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A imprensa no mundo da lua

Hoje, exatos 40 anos, a imprensa brasileira estava no mundo da lua, literalmente falando, nenhuma alusão às gafes cometidas pelos apresentadores da rede de TV com dificuldades de entender e traduzir o inglês do áudio original na histórica transmissão da chegada do homem no satélite em 20 de julho de 1969. Gafes que, diga-se de passagem, tinham a ver, também, com as alterações no roteiro original da NASA. Os engenheiros de Houston previram um determinado horário para o desembarque de Neil Armstrong, mas foi próximo da meia-noite, após uma longa espera, que o astronauta efetivamente pisou o solo lunar. Como ia dizendo a imprensa brasileira estava no mundo da lua. Não se falava outro assunto desde a semana anterior.

Toda a mídia ligada no grande acontecimento. Millor Fernandez definiu com muito bom humor e propriedade a edição especial de Veja de 23 de julho de 1969 como “Uma edição especialmente lunática” e então recomendava: “Armstrong: seja o primeiro suicida lunar. A idéia não é ficar na história?”. A propósito, as revistas comeram poeira, a julgar pelas manchetes nada criativas: “Chegaram!” (Veja), “O Homem na lua” (O Cruzeiro), “Especial. Mapa da Lua” (Manchete) e “Eis sua viagem à lua” (Realidade). Pecaram nos títulos, mas acertaram no texto, no caso específico de Veja, destacando uma magnífica entrevista com o Dr Von Braum. O criador dos foguetes V2 durante a II Guerra Mundial.

Os números da cobertura

O Brasil tinha em torno de 70 milhões de habitantes e o mundo estimava a população do planeta em 3,5 bilhões de pessoas. A histórica transmissão televisiva da chegada do homem na lua teria impactado, segundo estimativas da época, 530 milhões de telespectadores. Ou seja, 15% apenas da população. Mas a percepção foi outra já que na Europa, Estados Unidos e Japão, o mundo desenvolvido, a cobertura foi bem abrangente. No Brasil tínhamos 4,5 milhões de aparelhos de TV e uma cobertura estimada em 50% dos domicílios, algo em torno de 35 milhões de habitantes. Assistimos a chegada do homem na lua, em preto e branco, (o sistema de cores seria implantado somente em 1972), com imagens geradas pela NASA, via Embratel que para evitar um colapso nas comunicações e priorizar a transmissão televisiva, desligou o sistema de telex e telefonia DDD e DDI sem avisar à população. Três mil jornalistas credenciados pela NASA assistiram a decolagem do Apollo 11, testemunhado também por um milhão de pessoas presentes.

As grandes redes de TV americanas investiram na informação. A CBS convidou o ex-presidente dos Estados Unidos Lindon Johnson para comentar os aspectos políticos da missão lunar e Arthur Miller e Bob Hope para comentar cenas do cinema com o tema do espaço, exibidas nos intervalos da programação. A rede ABC entrevistou Marshall Macluhan, o teórico da aldeia global; então em evidência a máxima de que “o meio é a mensagem”.

Quanto à televisão brasileira esta deixou a desejar e a tecnologia teve muito a ver com essa cobertura, digamos, modesta. Dependíamos do Intelsat III e de um precário sistema de links terrestres, a partir da estação de Itaboraí recém inaugurada. Falávamos em cobertura via satélite, mas na prática, com exceção de alguns flashes pontuais e da histórica transmissão de 20 de julho, fizemos, mesmo. uma cobertura via telex. Com o estimável apoio da tesoura-press.

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