Posts por categoria ‘Geral’

A alma do negócio pelo tradutor do Google

10 dAmerica/Chicago Julho dAmerica/Chicago 2010

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Imitando Millor Fernandez que fez a tradução da imortal frase de Machado de Assis na entrada da Academia Brasileira de Letras pelo tradutor eletrônico do Google, apenas para “confirmar” a qualidade do robô em relação ao homem, fizemos a tradução de uma frase clássica, ainda que hoje superada pelo contexto da comunicação integrada, da publicidade brasileira: “A Propaganda é a alma do negócio”.

Confira o resultado:

Tradutor do Google

Português: A propaganda é a alma do negócio.

Alemão: Werbung ist die Seele des Geschäfts.

Japonês: 広告は、ビジネスの魂です。

Arabe: الإعلان هو روح الأعمال. 

Espanhol: Declaración es el alma de los negocios.

Russo: Декларация душа бизнеса.

Hebráico: הצהרת הנשמה של העסק 

Italiano: L’anima di una dichiarazione d’affari

Português: A alma de uma declaração de assuntos

O “seqüestro” de Pelé

20 dAmerica/Chicago Janeiro dAmerica/Chicago 2010

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Em agosto de 1969 a Frente de Libertação Nacional, movimento guerrilheiro atuante na Colômbia e Venezuela, planejou o seqüestro do Rei do futebol, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, um episódio ainda hoje pouco divulgado e praticamente ausente nas biografias e filmes sobre o jogador. Segundo os planos da guerrilha o jogador brasileiro seria tomado como refém para chamar a atenção do mundo, antes do jogo entre a Venezuela e o Brasil, a ser realizado em Caracas.

O “seqüestro” do Rei era apenas um boato, mas mobilizou toda a polícia venezuelana, em função dos incidentes ocorridos anteriormente nesse país quando a FLN sequestrara o campeão mundial de Fórmula 1 Juan Manuel Fangio e o craque argentino do Real Madrid Alfredo Di Stefano. Pelé desembarcou em Caracas sob um forte esquema de segurança que incluía 18 homens da polícia de elite (todos faixa-preta de caratê e campeões de tiro), cuja função era exercer uma forte marcação em torno do Rei, “zagueiros” escalados, segundo brincou a imprensa da época. A comitiva seguiu um roteiro alternativo e adentrou pela porta dos fundos do Hotel Ávila onde Pelé teria a sua disposição a suíte 120, enquanto a 119 e 121 seriam ocupadas por prepostos do exercito.

A revista Manchete (capa com Ted Kennedy) assim descreveu a operação: “Cinco horas ainda faltavam para a aterrissagem do avião em que viajava a seleção brasileira e, no hotel, os policias revistavam minuciosamente os aposentos em que ficaria Pelé. As fechaduras foram testadas, os interruptores, as torneiras, as descargas da privada, os móveis, as janelas e portas, os lustres e o ar condicionado foram examinados. Nenhuma bomba foi encontrada… Um dos inspetores, com sua turma, examinava os botijões de água que seriam utilizados pelo hotel a cada dia”.

Marcação contra a guerrilha

A reportagem de Ney Bianchi descreve o espanto do jogador com o exagero da segurança: “Quando viu os guarda-costas ficou preocupado. Quase não dormiu na primeira noite, ouvindo os homens caminharem em frente a sua porta durante horas e horas… Se Pelé se movia, o esquema completo se movimentava… Se resolvia sair para fazer compras, era acompanhado de perto por três homens, enquanto as viaturas de polícia seguiam-no a alguns metros de distância”. E prossegue: “Depois ele se acostumou e ficou amigo daqueles que zelavam tanto por sua segurança. O inspetor Fornerino tornou-se fã do Rei: Já demos proteção a muita gente importante. Fomos treinados especialmente para isso”.O mistério em torno desse episódio é que as outras revistas semanais sequer mencionam o esquema de segurança e a apreensão do Rei, o que sugere que a reportagem da Manchete tenha sido uma matéria sensacionalista. A revista Veja, por exemplo, entrevistou Tostão nas suas páginas amarelas e em nenhum momento mencionou o boato do suposto “seqüestro”.

Se foi uma reportagem sensacionalista, conforme a hipótese aqui levantada, em todo caso Manchete soube fazer: ilustrou a matéria com fotos que mostram um Pelé circunspecto cercado de meia dúzia de seguranças, e por três policiais com metralhadora na mão, num outro flagrante fotográfico (além dos detalhes na descrição do esquema). Segurança ostensiva produzida por Jader Neves, fotografo da revista, para validar o texto? Ou realidade, mesmo, que o resto da mídia preferiu escamotear?

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 18/01/2010.

Brasil e Eritrea. Repórteres Sem Fronteiras

28 dAmerica/Chicago Outubro dAmerica/Chicago 2009

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Se você não sabe o que é Eritrea você está tão mal informado quanto eu, deveria saber pois este pequeno país africano, agora você já sabe que é um pais, é um dos destaques do ranking do Reporters Whithout Borders, organização sem fins lucrativos que zela pela liberdade de imprensa, divulgado anualmente, sempre em outubro. Eritrea é banhado ao leste pelo Mar Vermelho, tem cinco milhões de habitantes, Índice de Desenvolvimento Humano compatível com o dos municípios do polígono das secas na Bahia. Famosa por ser o berço do elefante, segundo os paleontologistas e um dos santuários de hominídeos do mundo, Eritrea lidera agora o ranking mundial de atentados contra a liberdade de imprensa, superando Cuba, Birmânia, Iran e Coréia do Norte.

O Brasil não é destaque do ranking da organização Repórteres Sem Fronteiras, figura no meio da tabela, no 71º lugar, em todo caso onze posições acima, em relação ao ranking do ano passado, mas ainda distante do 54º lugar de referência do ranking de 2002, a sua melhor performance até agora. O que isso significa? Há hoje menos restrições à liberdade de imprensa do que no ano passado e muito mais do que em 2002 ? Não é essa a leitura correta que as aparências sugerem. Se olharmos o ranking com atenção verificamos que há dezesseis países com índice de 15 pontos e alguns decimais, muito próximos uns dos outros. O Brasil é o 71º, mas poderia estar no 55º, segundo essa linha de raciocínio.

Percepção

A organização Repórteres sem Fronteiras atua desde 1985 em favor da liberdade de imprensa. Vive de doações que são descontadas do contribuinte no imposto de renda, venda de camisetas e álbuns, possui escritórios em vários países e representantes, ou olheiros, em mais de 170 nações, incluindo o Brasil. São esses representantes que informam sobre as restrições e atentados sofridos pela imprensa. E aí a gente se pergunta: estamos tão mal na fita, por que? A nossa percepção é de que gozamos de liberdade de imprensa, com raras exceções. Mas não é essa a percepção dos avaliadores que enviam os relatórios para a sede da organização que vale ressaltar tem assento (estatuto) nas Nações Unidas.

A impressão que eu tenho é que nosso problema não é macro. Não é a censura imposta ao O Estado de São Paulo por um desembargador atendendo um pedido da família Sarney, ou a ação de traficantes contra repórteres do jornal O Dia, nem as várias interferências da justiça na imprensa regional que marcam pontos negativos no relatório do Repórteres Sem Fronteiras. O nosso problema está no varejo, na pequena imprensa do interior do país que é alvo recorrente de autoridades policiais e sicários contratados por prefeitos, deputados, vereadores. São episódios “menores” sequer noticiados pela grande imprensa que apenas destaca o fato quando a agressão ao radialista, ou jornalista resulta em morte.

Violência regional

O relatório do RWB sugere isso nas entrelinhas e cita nominalmente o Norte e Nordeste : “Potência regional, o Brasil (71º) se viu finalmente livre, a 1 de maio de 2009, da lei de imprensa herdada da ditadura militar, e beneficia dos esforços desenvolvidos pelo governo Lula em matéria de acesso à informação. Apesar dessas evoluções positivas, o país ainda padece de uma violência persistente contra os meios de comunicação nas grandes aglomerações urbanas e nas regiões do Norte e do Nordeste. A censura preventiva permanece ativa em certos Estados, nos quais as autoridades controlam a mídia local”. Vale a pena ler o relatório disponível em inglés, francés, espanhol, árabe, disponibiliza os rankings completos ano a ano. Leitura para reflexão. E agora que você sabe onde fica Eritrea, que tal incluir o roteiro em sua próxima viagem de férias? 

 Artigo de minha autoria originalmente publicado no jornal Correio em 22/10/2009

Setembro é o mês da imprensa

16 dAmerica/Chicago Setembro dAmerica/Chicago 2009

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Setembro é a semente da imprensa brasileira. Nesse mês do ano (o nono, número correspondente ao de uma gestação) em épocas diversas e contextos também diferenciados, nasceram os veículos de comunicação do Brasil. Um fato curioso que nada revela, além da simples, ou não tão simples coincidência. Se a cronologia da história da imprensa no Brasil tem algum sentido, não o sabemos. Secretos desígnios que o racional não consegue avaliar. Vamos aos fatos: Foi em setembro de 1.808 que surgiu o primeiro jornal brasileiro, editado em solo pátrio, a “Gazeta do Rio de Janeiro”, data que durante décadas foi referência do Dia da Imprensa, produzido na tipografia da Imprensa Régia.

No século vinte nasce o rádio, exatamente em 07 de setembro de 1922, com transmissões experimentais realizadas no contexto e no recinto da Exposição do Centenário da Independência, então perante a presença de convidados ilustres de outros países, o presidente Epitácio Pessoa como cicerone. Muitos anos depois surge a televisão: em 18 de setembro de 1950, data de inauguração da “TV Tupi”, iniciativa dos Diários e Emissoras Associadas, através de seu Diretor-Proprietário Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo. Já em finais da década de 80 o Brasil se conecta à rede internacional, então denominada de Bitnet, que permitia a troca de mensagens em escala mundial. E assim, em setembro de 1988, o Laboratório Nacional de Computação Científica do Rio de Janeiro dava o passo inicial da internet, através de uma conexão de 9.600 bits/segundo, estabelecida com a Universidade de Maryland.

Atrasos e datas marcadas

Por que setembro? A Gazeta do Rio de Janeiro, o nosso jornal pioneiro, e a TV Tupi, a nossa primeira emissora de TV, foram lançados em setembro porque esse foi o mês em que os veículos ficaram prontos. A Gazeta “atrasou-se” em função das dificuldades para montar os prelos que vieram encaixotados de Lisboa e durante meses ficaram na residência de um funcionário público. Demora na montagem e principalmente na sua operacionalização pela falta de mão de obra habilitada.

A TV Tupi, por sua vez, “atrasou-se” por um motivo similar, ou seja, a demora na montagem dos equipamentos, problemas na alfândega com as guias de importação e mais o tempo necessário para o treinamento de recursos humanos oriundos do rádio. Diferente do jornal e da televisão, o rádio e a internet surgiram em setembro após um planejamento, as datas previamente acertadas. O rádio nasceu nesse mês por conta das comemorações do Centenário da Independência.

O veículo surge, assim, num contexto político-histórico, com a data previamente marcada e providências tomadas para coincidir com a grande festa. A internet, por sua vez, nasce também com data programada, através dos contatos prévios feitos com uma universidade americana para a conexão pioneira aqui referida. Setembro, como se vê, por algum motivo tem o seu charme e cheira a tinta, ondas magnéticas, e bits. A propósito é bom lembrar que o Jornal Nacional, o telejornal de maior audiência, nasceu em 1 º de setembro de 1969. E um ano antes, 11 de setembro de 1.968 surgira “Veja”, hoje a maior circulação e índice de leitura das revistas semanais. Setembro é mesmo o Mês.

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 14/09/2009 

Michael Jackson: A máscara era de gesso

3 dAmerica/Chicago Julho dAmerica/Chicago 2009

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Michael Jackson deixou de respirar em 25 de junho, mas já era morto para o show-businness, desde meados da década de 90. Passara mais de quinze anos fora dos palcos e pelo menos oito longe de um estúdio de gravação. Michael Jackson não mais existia como artista. Administrava o seu próprio personagem, a representação da “commedia dell’ arte” veneziana: um molde que deveria lhe dar a feição de uma máscara de porcelana, mas que para sua desventura acabou sendo de gesso. Porcelana é barro cozido e misturado e se desfaz em pedaços inteiros quando quebra; o gesso vai sendo roído e vira pó. O menino da “Terra do Nunca”, tarde demais, descobrira que toda escolha implica em perdas.

Michael Jackson queria e precisava ser artista de novo e nesse desejo imaginou congelar o tempo, como na câmara de oxigênio que um dia o fez sonhar com a eterna juventude. Imaginava viver 150 anos. Preparava-se para retornar aos palcos, mas não mais tinha fôlego para tanto.

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Mike Tyson, outra máscara, ainda respira, fala e anda, mas, como Michael Jackson, já é morto. Já era morto em 1997 quando enfrentou Evander Holyfield e lhe arrancou alguns milímetros de orelha a dentadas, desclassificado por isso e punido, mais uma vez. Retornara aos ringues depois de três anos de prisão, cumprindo pena por estupro, acusado pela modelo Desiree Washington. Tyson voltara aos ringues para ganhar algum dinheiro e pagar os credores. A mesma necessidade de Michel Jackson que, segundo informa a mídia, administrava uma dívida de 500 milhões de dólares; parte dela seria saldada com a turnê londrina de 50 shows agendada para este mês.

Tyson e Jackson foram meninos prodígios revelados para o esporte e o show-businnes  precocemente. O primeiro oriundo do Brooklin, o segundo do Harlem, os dois bairros negros de Nova Iorque. Ambos lidaram com a rejeição, o racismo e a pobreza e já adultos transformaram-se em ídolos populares, remunerados com milhões e milhões de dólares. A imprensa exaltou os seus talentos. Mas também os seus conflitos que valeram ao pugilista alguns anos atrás das grades; ao artista vários processos por pedofilia, um deles resolvido mediante acordo financeiro com desembolso de mais de 20 milhões de dólares; o outro julgado a seu favor após longa exposição negativa na mídia.

Mike Tyson admitiu nos tribunais que usou um pouco de força. Michel Jackson declarou que não via mal nenhum em dormir na cama com garotos, seus convidados no rancho Neverland.  

Thriller

Dizem que quando criança Mike Tyson amava os pombos e teria surrado um garoto com chutes e socos até sangrar por ter arrancado a cabeça da ave. Jackson também amava os pássaros e segundo o “Daily Mirror” papagaios e outras aves voariam no palco na turnê “This is it”, prevista para Londres a partir de 13 de julho próximo. O cantor planejava ainda entrar em cena montado num elefante africano, dentre outras excentricidades, e ainda prometia efeitos especiais de clonagem para simular vários Jacksons pelo palco e de certo modo enriquecer a coreografia que já imaginava seria o ponto fraco a ser explorado pelos críticos. No seu retorno em 1997 Tyson poderia se dar ao luxo de cair no segundo, ou terceiro round que o seu cachê estaria garantido e a sua promessa de volta aos ringues seria cumprida. Mas, Michael Jackson, que estava com dificuldades para entrar em forma física e memorizar as coreografias, diferente de Tyson, não poderia cair no segundo ato. Tinha de levar o show até o fim. No mesmo pique, com a mesma energia. Um compromisso assustador. Como o “Thriller”. Então evocou o trecho da música em que escuta a criatura, por que a hora chegou: “ Você fecha os olhos e espera que seja tudo imaginação”.

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Correio da Bahia em 02 de julho de 2009

200 Anos De Imprensa No Brasil: Revista Veja e os bilhetinhos da censura

24 dAmerica/Chicago Julho dAmerica/Chicago 2008

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Na manhã de 03 de junho de 1976 a direção de Veja era informada, através de telefonema da Policia Federal, que não mais precisaria levar os dois exemplares impressos, provas de fotolito, para a repartição ou para a casa de Richard de Bloch, o censor designado para avaliar o conteúdo e segundo as instruções recebidas, liberar ou não a publicação.Terminava assim a censura prévia imposta à revista desde 6 de fevereiro de 1974 pelo motivo de Veja publicar, na seção de datas, nota informando que o arcebispo de Olinda dom Helder Câmara, tinha sido indicado para concorrer ao prêmio Nobel da Paz.

A censura prévia, na verdade, tinha sido apenas uma das modalidades de censura imposta à Veja e outras publicações desde a instituição do AI5 em 13 de dezembro de 1968. Na semana seguinte à vigência do ato era apreendida a edição número 15 da revista e doravante, até a instituição da censura prévia aqui referida, Veja receberia “recomendações”, por telex ou pelo telefone, de agentes da Polícia Federal, em torno dos assuntos que não deveriam ser divulgados. Rotina de muitos anos, ora interrompida pela presença eventual de censores na redação (terceiro trimestre de 1972), ou pela ação do diretor geral do DPF General Bandeira. Em 27/06/73, por exemplo, telefonou diretamente a Pompeu de Souza (diretor da sucursal de Brasília) proibindo a publicação de suposta matéria da revista, informando que a Câmara de Vereadores de Ponta Grossa negara ao General Médici o título de cidadão honorário. A matéria não existia e nem a redação de Veja sabia do assunto.

A burocracia
O fato é que a rotina de telefonemas e telex seguia um padrão burocrático estabelecido, segundo os bilhetinhos internos da Editora Abril que Paolo Marconi colheu e publicou no seu livro “A censura política na imprensa Brasileira,1968-78″. Segundo o autor as instruções eram passadas ao funcionário da Editora Abril W.Souza, ex-funcionário da PF que por sua vez as encaminhava ao Diretor Edgar Faria e este as repassava para Mino Carta, Roberto Civita ou Victor Civita em memorandos internos.

Num deles, datado de 31/07/73 Edgar Faria alertava sobre as implicações de um telefonema dando conta do descontentamento da policia com o tratamento dado por Veja “ao subversivo Geraldo Vandré”. Comentava: “Mino: Os homens estão sentidos”. Em 27/08/73 Souza encaminhava memorando contendo 11 proibições, entre as quais, as declarações de dom Helder, o relatório de Luis Carlos Prestes, a prisão do vereador Oldair Pinto… Em 24/10/73 alertava sobre a recomendação do General Bandeira de não fornecer “detalhes” sobre a prisão do delegado Sérgio Fleury, determinada pela 1ª Câmara Criminal de Justiça. Em 12/02/74 Faria encaminhava a Paulo Totti e Mino Carta anexo com uma lista de proibições “atualizada”, acrescentando a sua opinião pessoal: “o conceito de segurança nacional continua inchando, e, cada vez mais abrangente, terminara por lançar o manto da discrição sobre o guarda achacador da esquina”.

Sem cara de censura
A censura agia através de telex, telefonemas e censores, mas fazia tudo para guardar as aparências, inclusive recomendando: “é proibido dar aspecto de matéria censurada”. É que Veja providenciara, para preencher os buracos das matérias censuradas, gravuras de diabos e anjos e isso incomodava o regime. O General Bandeira era explícito: “Não se justifica que abaixo da noticia do Ministro Passarinho e ao lado da inauguração de 2000 Km de asfalto, apareçam duas figuras demoníacas”. Veja aceitava as ponderações. Afinal, para que cutucar o diabo com vara curta?

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 22/07/2008

Estamos de volta com uma novidade

11 dAmerica/Chicago Julho dAmerica/Chicago 2008

Ficamos fora do ar por alguns dias, por conta de ajustes técnicos, mas já estamos de volta e com uma novidade : lançamos o Portal do Almanaque da Comunicação onde você encontrará, inicialmente, em torno de 1.200 páginas de contéudo. Até o final do ano assumimos o compromisso de mais de 3.000 páginas. O nosso objetivo é construir um espaço de referência, dentro da web, da memória da comunicação. Acesse o Portal e divulgue entre seus amigos e conhecidos.

www.almanaquedacomunicacao.com.br

200 Anos de Imprensa no Brasil: Jornalismo sem pai e mãe

21 dAmerica/Chicago Junho dAmerica/Chicago 2008

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Há um erro recorrente nos livros de história da imprensa quanto às origens do jornalismo e o mais grave é que a internet se encarrega de multiplicá-lo através de milhares de blogs e sites, consolidando equívocos a esta altura irreversíveis diante do impacto da comunicação massificada que não admite as versões, ou seja, o contraditório. Refiro-me a idéia da existência de um jornalismo milenar difundido pelos chineses ou pelos romanos, ou de um jornalismo mediterrâneo na Europa medieval. Concepções equivocadas por conta da interpretação simplista e conveniente aos historiadores de que todas as formas de comunicação escrita, excetuando os livros, eram jornalismo. Não eram, do mesmo jeito que Johannes Gutenberg não é o pai da imprensa. Mas quem se atreve a dizer isso? Brigar com o “conhecimento” oficial já institucionalizado não tem o menor sentido.

Apenas propaganda

Comecemos pelas “Ata Diurna Populi Romani” do último século da era antiga, atribuídas a Julio César, mas difundidas por Augusto no século da morte de Cristo, que nada mais eram do que tabuas de pedra afixadas em locais públicos contendo supostas noticias do interesse dos romanos. Todas as evidências apontam em torno de um conteúdo que não era noticia, no sentido de variedade e exposição dos fatos com as suas nuances, e sim propaganda dos Cesares, detalhando as suas vitórias e conquistas nos campos de batalha, afirmando a superioridade do Império, anunciando a instituição e cobrança de tributos, dentre outros assuntos. As Atas Diurnas nada mais eram do que no Brasil colonial se convencionou chamar de “Bandos”.Ou seja, os papeis afixados num prédio público, com instruções, previamente anunciados por um soldado que convocava o povo para a leitura.

Mais tarde, século nono de nossa era, os chineses editaram o King-Pao que alguns preferem chamar de Gazeta da China e outros de Pequim. Informava apenas os decretos e outros atos do governo, sempre assuntos relacionados com a administração, inclusive a resenha das audiências e dos conselhos. Como as Atas Diurnas a sua função e objetivo era propaganda e não jornalismo. Também eram propaganda, neste caso com viés comercial explícito, os “Avvisis” venezianos que circulavam entre os portos de Europa desde a Idade Média. O seu DNA propagandístico pode ser aferido através de sua distribuição dirigida, que contemplava apenas comerciantes, investidores, nobres e reis. Os célebres comunicados comerciais que os historiadores insistem em contextualizá-los como antecedentes ou precursores do jornalismo, prosperaram com outro nome e outro formato, também na Inglaterra (New Papers) e na Alemanha; ali difundiram-se os “Zeitungen”.

Era Gutenberg

Johannes Gutenberg morreu sem ter conhecido a imprensa que de fato surgia mais de um século após o seu falecimento. O ferreiro tinha inventado os tipos móveis, viabilizando a copia em série de livros que a diáspora dos impressores germânicos espalhou por toda a Europa ao longo dos séculos XV e XVI. Num equívoco condescendente é considerado o pai da imprensa, apenas por que viabilizou o prelo. E com isso tornamo-nos órfãos de fato, já que o jornalismo não tem pai nem mãe; a imprensa sequer tem referências de sua origem, como se vê, propositalmente emaranhada aos conteúdos propagandísticos.Com isso minimizamos o impacto e a importância dos verdadeiros precursores como o Aviso-Relation oder Zewitung ou a Gazette de France e com eles os seus artífices.

O fato é que ao assumirmos clichês ( nenhuma intenção de trocadilho) desprezamos conhecimentos que tal vez hoje não mais tenhamos disponível. Quase nada sabemos dos primeiros jornalistas (com exceção da imprensa americana que, nesse particular, resgatou os precursores), das motivações que de fato originaram o jornalismo, da distribuição dos veículos, da evolução das tecnologias de impressão e do suporte, da transição das oficinas gráficas em empresas de noticias, da formação da opinião pública (fenômeno apenas estudado em relação à século XX, através das Escolas de Chicago e de Frankfurt, escolas francesas e estudos latino-americanos, estes mais recentes), dentre outras questões.A história da imprensa com seus fundamentos foi escrita sem a participação e o olhar crítico e apurado dos profissionais de mídia. Deu no que deu: Confundimos prensa com imprensa e jornalismo com propaganda.

Artigo de minha autoria publicado originalmente no Portal Imprensa em 16/06/2008

Hora do Reclame- OB nas olimpíadas. Um clássico da DPZ

15 dAmerica/Chicago Junho dAmerica/Chicago 2008

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“Ser criativo é como fazer ginástica: é um processo que não pode ser interrompido, senão entra em degeneração”. A frase de Zaragoza, numa memorável entrevista aos jornalistas Celso Sabadin e Roberto Simões em maio de 1978, revela não apenas o sentido conceitual, mas a sua fixação pelo esporte, numa época em que a ginástica brasileira definitivamente era o primo pobre, pobríssimo da delegação olímpica de nosso país. São da lavra do criativo três consagrados anúncios, dois deles criados para a Rhodia, o terceiro, aqui exibido, criado para o absorvente OB da Jonhson & Jonhson, todos eles com modelos romenas, então as ginástas de melhor desempenho no planeta. O anúncio da OB nasceu no retorno do prédio do cliente para a DPZ, briefing na mão, quando José Zaragoza, Flávio Conti e o João Palhares ouviram pelo rádio noticias sobre os jogos olímpicos, então realizados em Montreal (1976). Daí surgiu a idéia de se utilizar a figura de Nadia Comanecci, 14 anos, um mito do esporte, na época a primeira ginasta a tirar nota máxima numa olimpíada.

É claro que Zaragoza logo idealizou a imagem da garota com as pernas esticadas no angulo de 180 graus, um salto de barra tradicional, muito pertinente para anunciar o produto. Segundo os cálculos do criativo, no bate bola com a criação e o atendimento, se as olimpíadas durassem mais de duas semanas, metade das participantes estariam menstruadas nesse período e foi a partir dessa matemática que foi construido o texto do anúncio. O Consulado da Roménia reclamou, pediu para retirar a peça do ar, mas ficou por isso mesmo, ja que a modelo não era a Nadia e sim uma referência: uma outra garota parecida com ela. O anúncio com texto de João Augusto Palhares Neto, Direção de Arte de Zaragoza, fotografia de Meca e produção do Ronald Persichetti, conquistou medalha de ouro no 2º Anuário do Clube de Criação de São Paulo. È um dos clássicos da DPZ que merece ser lembrado nos 40 anos da agência a serem comemorados oficialmente dentro de 15 dias.

Hora do Reclame:O passarinho da Philco-Hitachi

4 dAmerica/Chicago Junho dAmerica/Chicago 2008

Em 1990 a Young & Rubicam comandada por Christina Carvalho Pinto e que recém estruturara a sua criação, veiculava um comercial que logo conquistava os telespectadores brasileiros e também júris dos festivais de propaganda, filme de 60″, dirigido por Christina e criado por Nelson Porto e Celso Loducca. O comercial tinha o objetivo de divulgar a nova linha de aparelhos de som Philco-Hitachi AS700, através de um conceito de qualidade e pureza do som, daí a escolha de um canario como personagem e e justamento a inusitada presença da ave e a sua atitude de acionar o controle remoto que surpreende e encanta. A cena mencionada custou horas de gravação, até o canário bicar a isca de pão no controle remoto, num trabalho de produção dirigido por Wellington Amaral Junior da 5.6. O clima do filme, fora a luz ambiente que enriquece o roteiro, é harmonizado através da belíssima trilha sonora, com efeitos da Matrix, do genial compositor sueco do século XIX Edvard Grieg, autor de magníficas sonatas para piano, discípulo de Franz Lizst.

Na época a Philco-Hitachi disputava mercado para esse produto com a Gradiente que estava no ar, também com um comercial encenado por bichos, um cachorrinho (se reportava à clássica imagem da Voz do Dono da RCA em inícios do século) que de repente se afastava do gramofone e optava por ouvir música num aparelho da marca, criação da DPZ. Excelente comercial. Mas “passarinho” atingiu os objetivos mercadológicos propostos, obteve elewvados índices de “recall” e ainda e conquistou para a Y&R, dentre outros prêmios, um leão de bronze no festival de Cannes, medalha de bronze também no Anuário do CCSP e medalha de ouro da categoria som & Vídeo no Prêmio Colunistas. Assista ao vídeo: