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Propaganda Entrevistas


Entrevista com Oswaldo Mendes

Oswaldo Mendes

Presidentes da Mendes Publicidade

Entrevista realizada por Alexandre Zaghi Lemos em 29/05/2006

Título: Oferta antes da procura

Fonte: Portal da Propaganda

Link: http://www.portaldapropaganda.com/comunicacao/entrevista/2006/06/0002
 

Obs: O cargo do entrevistado era o exercido por ele no momento da entrevista.
 

Poucas agências brasileiras têm uma história longeva e frutífera como a paraense Mendes Publicidade, que em 2006 completa 45 anos, sustentados por uma produtividade invejável e uma trajetória exemplar para todo o mercado nacional.

No leme, Oswaldo Mendes, o grande responsável pela perenidade da empresa, cultiva um entusiasmo contagiante e uma insatisfação continuada. Em diversas ocasiões se adiantou aos acontecimentos, ofertando serviços os quais o mercado do Norte ainda não tinha porte para usufruir.

O compromisso de Mendes com a difusão de conhecimento pode ser exemplificado pela recente instalação de uma biblioteca na sede de sua agência, onde é possível encontrar, entre obras sobre comunicação e temas afins, a coleção do anuário do Art Director´s de Nova Iorque dos últimos 40 anos. Nascido em Belém, em 1929, Mendes passou pelo jornalismo e pelas relações públicas antes de cair nos braços da publicidade. E a ela se entregou com uma paixão que passa de pai para filho. Hoje, como diretor de planejamento e criação, divide a sociedade e a condução da Mendes Publicidade com Oswaldo Mendes Filho (operações e finanças) e Rose Mendes Meira (atendimento).

A alta fidelidade da clientela permite que a agência se gabe de atender quatro de suas contas há mais de 30 anos — motivo pelo qual foi uma das 12 homenageadas pela ABA – Associação Brasileira de Anunciantes, no ano passado, com o Prêmio Aliança. Além disso, tem o jogo de cintura necessário para lidar com clientes tão diversificados como Banco da Amazônia, TIM Norte, Unama/Universidade da Amazônia, Unimed Belém, Grupo Agropalma (margarinas, óleos e gorduras vegetais), Magazan (loja de departamentos), Governo do Pará e Diretoria da Festa do Círio de Nazaré (atendimento voluntário).

Nesta entrevista, entre saborosos casos que um dia pretende colocar em livro, Oswaldo Mendes relembra sua trajetória profissional e a história de 45 anos de sua agência, sempre com humor e otimismo que espantam o envelhecimento, parecendo se ressentir apenas do fato de os anunciantes brasileiros não valorizarem as agências regionais, como ocorre em outros mercados.

ABOUT – Como você se interessou pela área de comunicações?
OSWALDO MENDES
– Aos 16 anos, eu tinha um sonho: ser repórter. Os Diários Associados editavam, em Belém, um vespertino chamado A Vanguarda, e estavam recrutando gente para relançar A Província do Pará. Pedi um emprego e ganhei um estágio sem remuneração por muito tempo. Depois assinaram minha carteira. Era meu chefe de reportagem o Carlos Castelo Branco, o Castelinho, que fez brilhante carreira na imprensa nacional como colunista político. Uma das minhas últimas reportagens foi a entrevista que fiz com Albert Einstein, na Universidade de Princeton, dois anos antes de ele morrer. Mas essa é outra história, que eu pretendo colocar em livro qualquer dia desses. Jornalista era mal pago; eu precisava de outro emprego para me sustentar e pagar meus estudos. Ingressei nos quadros da Câmara Municipal de Belém, onde me tornei redator de discursos, projetos e requerimentos. Por via desse trabalho na Câmara, ganhei uma bolsa na Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, onde cursei Administração Municipal, e depois, como tinha direito a fazer um outro curso, escolhi Relações Públicas. O professor assistente de RP era o jovem José Rubem Fonseca, hoje consagrado escritor. Foi esse curso na GV que despertou o meu interesse pela publicidade. Voltando a Belém, não tendo tanto o que fazer na Câmara Municipal, mas cumprindo o meu horário no emprego, comecei a levar para ler nas horas vagas, que eram muitas, os jornais e revistas especializados que A Província do Pará recebia, e que pouco interesse despertavam entre os colegas. Uma dessas publicações era PN, que resumia o título Publicidade & Negócios. Apaixonei-me pela propaganda.

ABOUT – E como você conseguiu seu primeiro emprego na publicidade?
MENDES –
A propaganda não me deu um emprego. Eu comecei logo empresário. Eu e um amigo radialista, Avelino Henrique dos Santos, que me completava, porque entendia tudo de rádio e era musicista, compunha nas horas vagas. Acabamos fundando a primeira agência, na acepção da palavra, da Região Norte: a Santos-Mendes Publicidade, mais conhecida pela sigla SM.

ABOUT – Como foi este início como publicitário e empresário?
MENDES –
Como éramos pioneiros, foi fácil construir uma invejável carteira de clientes. Começamos atendendo companhia regional de aviação, marca de refrigerante, fábrica de cigarros, banco, construtora e outras contas que, até então, anunciavam por conta própria ou movidos à ação dos corretores de veículos. A notícia da instalação da agência pioneira levou aos nossos escritórios um fazendeiro angustiado com o excesso de coco-anão em suas plantações, que não conseguia vender na mesma proporção em que elas produziam frutos. Ele pagava anúncios classificados e dava comissão a pequenos vendedores de rua, que vendiam, sim, mas não desovavam por completo o seu estoque. Nossa recomendação foi recebida pelo empresário com incredulidade, mas ele pagou para ver. Sugerimos um prêmio de reportagem — novidade na época. O assunto era o coco-anão e seus usos, sua história e sua necessidade. As matérias, estimuladas pelo concurso — não pelo prêmio em dinheiro, que era pequeno —, descobriram coisas como o fato de a água-de-coco ter sido usada como soro nos hospitais japoneses durante a 2ª Guerra Mundial. Levantado o assunto, fizemos pequenos anúncios vendendo coco. O nosso cliente finalmente livrou-se de todo o seu estoque e, aliviado, acabou vendendo até a sua fazenda.
 





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