Hora do Reclame: A Propaganda Política no Cartão Postal
25 dAmerica/Chicago Outubro dAmerica/Chicago 2008Na primeira década do século XX o marketing político descobriu o cartão postal. Até então o jornal era o veículo para se fazer propaganda dos candidatos, porém não qualquer jornal e sim o que representava o partido; estamos falando de um tempo de uma imprensa claramente engajada e os veículos assumidamente liberais, conservadores, monarquistas ou republicanos. Em tempos de eleições os anúncios insinuavam-se na primeira página, anúncios em traço enfatizando as qualidades do candidato, ou apenas um convite formal para sufragar o seu nome. Fora o jornal era o merchandising de rua que prevalecia e também as ações promocionais do tipo chuva de papel picado.
A propaganda política era proibida nos bondes, bom senso dos gringos da Light que provavelmente evitavam encrencas. Uma oportunidade a menos para os políticos, já que os cartazes no bonde eram efetivamente a mídia de massa, naquele tempo, atingindo centenas de milhares de pessoas. Mas o cartão postal, pelo contrário, não apresentava restrições, era glamouroso e de acabamento refinado e atingia o público alvo, sem dispersão, pois as eleições eram zonais. Bastava distribuir os cartões nos cafés, bilhares e armazéns da zona eleitoral, freqüentados por homens que apenas os homens votavam.O cartão postal propiciava, ainda, mensagens lúdicas, de humor e para atingir adversários a imagem valia mais do que mil palavras.
Cores e efeitos especiais
A impressão em tricomias e policromias era sedutora e o cartão-postal que era a coqueluche do momento, ainda permitia efeitos especiais como o do postal aqui reproduzido da campanha (1907) de Fernando Abbott à Presidência do Estado do Rio Grande do Sul. O cartão lido à altura dos olhos, no sentido horizontal revelava “Fernando Abbott, o melhor candidato a” e no sentido vertical “Presidente do Estado do Rio Grande do Sul”. Em 1922 as campanhas de Nilo Peçanha e Arthur Bernardes abusaram do cartão-postal. A disputa entre Julio Prestes e Getúlio Vargas (1930) também valorizou esta mídia, através de motivos originais ou reproduções de cartazes. Cartões-postais ilustrados eram a tônica e seguramente os de maior acolhida, com certeza os de maior impacto. Mas também existiam os cartões-postais convencionais com o retrato formal do candidato e no verso um convite ao eleitor, ou o testemunhal de um chefe-político.
Provavelmente enviados pelo correio, diferente dos ilustrados que tinham uma distribuição mão-a-mão. Em 1932 o cartão postal é um dos melhores veículos para divulgar os slogans, dos revolucionários que se abrigavam sob a sigla M.M.D.C. iniciais dos combatentes mortos logo no início do conflito. Em 1935 o cartão postal como mídia política estava no auge. Servindo à UDB, o Partido Integralista, o Governo e partidos alinhados que após a Intentona Comunista se esforçavam em dramatizar os males do comunismo através de intensa propaganda contra os vermelhos.
Matéria de minha autoria originalmente publicada na Revista Propaganda, edição de setembro/2008. Fotos-referência do livro de Samuel Golberg “A propaganda no cartão postal”.















