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A Fundação
A história da fundação da ABI se confunde com a de seu perseverante idealizador Gustavo de Lacerda. Criada em 7 de abril de 1908, seu principal objetivo era assegurar à classe jornalística os direitos assistenciais e tornar-se um centro poderoso de ação. Segundo o próprio Lacerda, a Associação deveria ser um campo neutro em que se pudessem abrigar todos os trabalhadores da imprensa.
Sede provisória em O Paíz
Numa pequena sala na sobreloja do imóvel onde funcionava a Caixa Beneficente dos Empregados do jornal O Paíz, Lacerda se reunia a outros colegas de redação para discutir sobre a instituição de classe que pretendiam fundar. Gustavo de Lacerda, Mário Galvão e Amorim Júnior foram incumbidos da elaboração do primeiro projeto de estatuto da ABI.
Lacerda não concordava com a idéia de que os jornais fossem empresas, dando lucro a seus acionistas. Para ele, os jornais deveriam ter uma missão social e funcionar como cooperativas de cujos interesses participassem todos os seus membros, dos diretores aos mais modestos colaboradores. Visionário, já no programa de fundação da ABI Lacerda expunha reivindicações que só apareceriam na Revolução de 1930. É dele a idéia de manter uma biblioteca aberta ao público, com o objetivo de atender não apenas às necessidades de informação cultural dos jornalistas, mas também a todo o povo da cidade do Rio de Janeiro.
Malandros e anarquistas
Após a criação da agremiação, coube à primeira Diretoria a função de consolidar e ampliar a iniciativa, não sem muita luta. Os fundadores eram tratados como indesejáveis e muitos esforços foram gastos com o objetivo de vencer o descaso de uns e a hostilidade de outros. A Associação de Imprensa era composta, segundo alguns céticos da época, por um grupo de malandros chefiados por um anarquista perigoso (Lacerda).
Naquele momento, o meio jornalístico encontrava-se disperso e, portanto, desfavorável a qualquer ideal de solidariedade profissional. Mas em busca de autodefesa e de prestigiar a classe à qual pertenciam, os homens de imprensa foram aderindo à entidade em proporções cada vez mais animadoras — e o prestígio da instituição, consolidando o sonho de Lacerda, se deu com a inscrição no quadro social da Casa de nomes representativos na vida nacional, como o Chefe da Polícia, o Comandante da Polícia Militar, o Prefeito, o Comandante do Corpo de Bombeiros e até o Ministro da Guerra.
Liceu também abrigou a ABI
Ao longo das duas primeiras décadas de sua existência — quando o Rio de Janeiro era ainda Capital da República —, a ABI acomodava-se em espaços alugados e, em tempos piores, sem condições de pagar aluguel, hospedou-se no Quartel dos Barbonos — mas sem alterar seus princípios originais, nem submeter-se ao Poder Público. Só nos anos 30 o sonho da sede própria configurou-se realidade. Sob a liderança de Herbert Moses, a ABI construiu a sua sede, que representa um marco na arquitetura moderna brasileira.
Outro importante ícone da história da ABI foi Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho, que lutava por ideais nacionalistas e via sua profissão como um meio de levar a população brasileira à conscientização política e social. Em 1926, aos 29 anos de idade, assumiu pela primeira vez a Presidência da Casa. Durante seu quarto mandato, em 1992, foi o responsável direto pelo pedido da abertura do impeachment de Fernando Collor de Mello e o primeiro orador inscrito para defender o processo.
O sonho concretizado
A ABI jamais deixou de cumprir os objetivos que a originaram, mas se adaptou ao longo do tempo. Seus estatutos foram ajustados às diversas situações socioeconômicas da indústria jornalística. Como disse em 1969 um ex-presidente da Casa, Fernando Segismundo, “além das finalidades fundamentais, a associação deve interpretar o pensamento, as aspirações, os reclamos, a expressão cultural e cívica de nossa imprensa; preservar a dignidade profissional dos jornalistas — e não apenas a de seus sócios; acautelar os interesses da classe; estimular entre os jornalistas o sentimento de defesa do patrimônio cultural e material da Pátria; realçar a atuação da imprensa nos fatos da nossa história; e colaborar em tudo que diga respeito ao desenvolvimento intelectual do País”.
Atualmente, a diretoria da ABI está nas mãos de Maurício Azêdo, eleito com quase 60% dos votos, derrotando duas chapas adversárias. Obedecendo ao estatuto da instituição, o novo Presidente tomou posse administrativa em 13 de maio de 2004, data primitivamente comemorativa do Dia Nacional da Imprensa. Após algum tempo, ela foi alterada para 1º de junho, dia em que o Correio Braziliense começou a circular e quando Azêdo e a nova Diretoria assumiram seus cargos em posse solene.
Trincheira inexpugnável da defesa da liberdade de imprensa e dos direitos humanos, a ABI, em quase um século de existência, mantém vivo o ideal de Gustavo de Lacerda, seu fundador, com o orgulho de nunca ter-se dobrado à intolerância e à violência dos Governos ditatoriais, nem mesmo quando explodiram sua sede. Este é um dos fatos de repercussão nacional que marcaram a trajetória da ABI e sua missão institucional de bem servir à classe jornalística e ao povo brasileiro.

Fidel Castro em visita a ABI
Fatos que marcaram a sua história
“O petróleo é nosso”
Foi na sede da ABI que se realizaram as reuniões patrióticas que antecederam a Lei de 1953, que instituiu a Petrobras. Na noite de 1º de agosto de 1988, parlamentares de várias tendências, intelectuais, representantes de entidades da sociedade civil e centenas de populares lotaram o auditório da Associação, numa manifestação em defesa do monopólio estatal do petróleo, contra os contratos de risco e pela nacionalização das riquezas minerais do País. O ato foi presidido por Barbosa Lima Sobrinho.
Atentado no edifício-sede
Em 1976, quando a ABI era uma das entidades da sociedade civil que mais se destacava na defesa das liberdades democráticas, um ato terrorista destruiu todo o 7º andar do edifício-sede da instituição, onde funcionavam o Conselho e os serviços administrativos e a Presidência. As autoridades nunca conseguiram identificar os autores do atentado a bomba.

Defesa de jornalistas
Ao longo da sua história, a ABI sempre se empenhou pela defesa dos direitos dos jornalistas. No período de dois regimes ditatoriais, com o Estado Novo e o golpe militar de 64, a ABI intermediou a soltura de jornalistas presos e submetidos a inquéritos policiais, acusados de subversão. Foi graças ao empenho da ABI que vários jornalistas exilados puderam retornar ao Brasil antes da anistia. Um deles foi Edmundo Moniz, que presidiu a Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa. Na sede da ABI, foi realizado o ato de protesto contra a morte de Vladimir Herzog e recebidas diversas famílias de jornalistas desaparecidos que procuravam a Associação em busca de ajuda.
Fim da censura
Na sede da ABI, em 1988, aconteceu a última reunião do Conselho Federal de Censura, liquidado pela nova Constituição. A despedida aconteceu na Sala Belisário de Souza, na tarde de 28 de setembro de 1988. No mesmo dia o Presidente Sarney assinava o decreto instituindo o Conselho de Defesa da Liberdade de Criação e de Expressão, para o qual foram designados representantes da ABI.
O impeachment de Collor
Numa sessão do Conselho Administrativo da ABI, em outubro de 1992 — logo após ter sido aprovado o pedido de impeachment de Fernando Collor de Mello na Câmara dos Deputados —, Barbosa Lima Sobrinho, então Presidente da Casa, relatou uma de suas viagens a Brasília, ocasião em que defendeu na Câmara o pedido de impeachment de Collor, juntamente com o então Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcelo Lavenère. Para Barbosa Lima Sobrinho, a atuação da imprensa no episódio situava-se entre as mais importantes, vigorosas e decisivas registradas na memória da Nação.
Texto e fotos extraidos do site oficial da entidade.
Presidentes da entidade
| Gustavo de Lacerda | 1908-1909 |
| Francisco Souto | 1909-1910 |
| Dunshee de Abrantes | 1910-1913 |
| Belisário de Souza | 1913-1916 |
| Raul Pederneiras | 1916-1917 |
| João Guedes de Melo | 1917-1920 |
| Raul Pederneiras | 1920-1926 |
| Barbosa Lima Sobrinho | 1926-1927 |
| Gabriel Loureiro Bernardes | 1927-1928 |
| Manuel Paulo Filho | 1928-1929 |
| Alfredo Neves | 1929-1930 |
| Barbosa Lima Sobrinho | 1930-1932 |
| Herbert Moses | 1932-1964 |
| Celso Kelly | 1964-1966 |
| Elmano Cruz | 1966-1966 |
| Danton Jobim | 1966-1972 |
| Adonias Filho | 1972-1974 |
| Elmano Cruz | 1974-1975 |
| Líbero Oswaldo de Miranda | 1975-1975 |
| Prudente de Moraes Neto | 1975-1977 |
| Fernando Segismundo | 1977-1978 |
| Barbosa Lima Sobrinho | 1978-2000 |
| Fernando Segismundo | 2000-2004 |
| Mauricio Azedo | 2004-2008 |
| Maurício Azedo | 2008-2010 |
Links dentro do Portal com artigos de Nelson Cadena sobre a história da ABI:
http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/artigos/76.html
http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/artigos/75.html
http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/artigos/93.html
http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/artigos/81.html
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