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Jornais e Revistas - Historia e Memoria


Semanário PAN, ideologia sob suspeita

O semanário PAN fazia sua estréia na imprensa brasileira em 26 de dezembro de 1935, em plena conturbação política, o governo então empenhado em debelar o movimento armado da ANL (a Intentona Comunista), no dia seguinte decretando Estado de Sítio e ordenando a prisão em massa dos envolvidos no levante e supostos simpatizantes. Foi o suficiente para Assis Chateubriand, em editorial publicado no Diário da Noite acusar o PAN de ser um órgão comunista. Segundo o diretor dos Diários Associados a capa teria sido mudada às pressas e os artigos publicados, retocados para terem uma conotação fascista, ao invés de revelarem o ideário de Moscou. José Scortecci, imigrante italiano, com elegância defendeu-se das acusações: “Permita-nos o senhor Chateubriand que lhe observemos a inconveniência de exagerar e citar dados falsos”. prevenia-se: “Os proprietários de PAN foram, são e serão contrários a toda idéia política ou social que preconize a violência”.

O fato é que PAN passou pelo crivo da censura, obteve o visto requerido, estampado na primeira página do seu número inaugural e nessa edição destacava como “O Homem do Dia” o Sr Benito Mussolini, “a figura mundial de maior relevo… a mais vigorosa personalidade universal deste século”. No seu editorial de estréia não escondia a sua pretensão de ser “uma revista nitidamente popular”. Mas em nota em separado, que refletia a sua preocupação com o momento político afirmava: “Temos, como é natural, as nossas simpatias por determinadas causas e personalidades. Não obstante PAN refletirá imparcialmente idéias de todos os setores”.

Ao longo de sua existência o PAN nunca se livraria de ser apontado como um semanário à serviço de uma ideologia. Primeiro acusaram-no de comunista, mais tarde de fascista e num determinado momento de nazista, em função das várias reportagens sobre o Führer publicadas, incluindo capas com a sua caricatura e muitas fotos do líder alemão. Em 19 de março de 36 Scortecci reafirmava a sua imparcialidade: “Novamente nos vemos obrigados a declarar que a revista PAN é completamente independente; não pertence ela a nenhum partido político, não defende, nem ataca idéias de nenhuma índole”.

A leitura do semanário afiança a declaração do seu editor. Simpatias à parte pelas ideologias européias em evidência, o PAN soube se manter eqüidistante desse clima conturbado, ajustou o seu noticiário quando o Estado Novo estabeleceu um patamar de censura mais rígido, trafegou incólume pela política morde e assopra de Vargas: a dubiedade que marcou o seu Governo até o bombardeio do “Baependi” por submarinos alemães nas costas da Bahia. Justificou-se enquanto pode, sempre reafirmando a sua imparcialidade. No recrudescer da guerra, diante de ânimos mais exaltados e a caça às bruxas (alemães, italianos e seus descendentes) em ação, Scortecci entregou os pontos. O PAN circulou quase uma década, abasteceu-se de fontes não muito convencionais, nas suas páginas colaboraram algumas personalidades. Quais? Esse é o nosso assunto do blog para amanhã.

 

(Autoria: Nelson Varón Cadena)





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