isso o programa disponibilizado gratuitamente se espalha como um vírus, mais de 300 mil usuários por mês, segundo informa o jornalista. A verdade é que o assunto já é um tema polêmico nos sites especializados,desde meados do ano. Não apenas o Adblock (que só funciona no navegador Firefox, não no Explorer), mas outras ferramentas como o “hosts” que barra a distribuição de anúncios diretamente dos servidores que hospedam redes de publicidade, estão na mira dos empresários do setor; já há até iniciativas no sentido de boicotar o Firefox e por tabela o Mozila Corp, rotulado de “promotor do roubo”. Roubo de publicidade evidentemente.

O criador do Adblock, Wladimir Palant,defende-se com o seguinte argumento: a popularidade de seu produto é conseqüência do design pobre dos web sites,o que sobrecarrega a página de anúncios. O seu argumento é irrefutável, mas não justifica a iniciativa de criar uma ferramenta contra a publicidade. Tudo indica que haverá uma reação maior do que os movimentos de bastidores até hoje engendrados, pois admitir o fim da publicidade seria apostar no próprio sucesso, qualificação e expansão da Internet. Apesar de tudo essas iniciativas nos colocam diante de uma realidade: a poluição na web por banners, flashes, pop-pus no limite do suportável. Ninguém agüenta essa avalanche. E se a publicidade quiser de fato avançar e conquistar audiência deve repensar os seus formatos, insertos e sobretudo o espaço ocupado no contexto (na amplitude da tela). Do contrário terá mais Adblocks de todo gênero nos seus calcanhares.

Pesquisador relembra origens da internet no Brasil

4 dAmerica/Chicago Setembro dAmerica/Chicago 2007

Quem se interessa pela história da web no Brasil deve ouvir o depoimento do Demi Getschko, um dos engenheiros da Fapex que em inicios da década de 90 promoveu a primeira transmissão de internet no país. Em entrevista concedida ao site IdgNow, um dos links deste blog, disponível em arquivo MP3, Getschko revela que desde 1988 o Brasil já tinha um link com os Estados Unidos funcionando e data do ano seguinte o registro do domínio “Ponto Br”. Mas foi em janeiro de 1991 que efetivamente se fez a primeira transmissão: direto do laboratório Fermi de Illinois para a Fapex. Não era propriamente internet, nos moldes em que a conhecemos hoje, pois o www ainda não existia. Getschko fala do número de pessoas no Brasil envolvidas com o projeto, do momento em que a rede sai do âmbito acadêmico e se torna comercial, da sua experiência com o primeiro portal gratuito o IG, em parceria com o Nizan Guanaes, dentre outros assuntos. Declara a sua expectativa, surpresa mesmo, com a velocidade como o Brasil respondeu ao desafio tecnolôgico. Ele imaginava que tão cedo não teríamos banda para dar atendimento à imagem e o que se viu foi exatamente o contrário: investimentos em fibra óptica e outras tecnologias, logo disponibilizadas para a expansão da Internet. Ouça a entrevista completa no site aqui recomendado. Vale a pena.