Posts por categoria ‘Livros’

Memória do Rádio. Um livro de Perfelino Neto

24 dAmerica/Chicago Março dAmerica/Chicago 2010

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Uma das Lacunas na bibliografia baiana de comunicação começa a ser preenchida com o livro “Memória do Rádio” de Perfelino Neto, lançado semana passada. O título da obra nos remete ao programa apresentado pelo radialista na Rádio Educadora (Irdeb), diariamente, às 22 horas, programa de fôlego que já contabiliza mais de 1.300 edições, um valioso acervo a ser disponibilizado um dia para os estudiosos do assunto, não apenas na Bahia, mas no Brasil. Não tenho referências de nenhum outro trabalho do gênero, semelhante em volume, regularidade e conteúdo, em outro Estado.

O livro de Perfelino que já prepara um segundo volume sobre o tema é a pedra fundamental de um trabalho de reconstrução da memória do rádio baiano, do qual não existe até hoje quase nenhuma referência, a não ser artigos e entrevistas publicados em jornais, raros trabalhos acadêmicos e o livro comemorativo dos 25 anos da Rádio Educadora, da autoria do João Leite, editado em 2003. Cabe citar aqui também o trabalho de Othon Jambeiro, Tempos de Vargas: O Rádio e o Controle da Informação, editado pela Ufba em 2004.

Lacunas de pesquisa

Por uma estranha razão a Bahia não cultuou a memória do rádio baiano, perdeu os seus acervos, deixou apodrecer as referências em jornais e também não cuidou de ouvir os principais protagonistas do veículo. Alguns deles já se foram como Gastão do Rego Monteiro, Ubaldo Câncio de Carvalho, Adroaldo Ribeiro Costa, Everton Visco, Pacheco Filho, Antônio Sampaio, Renato Mendonça, Antônio Roberto Pelegrino, Milton Barbosa, dentre outros. Mas se os que já se foram não mais podem falar, ainda há um seleto grupo de radialistas com DNA do legítimo rádio baiano que podem contribuir com os seus depoimentos, a preencher as lacunas de informação existentes.

Nomes como os de Jorge Santos, Manoel Canário, Cid Teixeira, José Jorge Randam, França Teixeira, D’Jalma Costa Lino, José Athaide, Ivan Pedro, D’Jalma Bahia, Milton Santarem, Pedro Ferreira e o próprio Perfelino Neto com a sua vivência de quase meio século de estúdio, enriquecida com o seu olhar de pesquisador, zeloso na preservação da memória do radio na Bahia e no Brasil. Referências vivas, dentre outras que omiti por esquecimento e se isso ocorreu desde já peço desculpas.

O livro “Memória do Rádio” é a contribuição de um pesquisador baiano à memória do rádio no Brasil, tema que já conta com mais de meia centena de obras publicadas, dentre os quais cabe destacar os trabalhos de Assis Barbosa, Eduardo Meditsch, Sérgio Cabral, César Ladeira, Érica Ribeiro, Rafael Casé, Miriam Goldfeder, Doris Fagundes Haussem, Fábio Prado Pimentel, Lilian Maria Perosa, Maranhão Filho, Maria Cristina Marconi, Ricardo Medeiros, Renato Tapajos, Renato Murce, Luiz Carlos Saroldi, Sonia Virginia Moreira, José Ramos Tinhorão, Reynaldo Tavares, Octavio Augusto Vampré, dentre outros. Falei no início deste artigo na pedra fundamental e é isso que o livro de Perfelino Neto representa: os alicerces. O resto é com o próprio autor que planeja publicar quatro livros sobre o assunto  e outros pesquisadores do meio acadêmico e fora dele, admiradores da caixa falante.

Artigo publicado originalmente no Correio da Bahia em 17 de março de 2010

200 Anos De Imprensa No Brasil: Um livro de Barbosa Lima Sobrinho

11 dAmerica/Chicago Agosto dAmerica/Chicago 2008

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Barbosa Lima Sobrinho era Alexandre José, mas o Brasil nunca ficou sabendo disso. Foi com o seu sobrenome que escreveu em torno de 25 livros, assumiu uma cadeira de deputado federal, presidiu a Associação Brasileira de Imprensa por 16 anos (1925-29 e 1978-92) e tornou-se imortal da Academia Brasileira de Letras por mais de seis décadas. Faleceu no ano 2000, ainda lúcido, aos 103 anos de idade, reverenciado pela mídia. Mereceu. O fato é que Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho escreveu apenas dois livros sobre imprensa: o primeiro, objeto deste artigo, publicado em 1923 com o título “O Problema da Imprensa”, hoje (primeira edição) uma raridade bibliográfica de colecionador; o segundo, mais conhecido, publicado em 1979, a “Antologia do Correio Braziliense”.
 
Aos 26 anos de idade, então residindo no Rio de Janeiro, na época redator político do Jornal do Brasil, ex-colaborador do Diário de Pernambuco, Jornal Pequeno(PE), Correio do Povo (RS), Jornal do Commercio (RJ) e Gazeta (SP), Barbosa Lima Sobrinho lançou a obra aqui referida. “O Problema da Imprensa” editado por Álvaro Pinto, impresso na Tipografia do Almanak Laemmert, 286 páginas.

O tema não poderia ser mais atual (na época). Oportunidade que o jovem bacharel farejou, num momento em que o Brasil discutia as conseqüências da nova lei de imprensa, denominada de “lei infame” que o Governo autoritário de Arthur Bernardes acabaria por sancionar e que na prática representava um retrocesso. A referida legislação aumentava as penas já previstas no Código Penal, proibia o anonimato e relativizava as supostas ofensas, doravante um critério subjetivo do juiz. 

A contradição estado de sitio X lei de imprensa
A polêmica em torno do projeto de lei apresentado pelo deputado Adolfo Gordo envolvia, naquele momento, políticos, juristas, proprietários e funcionários de jornais, desta vez unidos em torno da mesma causa. O debate em torno da  “lei infame” de fato influenciou Barbosa Lima Sobrinho. No prefácio da obra revela essa sua motivação: “Num momento em que tanto se avolumou a campanha contra o jornalismo, alvo de uma lei opressora, pareceu-me oportuno expor os verdadeiros aspectos da imprensa, na coragem com que venceu obstáculos e na constância com que prepara o mundo para o porvir”.

Tinha plena consciência do verdadeiro objetivo da lei em curso, opinião que revela, já no escopo da obra: “Não custa a reconhecer que a campanha atual por uma lei de imprensa, surge, como todas as outras que se tem travado, de motivos de ordem política”.No capítulo A Campanha Atual e Seus Projetos expõe com todas as letras o seu ponto de vista: “Muita gente pensa, e não faz sigilo dessa convicção, que só se deve suspender o estado de sitio, depois de sancionada a lei de imprensa. Semelhante correlação entre matérias tão diversas e até opostas (o estado de sitio sendo realmente a suspensão de direitos individuais e a lei de imprensa uma demonstração da existência deles), levou os legisladores à adoção de medidas opressoras no seu projeto de lei”. E conclui: “Seria mais liberal que se discutisse e votasse uma lei dessa natureza em época de completa liberdade de imprensa”. Expõe, ainda, a sua convicção sobre o conceito de abuso: “Não há crimes propriamente ditos de imprensa: há abusos que são apenas da alçada da opinião pública”.

Paixões violentas
Nos 26 capítulos do livro o autor faz um registro das restrições à imprensa no mundo e no Brasil e as tentativas de se encontrar “O meio termo ideal entre a licença e a tirania” e finalmente as conquistas obtidas a muito custo, naquele momento ameaçadas pelo projeto de lei

em trâmite. Mas, o que torna a obra diferenciada em relação a outras do gênero é que Barbosa Lima Sobrinho não ficou apenas no registro histórico, faz uma profunda reflexão sobre o assunto, expõe abertamente as suas idéias; pretendia de alguma forma influenciar o debate parlamentar. Pena que não tenha conseguido, dadas as circunstâncias da época. No ano seguinte (1924) o jornalista era promovido a redator principal do JB. Um degrau superior na sua carreira como um mirante para melhor observar na prática as conseqüências da lei que no seu livro, com sabedoria, antecipou, seria extremamente nociva; expunha os motivos de sua convicção:  “está impregnada de paixões violentas e generalizadas”.  

Artigo de minha autoria inicialmente publicado no Portal Imprensa em 04/08/2008

Hora do Reclame-Marcas de Ziraldo

22 dAmerica/Chicago Setembro dAmerica/Chicago 2007

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Finais na década de 70 Ziraldo publicava “Celebrity Simbols” na Inglaterra e logo “My Friend Groucho and Other Marks”, nos Estados Unidos, publicações que hoje são raridades bibliográficas e inspiraram o artista gráfico a editar um livro do gênero no Brasil, intitulado “Marcas Nada Patentes”, com o selo da Editora Salamandra e parceria do designer Jun Yokoyama. Também uma publicação esgotada, apenas disponível em sebos, obra magnífica que revela o imaginário do cartunista em torno da expressão gráfica de conceitos, emoções, cidades e paises, personalidades…através de logotipos que contextualizam os seus pontos de vista, tudo isso com o humor que lhe é característico. As quatro marcas que hoje exibimos neste espaço (psicoanálise, sociedade de consumo, amor e nós mesmos) são apenas uma amostra do talento de Ziraldo que, cabe lembrar, iniciou a sua carreira na prancheta de uma agência de propaganda e ao longo de sua vida profissional ilustrou pelo menos uma centena de anúncios. E foi justamente esse “feeling” mercadolôgico, essa experiência do trato da imagen com o objetivo de persuadir, que lhe permitiu criar os elementos gráficos da obra aqui referida, exercitando o humor, sem perder de vista o foco. O artista desenhou as marcas de algumas profissões, mas ficou nos devendo as da publicidade e a do design. Ninguém é perfeito

Hora do Reclame

13 dAmerica/Chicago Agosto dAmerica/Chicago 2007

O comercial que você leitor do blog vai assistir hoje, neste espaço da Hora do Reclame, é um dos mais premiados da propaganda brasileira em todos os tempos. Um “Love Story” que tinha entre os protagonistas a atriz Giulia Gam, então, com 14 anos de idade; comercial criado pela agência Denver para o cliente Telebahia, nos idos de 1981. A criação é de Carlos Verçosa e Almir Fonseca, produção da Uggla Filmes, com direção de Ernani Bessa. Na época obteve o Grand-Prix do Fiap, Leão de Ouro no Festival de Cannes, Antena Dourada no Festival Telecom de Genebra e o cobiçado Clio Awards, dentre outros. O filme é uma raridade, vale a pena ser resgatado e por isso já o colocamos no YouTube. Assista:

Dicionário Histórico-Biográfico Da Propaganda no Brasil

25 dAmerica/Chicago Julho dAmerica/Chicago 2007

O livro referido de título acima, lançado pela Associação Brasileira de propaganda-ABP, editora FGV, contendo 210 biografias e 111 verbetes temáticos, já pode ser adquirido pela internet. A obra coordenada por Alzira Alves de Abreu e Crhristiane Jalles de Paula e mais uma contribuição à bibliografia de base para a construção de conteúdos que dizem respeito à história da propaganda brasileira. Pesquisadores sobre o assunto doravante terão nese livro uma referência para consulta, a exemplo do livro de Fernando Reis: “Cobrões da Propaganda” e o Dicionário de Marketing e propaganda de Zander Campos da Silva , também obras de base. No que me diz respeito sou fonte citada em mais de 50 verbetes da obra, pelo que abro um sorriso de orelha a orelha. O livro pode ser adquirido através do site www.editora.fgv.br