
Uma das Lacunas na bibliografia baiana de comunicação começa a ser preenchida com o livro “Memória do Rádio” de Perfelino Neto, lançado semana passada. O título da obra nos remete ao programa apresentado pelo radialista na Rádio Educadora (Irdeb), diariamente, às 22 horas, programa de fôlego que já contabiliza mais de 1.300 edições, um valioso acervo a ser disponibilizado um dia para os estudiosos do assunto, não apenas na Bahia, mas no Brasil. Não tenho referências de nenhum outro trabalho do gênero, semelhante em volume, regularidade e conteúdo, em outro Estado.
O livro de Perfelino que já prepara um segundo volume sobre o tema é a pedra fundamental de um trabalho de reconstrução da memória do rádio baiano, do qual não existe até hoje quase nenhuma referência, a não ser artigos e entrevistas publicados em jornais, raros trabalhos acadêmicos e o livro comemorativo dos 25 anos da Rádio Educadora, da autoria do João Leite, editado em 2003. Cabe citar aqui também o trabalho de Othon Jambeiro, Tempos de Vargas: O Rádio e o Controle da Informação, editado pela Ufba em 2004.
Lacunas de pesquisa
Por uma estranha razão a Bahia não cultuou a memória do rádio baiano, perdeu os seus acervos, deixou apodrecer as referências em jornais e também não cuidou de ouvir os principais protagonistas do veículo. Alguns deles já se foram como Gastão do Rego Monteiro, Ubaldo Câncio de Carvalho, Adroaldo Ribeiro Costa, Everton Visco, Pacheco Filho, Antônio Sampaio, Renato Mendonça, Antônio Roberto Pelegrino, Milton Barbosa, dentre outros. Mas se os que já se foram não mais podem falar, ainda há um seleto grupo de radialistas com DNA do legítimo rádio baiano que podem contribuir com os seus depoimentos, a preencher as lacunas de informação existentes.
Nomes como os de Jorge Santos, Manoel Canário, Cid Teixeira, José Jorge Randam, França Teixeira, D’Jalma Costa Lino, José Athaide, Ivan Pedro, D’Jalma Bahia, Milton Santarem, Pedro Ferreira e o próprio Perfelino Neto com a sua vivência de quase meio século de estúdio, enriquecida com o seu olhar de pesquisador, zeloso na preservação da memória do radio na Bahia e no Brasil. Referências vivas, dentre outras que omiti por esquecimento e se isso ocorreu desde já peço desculpas.
O livro “Memória do Rádio” é a contribuição de um pesquisador baiano à memória do rádio no Brasil, tema que já conta com mais de meia centena de obras publicadas, dentre os quais cabe destacar os trabalhos de Assis Barbosa, Eduardo Meditsch, Sérgio Cabral, César Ladeira, Érica Ribeiro, Rafael Casé, Miriam Goldfeder, Doris Fagundes Haussem, Fábio Prado Pimentel, Lilian Maria Perosa, Maranhão Filho, Maria Cristina Marconi, Ricardo Medeiros, Renato Tapajos, Renato Murce, Luiz Carlos Saroldi, Sonia Virginia Moreira, José Ramos Tinhorão, Reynaldo Tavares, Octavio Augusto Vampré, dentre outros. Falei no início deste artigo na pedra fundamental e é isso que o livro de Perfelino Neto representa: os alicerces. O resto é com o próprio autor que planeja publicar quatro livros sobre o assunto e outros pesquisadores do meio acadêmico e fora dele, admiradores da caixa falante.
Artigo publicado originalmente no Correio da Bahia em 17 de março de 2010