tamanho do texto

Propaganda Historia


O Ilustrador Desconhecido do O Cruzeiro

Em novembro de 1928 Assis Chateubriand apresentava aos brasileiros “O Cruzeiro”, publicação que seria a mais importante revista brasileira da primeira metade do século XX. A capa era a ilustração de uma mulher ao estilo melindrosa com sombra nos olhos, unhas cintilantes, lábios pintados insinuando um beijo e cinco estrelas prateadas, simbolizando a constelação do Cruzeiro do Sul. Muita coisa já se falou sobre esse número inaugural do “O Cruzeiro”, mas ninguém até hoje registrou o nome do autor da bela ilustração. Nenhuma menção em livros ou sites. Pois bem, registramos aqui em primeiríssima mão, furo jornalístico com 80 anos de atraso: o artista é o português Manoel de Móra, convidado pelo seu conterrâneo Carlos Malheiro Dias (diretor da revista) para desenhar essa e outras capas da fase inicial da revista. Todos os autores que já trataram da publicação ignoraram Móra que passou a ser o “dentre outros” na relação de nomes dos seus principais ilustradores.  Manoel de Móra foi também um dos criadores de reclames mais atuantes nas décadas de 20 e 30 no Brasil, autor de mais uma centena de anúncios. Seu estúdio ficava dentro das próprias instalações do Parc Royal, uma espécie de catedral do varejo que ocupava um quarteirão inteiro com três frentes. O mais sofisticado magazine do Rio de Janeiro, três andares, grande anunciante e que cuidava de seu próprio marketing com um departamento interno para a confecção de cartazes, catálogos de produtos, letreiros de ofertas e também anúncios.

Manoel de Móra era o principal artífice desse, digamos, departamento de arte. Ilustrava catálogos, anúncios de ofertas e ainda institucionais publicados em datas especiais  Fora a sua intensa atividade para o Parc Royal, Móra ilustrava capas das principais revistas da época, além de atender pedidos de criação de anúncios para inúmeros clientes. Destaco aqui três campanhas. A primeira: uma série de anúncios criados para um produto denominado “Quinado Constantino”, entre 1925 e 1928. A segunda revela um estilo bem diferente do que o consagrou como ilustrador da Loja Departamento aqui referida; o seu valor está mais na ousadia do que na estética. O artista desenhou mulheres semi-nuas insinuando seios e coxas, numa campanha do sabonete Limol, que dizia ter 4% de concentrado de Limão e tinha como slogan “Um banho de saúde e beleza”. ´Campanha publicada em 1938 e 39. O terceiro destaque é uma campanha por encomenda do Departamento de Turismo do Rio de Janeiro, Distrito Federal, tendo como mídia cartões postais, oito motivos diferentes, que circularam por todo o mundo.

Veja o texto completo de minha autoria e mais ilustrações na revista Propaganda, edição de outubro.

Texto de Nelson Cadena





Acesse o Blog do Cadena HOME | 200 ANOS DE IMPRENSA | PROPAGANDA | JORNAIS E REVISTAS | RÁDIO E TV | MÍDIA DIGITAL | RELAÇÕES PÚBLICAS | QUEM SOMOS? | NOTÍCIAS | BLOG

Portal Almanaque da Comunicação - 2008

W3Z